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S.O.S algasSob o lema “Amar o mar é semear”, 12 famílias cearenses fazem do cultivo de algas uma alternativa econômica e uma reação ao uso predatório dos bancos naturais. Com energia solar e manejo sustentável, valor do produto já foi multiplicado por 10.
A solução encontrada por ele e mais onze famílias foi apostar na produção e no cultivo das próprias algas. A iniciativa, que contou com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis (Ider) e da Agência de Cooperação Americana (Usaid), trouxe à atividade o uso da energia solar. O equipamento, de uso e manutenção bastante simples, desidrata algas sem o consumo de gás. Para baratear a implementação do sistema, até uma tela de galinheiro faz parte da estrutura, substituindo componentes mais caros. Os dutos, por exemplo, são canos de PVC geralmente empregados em redes de esgoto. “A eletricidade está cara demais. Se tivéssemos que pagar a energia para bombear a água e alimentar o secador, não dava para nós”, avisa Pedro. A secagem ao sol, em si, não é novidade, especialmente no nordeste brasileiro. O que o secador solar trouxe foi eficiência ao processo, aumentando consideravelmente a qualidade dos produtos e seu preço na ponta do mercado. O valor do quilo da alga vermelha, que girava em torno de R$ 0,50, hoje não é vendido por menos de R$ 5 pela comunidade. “Se eu contar você não acredita: já vendemos o quilo da alga até por R$ 30”, celebra Edvan, irmão de Pedro. O cultivo segue diversas etapas. Após a montagem da estrutura, são realizadas a coleta das mudas e a confecção dos molhos para atar nas cordas. “Cada 50 gramas de alga que usamos de ‘semente’ vira até 1,5kg depois”, diz Pedro. Em seguida é feita a chamada “plantação”, quando os pescadores lançam as cordas ao mar. Após 45 dias de muita manutenção e limpeza, é realizada a colheita, a separação e a lavagem das algas, que são então transportadas para o secador solar, pesadas e vendidas. Atualmente, o grupo chega a coletar até 120 kg de alga por dia. “Melhorou muito, mas não estamos satisfeitos não. O que queremos para nossa independência é dominar o ciclo da cadeia”, diz.
O pescador se refere ao mercado bilionário das algas. Para se ter uma idéia, apenas o Japão movimenta de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões por ano somente com um tipo comestível de alga usado para envolver bolinhos de arroz. No caso, a meta de Pedro está na utilização das algas em produtos derivados do leite, shampoos, cosméticos, pastas de dente e gelatina, entre muitos outros. “Hoje o Brasil importa 80% das algas que consome. O mercado está aberto e a indústria diz que compra qualquer quantidade de alga que a cooperativa produzir”, afirma um dos diretores e fundadores do Ider, Jögdieter Anhalt. Tanto é que a família de Pedro já está mobilizada para dar o passo adiante. A mulher faz gelatina para vender e uma das sete filhas trabalha na produção artesanal de sabonetes de alga. “Aproveito para fazer também uma embalagem bem bonita”, avisa Maria, que vende cada sabonete a R$ 5. “Infelizmente não dá para fazer aqüicultura só com dois ou três ‘contos’”, diz Pedro. Daí o projeto da associação para implantar na região o Centro de Produção Regional de Algas Marinhas, planejado para ser também ponto de venda de produtos e serviços relacionados à produção de algas. Enquanto o dinheiro para o Centro não vem, as 12 famílias da Associação complementam a renda por meio da pesca. A sorte, como lembra Pedro, é que o cultivo das algas cria um ambiente favorável para o desenvolvimento da fauna aquática, inclusive das lagostas. “Vamos levando no que dá, mas a gente espera que o Ibama faça um defeso das algas também. Se tudo der certo, um dia a gente faz da alga nossa independência”, diz. Repercussão internacional O projeto S.O.S Algas, capitaneado pelo Ider, ganhou destaque internacional ao ser finalista do The World Challenge 2007, um prêmio internacional concedido anualmente pela Shell, BBC e Newsweek para projetos que se destacam na preservação do meio ambiente e melhoria da qualidade de vida. A rede de TV britânica BBC produziu um documentário de 10 minutos sobre o projeto, que já está disponível no Youtube, em duas partes: http://br.youtube.com/watch?v=zTA7NF2EkTw (Parte 1) http://br.youtube.com/watch?v=VKKkrVUhMq8 (Parte 2) O extrativismo dealgas marinhas é realizado
Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS |
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