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Aelson Almeida, Pró-reitor de extensão da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
Confira, a seguir, a íntegra da entrevista. Rede de Tecnologia Solcial - Como avalia a extensão universitária no Brasil? Aelson Almeida - Desde a criação do Forproex, a questão da extensão passou a ser muito mais discutida nas universidades, principalmente tendo em vista a construção do Plano Nacional de Extensão Universitária. Isso trouxe vários elementos para a discussão, embora ainda mantenhamos um conjunto de limites estruturais. Historicamente, a extensão sempre foi muito marginal dentro das universidades e ainda faltam recursos e financiamentos para programas e projetos. RTS - Por que esta marginalidade? Almeida - É assim no Brasil e no mundo. A Universidade ainda não está voltada para esse contato com o cidadão e a sociedade. Criou-se uma elite intelectual de professores e pesquisadores que ainda considera que a universidade detém e produz o conhecimento, e que ele de forma quase milagrosa será transmitido e apropriado pela população. Essa visão ainda é marcada por um posicionamento assistencialista da universidade. Quando o professor quer ou precisa entrar em contato com a sociedade, ele geralmente se baseia no modelo europeu de oferta de cursos ou no modelo americano de prestação de serviços. Faltou sempre essa costura de promover uma extensão mais interativa e dialogada, construída em conjunto com a sociedade. RTS - É possível apontar tendências e rumos? Almeida - Qual é, afinal, o papel da universidade diante das políticas públicas? E para a inclusão social? Esse questionamento está chegando à comunidade acadêmica e vai crescer, obrigando a universidade ao diálogo. Alguns editais de financiamento, por exemplo, já têm forçado a universidade a entrar em contato com instituições comunitárias e do terceiro setor que começam a discutir as questões entre ciência, tecnologia e sociedade. A extensão universitária é um elo do processo científico e tecnológico. Como desenvolver ciência e tecnologia nos centros de pesquisa se você não se preocupa com a utilização e a apropriação dessa tecnologia que foi gerada? RTS - Qual a posição do Forproex quanto a este debate? Almeida - A atual gestão do Forproex está buscando ampliar o díalogo com as políticas públicas e firmar a extensão universitária como necessária também para a formação. Para isso, precisamos mexer com algumas estruturas institucionais. Quando dizemos que é preciso financiar bolsas de extensão na graduação à exemplo do Pibic (bolsas para pesquisa), as pessoas ainda questionam se a extensão realmente faz parte da missão e das atribuições dos órgãos de fomento de ciência e tecnologia. É claro que faz parte. Também temos outras questões importantes, como a necessidade de valorização da extensão universitária no currículo Lattes, da inclusão da extensão na formação dos pós-graduandos e da introdução da extensão universitária na grade curricular e nos projetos pedagógicos quando da criação de novos cursos. Precisamos de uma política de valorização, institucionalização e fomento à extensão universitária.
Almeida - As Tecnologias Sociais aparecem principalmente na valorização do trabalho comunitário e dos empreendimentos coletivos. Quais as soluções tecnológicas possíveis para o enfrentamento dos vários problemas que atingem esses grupos? São pessoas que poderiam estar no ambiente da universidade gerando um processo de mudança para além da utilização da tecnologia por si só. A Tecnologia Social permite discutir também sustentabilidade, autonomia e emancipação dos grupos sociais. O conteúdo fortemente político da TS é justamente esse: contribuir para buscar a libertação de estruturas opressoras ou que deixem esses grupos presos ou dependentes de situações para além de sua realidade. RTS - Pode dar algum exemplo de como essa interação entre a universidade e os movimentos sociais pode se dar na prática? Almeida - Um bom exemplo, que já está presente em quase todas as universidades públicas brasileiras, é a incubação de empreendimentos solidários. As incubadoras têm feito um trabalho muito interessante do ponto de vista do desenvolvimento metodológico, contrariando certa visão paternalista da universidade de que ela deve levar conhecimento e resolver todos os problemas, ao invés de ir aos empreendimentos e aprender com eles a construir as soluções. Nesse sentido, a Tecnologia Social facilita a convergência com este fazer mais democrático e participativo da Extensão, até porque a TS exige esse tipo de troca. As incubadoras têm desenvolvido metodologias nessa direção, justamente para promover o encontro entre o saber popular e o conhecimento científico, tirando o melhor para a universidade e para a sociedade. Precisamos, agora, nos alimentar da prática sem perder a visão teórica e conceitual. A prática por si só, que não produz conhecimento, não serve nem à universidade nem à sociedade. RTS - A RTS foi convidada a integrar a comissão organizadora da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI). Acha que é o foro adequado para levar as Tecnologias Sociais ao centro do debate? Almeida - A Conferência abre um campo de debate, mas precisamos garantir esse espaço. Isso vai depender da RTS e das instituições associadas ou não à Rede. Já existe certo acúmulo para o debate e é no ambiente da Conferência que encontraremos quem decide e detém o controle sobre as instituições de pesquisa e de fomento à ciência e à tecnologia. É, certamente, uma oportunidade de colocar o tema na agenda brasileira. Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS |
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