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Rede Industrial de Confecção SolidáriaConvênio entre o Grupo Hospitalar Conceição e a ONG Guayi é base da rede solidária que abrange detentas, ex-presidiárias e grupos comunitários em Porto Alegre.
No regime semi-aberto desde abril, a detenta Livia L., de 32 anos, parte todas as manhãs para a Cooperativa Semente, onde auxilia no corte dos tecidos que serão redistribuídos para os demais núcleos da Rics. O trabalho só termina no fim da tarde, quando tem de retornar ao presídio. Encarcerada por 3 anos e 11 meses após condenação por tráfico de drogas, foi lá que ela aprendeu o ofício. “Me deram aquela esperança de ter o que fazer depois de sair, e é isso que já está acontecendo. Ainda no presídio, chegava a tirar R$ 570 mensais”, conta. A liberdade condicional, avisa, deve sair até outubro do ano que vem. Para adiantar a data para junho, ela conta com a chamada remissão, mecanismo a partir do qual pode antecipar em um dia a condicional para cada três dias trabalhados. “Disposição para trabalhar não falta”, adianta. Auto-gestão Cada grupo que integra a Rics tem sua gestão interna, contabilidade e regulamentos próprios. O pagamento é feito conforme o número de peças de roupas entregues, garantindo uma renda mensal entre R$ 700 e R$ 800 mensais para as trabalhadoras. Para garantir a coordenação das atividades, a Rics possui ainda um comitê gestor, integrado por um representante de cada núcleo produtivo e responsável pelas decisões relativas a assuntos de logística e planejamento da Rede. “A Rics leva o selo da Economia Solidária e uma marca que promove empreendimentos auto-gestionários e o comércio justo e solidário”, reforça a assessora técnica na ONG Guayi, Vanusca Denize da Silva. Quem garante é a também ex-presidiária Júlia R., de 29 anos. Nascida no município paraguaio de Pedro Juan Cabalero, Júlia foi presa ao tentar cruzar a fronteira com pacotes de cocaína que seriam entregues em Porto Alegre. “Foi bem na primeira vez que fiz isso. Estava desempregada e aceitei”, diz. Após dois anos e seis meses na cadeia, Júlia conseguiu a liberdade condicional e trabalho na cooperativa Costura Solidária da Cuca. “Pensava em voltar para o Paraguai, mas conheci o pessoal. Aqui tudo é dividido igualzinho”, garante. Grife A Rics integra ainda a Associação de Empreendimentos Solidários em Rede do RS – a Emrede. A Associação é formada por empreendimentos solidários e ONGs, configurando-se como uma rede que abriga diversos núcleos produtivos, entre os quais a Rics, coordenada pela Guayí. De olho na capilaridade do grupo, a Rics se prepara para lançar novos produtos de uma grife social. A idéia é reproduzir, em camisetas, princípios básicos da própria economia solidária. “Este ano ainda faremos 150 peças”, adianta o responsável pelo corte dos tecidos da Rics, Rudimar Romancini.
Outras Informações
Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS |
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