Portal RTS - Rede de Tecnologia Social



Informativo Eletrônico

E-mail*
Nome

                                             Twitter    YouTube    Aumentar o tamanho da fonte Voltar ao tamanho padrão de fonte Diminuir o tamanho da fonte
Ações do documento

Rede Industrial de Confecção Solidária


Convênio entre o Grupo Hospitalar Conceição e a ONG Guayi é base da rede solidária que abrange detentas, ex-presidiárias e grupos comunitários em Porto Alegre.

Foto: Guayi
Rede-Industrial-de-Confeccao-Solidaria.jpg
Mulheres protagonizam experiência finalista do Prêmio Fundação BB de TS

29/10/2009
- Rodeadas por tecidos, agulhas e maquinário, seis mulheres trabalham orientadas pelos princípios da economia solidária no segundo andar da Penitenciária Feminina Madre Pelletier, na capital gaúcha. Elas formam o Grupo de Costura Liberdade, um dos seis núcleos de produção da Rede Industrial de Confecção Solidária (Rics). Responsável pela confecção de todo o tipo de vestuário demandado em Porto Alegre (RS) pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC) – cerca de 18 mil peças por mês -, a Rics é finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

No regime semi-aberto desde abril, a detenta Livia L., de 32 anos, parte todas as manhãs para a Cooperativa Semente, onde auxilia no corte dos tecidos que serão redistribuídos para os demais núcleos da Rics. O trabalho só termina no fim da tarde, quando tem de retornar ao presídio. Encarcerada por 3 anos e 11 meses após condenação por tráfico de drogas, foi lá que ela aprendeu o ofício.

“Me deram aquela esperança de ter o que fazer depois de sair, e é isso que já está acontecendo. Ainda no presídio, chegava a tirar R$ 570 mensais”, conta. A liberdade condicional, avisa, deve sair até outubro do ano que vem. Para adiantar a data para junho, ela conta com a chamada remissão, mecanismo a partir do qual pode antecipar em um dia a condicional para cada três dias trabalhados. “Disposição para trabalhar não falta”, adianta.

Auto-gestão

Cada grupo que integra a Rics tem sua gestão interna, contabilidade e regulamentos próprios. O pagamento é feito conforme o número de peças de roupas entregues, garantindo uma renda mensal entre R$ 700 e R$ 800 mensais para as trabalhadoras. Para garantir a coordenação das atividades, a Rics possui ainda um comitê gestor, integrado por um representante de cada núcleo produtivo e responsável pelas decisões relativas a assuntos de logística e planejamento da Rede. “A Rics leva o selo da Economia Solidária e uma marca que promove empreendimentos auto-gestionários e o comércio justo e solidário”, reforça a assessora técnica na ONG Guayi, Vanusca Denize da Silva.

Quem garante é a também ex-presidiária Júlia R., de 29 anos. Nascida no município paraguaio de Pedro Juan Cabalero, Júlia foi presa ao tentar cruzar a fronteira com pacotes de cocaína que seriam entregues em Porto Alegre. “Foi bem na primeira vez que fiz isso. Estava desempregada e aceitei”, diz. Após dois anos e seis meses na cadeia, Júlia conseguiu a liberdade condicional e trabalho na cooperativa Costura Solidária da Cuca. “Pensava em voltar para o Paraguai, mas conheci o pessoal. Aqui tudo é dividido igualzinho”, garante.

Grife

A Rics integra ainda a Associação de Empreendimentos Solidários em Rede do RS – a Emrede. A Associação é formada por empreendimentos solidários e ONGs, configurando-se como uma rede que abriga diversos núcleos produtivos, entre os quais a Rics, coordenada pela Guayí.

De olho na capilaridade do grupo, a Rics se prepara para lançar novos produtos de uma grife social. A idéia é reproduzir, em camisetas, princípios básicos da própria economia solidária. “Este ano ainda faremos 150 peças”, adianta o responsável pelo corte dos tecidos da Rics, Rudimar Romancini.

 

Outras Informações
Ong Guayi
Telefone: (51) 3212-7128 / 9865-7659
Email: ricscomercial@gmail.com
Sitio: www.guayi.org.br

 

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática