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Fundação Banco do Brasil avalia investimentos sociais realizados no sistema Pais


Entre principais desafios para o Pais, aponta pesquisa, estão a seleção mais criteriosa de produtores que atendam os pré-requisitos da tecnologia e o aumento do número de quilombolas e assentados assistidos.

Foto: Sebrae
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O Brasil tem hoje área plantada de 150 mil hectares de mamona e a produção é de 85 mil toneladas por ano

15/09/2008
- As empresas, em geral, não investem em programas sociais. Das poucas que o fazem, menos ainda os avaliam. A afirmação, de Kátia Puente Palacios, professora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social e do Trabalho nas Organizações da Universidade de Brasília (UnB), foi feita esta semana, em Brasília/DF, durante apresentação de pesquisa de avaliação de projetos sociais da Fundação Banco do Brasil.

Palacios foi a responsável, ao lado dos pesquisadores Jacob Arie Laros, Luciana Mourão e Rossana Pavanelli, por avaliar o Programa AABB Comunidade.  Maria Cecília Prates Rodrigues e Leandro Molhano, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordenaram, por outro lado, a pesquisa de avaliação dos projetos de Produção Agroecológica Integrada Sustentável (Pais) e da Casa Apis, este focado na cadeia produtiva do mel, na região de Picos/PI.

Geralmente, os investimentos das empresas são assistencialistas. “Falta-lhes sistematização, organização e pessoal capacitado. As instituições desejam, apenas,  aparecer e permanecer no imaginário e na consciência de cidadãos e consumidores como empresas preocupadas com a sustentabilidade, com o meio ambiente e com a diminuição das desigualdades sociais”, diz Palacios.

Pesquisa de 2002 do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea) já apontava que apenas 2% dos investidores privados controlavam a destinação de recursos destinados a investimentos sociais, monitorando e verificando se suas ações implicaram melhoria de vida da população; 86% afirmaram que somente colocavam verbas à disposição e o restante do universo pesquisado acompanhava informalmente os trabalhos desenvolvidos, sem metodologia precisa.

O presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, acredita que a avaliação permite à instituição apresentar à sociedade e aos órgãos de controle os resultados, os impactos e a efetividade dos investimentos sociais da entidade. “Para isso, é necessária a implantação de uma política de avaliação externa consistente tecnicamente”, diz. “Ao estabelecer uma política com metodologia própria buscamos corrigir eventuais problemas e distorções e demonstrar a seriedade com que realizamos nossos projetos e ações”, complementa Jacques.

Consolidação

O gerente de Educação e Cultura da Fundação BB, Marcos Fadanelli, acredita que “o destaque do processo avaliativo reside no processo de reflexão entre os atores que fazem os programas acontecerem, resultando na produção de conhecimentos técnicos de caráter cumulativo, ascendente e muito pragmática”. Conhecer o impacto do projeto sobre as comunidades, servir como parâmetro na tomada de decisões, prestar contas à sociedade e divulgar resultados obtidos são os principais objetivos das avaliações, explica o gerente do Núcleo de  Gestão da Avaliação da Fundação BB, Fernando Nóbrega.

A metodologia de avaliação utilizada pela Fundação BB para aferir os resultados de seus investimentos sociais envolve tanto as cadeias produtivas quanto programas educacionais, como o AABB Comunidade.

Na avaliação deste último, desenvolvida pela equipe da professora Kátia Palacios, da EMP Consulting, buscou-se verificar como o programa influencia nos resultados de desempenho e comportamento na escola dos participantes e, também, como afeta a continuidade da escolarização e a inserção, no mundo do trabalho, dos egressos do AABB Comunidade.

A pesquisa envolveu um universo de 1.156 pessoas de dez cidades brasileiras, entre entrevistas e aplicação de questionários. Também foram levantados dados em fontes secundárias, junto a históricos escolares de participantes do programa e grupo de controle, perfazendo um total de 1.083 coletas.

O AABB Comunidade busca contribuir para a inclusão, a permanência e o desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes de famílias de baixa renda. A metodologia envolve atividades sócio educativas, culturais, esportivas e de saúde.

Pais amplia segurança alimentar e eleva renda

A avaliação da professora Maria Cecília Prates Rodrigues, da FGV Opinião, sobre o Pais, tinha como foco verificar o atingimento dos objetivos centrais do programa – viabilizar alimentação saudável para famílias de baixa renda, por meio do incentivo à produção e ao consumo de hortifrutigranjeiros e gerar renda – e sua amplitude. O projeto foi implantado em 12 estados brasileiros.

A amostra priorizada envolveu 180 produtores do Piauí, Goiás e Minas Gerais, onde estão instaladas 270 hortas do Pais. Os principais resultados alcançados, segundo Rodrigues, foram o aumento e a diversificação na produção e comercialização de produtos de horta, a melhoria no padrão de consumo alimentar das famílias e o aumento na renda das famílias envolvidas. A aquisição de uma consciência ambiental também foi lembrada pela professora como resultado obtido pelo projeto.

