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Encauchados de vegetais ampliam renda de comunidades amazônicas


Experiência recupera técnicas indígenas de produção da borracha a partir da produção de um composto com a utilização do látex

Foto: I. Ethos
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04/11/2009 - Sessenta famílias das aldeias rondonienses de Paxiúba e Kaxarari são os mais novos adeptos dos Encauchados Vegetais da Amazônia. Desenvolvida pelo Pólo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais (Poloprobio), a experiência recupera técnicas indígenas de produção da borracha a partir da produção de um composto com a utilização do látex, extraído pelos seringueiros, e fibras vegetais como a embaúba e o algodoeiro. Enquanto o preço médio da borracha convencional sai por R$ 3,50 o quilo, cada quilo de borracha convertida em encauchado tem sido remunerado a R$ 50.

“Nosso objetivo é complementar a renda das famílias a partir da valorização do látex, o que na região é também uma forma de preservar a floresta”, diz o técnico do Poloprobio Regis Paiva. A produção das peças, diz, combina pigmentos e aromas obtidos de forma natural, extraídos de folhas da anilina, das cascas do jatobá, do breu e da semente de urucum. O látex é aquecido de forma controlada e estabilizado com uma mistura de água com cinzas, recolhidas de fornos, fogão e roçados. O resultado é o chamado encauchado, atualmente produzido em 29 comunidades da Amazônia para complementar a renda de assentados, indígenas e ribeirinhos.

Inovação

O líquido vulcanizante, que não deixa o látex perder a elasticidade e coagular, é resultado de pesquisa do professor da Universidade Federal do Acre (Ufac) Francisco Samonek. Em conjunto com seringueiros e indígenas, ele fez diferentes testes com substâncias naturais coagulantes até chegar à formula correta. “Não existe seringueiro que consiga trabalhar hoje só com a borracha. Por isso agregar tecnologia é tão importante”, explica Samonek. Atualmente, diz, já são 28 produtos gerados a partir da nova TS.

O projeto Encauchados de Vegetais da Amazônia começou nas terras indígenas Kaxinawá e Shanenawa, no município de Feijó, e na reserva extrativista do Cazumbá Iracema, em Sena Madureira, no Acre, em 2005. Em cada comunidade ou aldeia beneficiada, unidades produtivas, coletivas ou familiares são criadas pelo Poloprobio. Cada unidade coletiva envolve cerca de 30 pessoas e as familiares, cinco pessoas. Atualmente, são mais de 500 pessoas, entre pesquisadores, técnicos, indígenas e seringueiros, espalhados por 29 unidades de beneficiamento da borracha, nos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia.

O projeto conta com as parcerias do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Programa Biodiversidade Brasil/Itália, do Banco da Amazônia (Basa) e da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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