Ponto alto para a segurança alimentar, conforme relato de produtora do Piauí: “Não tinha hábito de comer alface... cheiro verde eu tinha. Agora a alface e o pepino... cenoura, nunca comia! Essas coisas a gente só comprava se viesse alguém para casa, alguém de fora! Minha família, que mora em São Paulo, quando chegava eu tinha que comprar. Agora não, agora eu uso mesmo, no dia-a-dia, quer tenha gente de fora ou não, já tem a fartura na mesa”. Na dimensão quantitativa, 77,2% dos entrevistados apontam como principal ponto da Tecnologia Social a melhoria na alimentação da família, outros 19,8%, o aumento de renda da família.

“Marco zero” da Casa Apis

Com relação ao projeto Central de Cooperativas Apícolas do Semi-Árido Brasileiro (Casa Apis), a equipe da FGV Opinião mostrou a situação atual do projeto, uma vez que se tratava de uma avaliação de “marco zero”. Não obstante, algumas recomendações foram apresentadas.

A Casa Apis foi criada para fortalecer a capacidade de produção de pequenos produtores de mel, quanto à apropriação do valor agregado da matéria-prima, até então na mão de atravessadores e grandes empresas, e ampliar as oportunidades de geração de trabalho e renda.

O universo da pesquisa abrangeu uma amostra de produtores do Piauí, vinculados a cinco cooperativas filiadas à Casa Apis: Campil, Coopermel, Coopix, Compai e Comapi.

Recomendações

No programa AABB Comunidade, a equipe da EMP Consulting sugere desenvolver estratégias de integração entre os diferentes municípios envolvidos, expandir o programa, manter o foco na permanência na escola entre os participantes do programa e continuar desenvolvendo ações que permitam a inserção no mundo do trabalho dos egressos. Também recomenda criar estratégias mais focadas na retenção, para o público adolescente do programa.

Os principais desafios para o Pais são a seleção mais criteriosa de produtores que atendam os pré-requisitos da tecnologia, como, por exemplo, disponibilidade de água, e o aumento do número de quilombolas e assentados assistidos. Revisar a Tecnologia Social também foi sugerido, pois, em parte das áreas analisadas, o galinheiro no centro da horta, previsto no projeto, não faz parte da cultura local. É preciso ainda, diz o relatório de avaliação da FGV Opinião, formatar os cursos de capacitação de forma a que atendam aos seguintes requisitos: objetividade; linguagem simples e direta; abundância de práticas; e curta duração. O documento sugere, ainda, priorizar combate às pragas e fortalecer a comercialização dos produtos Pais.

As recomendações da equipe de pesquisa, relacionadas à Casa Apis, foram: potencializar recursos investidos; focar viabilidade econômica da central apícola; fortalecer as bases cooperativas; adequar assistência técnica aos apicultores; e ampliar orientação sobre o acesso e uso do crédito para os produtores de mel. O relatório sugere, ainda, a manutenção de um cadastro atualizado, com indicadores básicos dos resultados do projeto, como produção total, número de colméias, casas de mel utilizadas, quantidade de mel entregue à cooperativa, preço recebido por quilo e valor recebido na repartição das “sobras” da Casa Apis.

Metodologia

A Fundação Banco do Brasil desenvolveu um documento - Base Conceitual de Monitoramento e Avaliação - e, simultaneamente, contratou a FGV para produzir uma metodologia a ser utilizada na avaliação de cadeias produtivas.

A avaliação para cadeias produtivas é baseada na metodologia EP2ASE (Eficácia Pública e Eficácia Privada da Ação Social de Empresas), sistemática adotada pela FGV. Apropria-se do critério da “eficácia pública” para identificar de que modo os objetivos de impactos, estabelecidos pela Fundação BB para as comunidades-alvo das cadeias produtivas, estão sendo alcançadas.

A EP2ASE adapta complexos modelos estatísticos e econométricos de avaliação de impacto, adotando uma “lógica experimental”, que busca manter o rigor metodológico para a construção do experimento, porém utiliza procedimentos mais parcimoniosos para análise de resultados.

A Fundação Banco do Brasil também utiliza o instrumental metodológico de estudo de casos, categoria de pesquisa que tem como objeto de análise uma unidade específica e, como propósito, seu conhecimento aprofundado. É uma abordagem que permite adquirir conhecimentos mais detalhados e aprofundados sobre ações de projetos e programas, tendo como propósito subsidiar, complementar ou originar outro tipo de avaliação. São utilizados como técnica as análises de discurso e de conteúdo. A primeira valoriza o contexto de interação na interpretação do discurso. A análise de conteúdo implica em uma “quantificação” do dado qualitativo, através da localização de palavras-chave, expressões e conceitos (léxicos) que permitam observar “regularidades” contidas no discurso, que se tornam a base da análise.

Fonte: Fundação Banco do Brasil

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