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Revolução social no campoSaiba como funciona, na prática, a reaplicação das Tecnologias Sociais que conseguiram ganhar escala na RTS. Experiências contemplam a produção agroecológica e a captação de água de chuva para a produção de alimentos, beneficiando mais de 50 mil pessoas em todo o Brasil.
A escolha pela agricultura familiar não foi à toa, lembram especialistas consultados pelo Portal da RTS. Segundo o censo agropecuário brasileiro, o setor emprega quase 75% da mão-de-obra no campo e é responsável pela segurança alimentar dos brasileiros, produzindo 70% do feijão, 87% da mandioca e 58% do leite consumidos no Brasil. Apesar de representarem 84,4% do total de estabelecimentos agropecuários, ocupam apenas 24,3% da área agrícola brasileira. P1+2 A cada período de estiagem, milhares de pessoas que vivem no Semiárido não conseguem satisfazer suas necessidades de acesso à água e alimentos básicos. Se a concentração de água está diretamente ligada à concentração da terra, no Semiárido tal constatação é ainda mais verdadeira. Das 4 milhões de famílias agricultoras que vivem no meio rural brasileiro, 1,7 milhão estão no bioma, ocupando apenas 4,2% das terras agricultáveis. Para garantir condições dignas de vida em situações tão desfavoráveis, uma das apostas feitas pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) foi a construção, em escala, de tecnologias sociais desenvolvidas e experimentadas pelos/as agricultores/as da região. Agrupadas pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), as tecnologias garantem o aproveitamento e o manejo sustentável da água da chuva para a produção de alimentos e a criação de pequenos animais. “As grandes obras hídricas, criadas supostamente para combater a seca e resolver o problema da escassez de água, associada à adoção maciça de transferência de tecnologias, geraram um quadro de penúria e insegurança alimentar. Somado a isso, há ainda a negação das potencialidades locais e dos conhecimentos das populações para resolver seus problemas”, conta o coordenador do programa, Antônio Barbosa. “Essas tecnologias são resultado do conhecimento e da experiência acumulada dos agricultores e agricultoras familiares. Por isso, o P1+2 visa reconhecer e valorizar os saberes tradicionais, incentivando processos participativos e de construção coletiva do conhecimento”, explica Barbosa. Na prática, as UGTs recebem os recursos e diretrizes da Unidade Gestora Central (UGC) e ficam responsáveis pela execução de base. Isso significa promover as capacitações e os intercâmbios, bem como mobilizar as comissões municipais. Bases do programa, cada comissão municipal é formada por, pelo menos, cinco organizações locais associadas à ASA. Embora a UGT selecione as regiões prioritárias para a implementação do P1+2 em seu respectivo território, são as comissões municipais que decidem pelas famílias que receberão as tecnologias em cada município. “Não é a gente que decide o local exato de cada tecnologia. São os próprios agricultores e instituições daquelas comunidades, que participam do início até o final da implementação”, explica Barbosa. Investimentos realizados por instituições mantenedoras da RTS no P1+2
Sistema Pais A TS Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) promove um sistema de produção agroecológica de hortaliças, frutas e pequenos animais, tendo como pressupostos a racionalização de recursos e o manejo ecológico da terra. A proposta, idealizada pelo agrônomo senegalês Aly N’Diaye, é fazer com que os produtores dependam o mínimo possível de qualquer componente estranho à sua propriedade. Toda a produção acontece sem o uso de agrotóxicos, propiciando alimentos saudáveis e livres de quaisquer interferências químicas. Já a irrigação é feita por meio de um sistema de gotejamento, que evita o desperdício de água e possibilita a implantação do modelo inclusive em regiões do Semiárido. “A produção é agroecológica porque dispensa o uso de ações danosas ao meio ambiente, como o uso de agrotóxicos, queimadas e desmatamento. E é integrada porque junta a criação de animais com a produção vegetal usando insumos da própria propriedade em todo o processo”, diz Aly.
A instalação de uma unidade do Sistema Pais envolve algumas especificidades, conta. É preciso, primeiro, que o terreno tenha extensão mínima de cinco mil metros quadrados e que a área seja o mais plana possível, para possibilitar a montagem da horta circular. Também é necessário que haja uma fonte de água próxima. Fora isso, tudo se adapta aos contextos locais na hora de plantar. “As culturas são sempre escolhidas de acordo com o conhecimento do produtor e dos hábitos alimentares da região”, explica Juarez de Paula, gerente de Desenvolvimento Territorial do Sebrae. Em parceria com o Ministério da Integração Nacional e o Sebrae, a Fundação Banco do Brasil lançou cartilha e DVD com o passo-a-passo para a instalação de uma unidade do Pais. Ambos foram produzidos a partir de entrevistas com agricultores de Cristalina, Pirenópolis e Porangantu, em Goiás, e do Núcleo Rural de Ceilândia, no Distrito Federal, com o apoio técnico da Fazenda Vale das Palmeiras, localizada em Petrópolis, Rio de Janeiro. Também colaboraram o Instituto de Permacultura do Cerrado (Ipec), a Fazenda Malunga, o Sítio Água Santa e a RTS. O DVD, com 20 minutos de duração, contém um vídeo principal com dados gerais sobre o sistema Pais e outros seis módulos detalhando as principais etapas da implantação de uma unidade familiar de produção agroecólogica. São elas: escolha e preparação do terreno; seleção das culturas; demarcação do galinheiro e dos canteiros circulares; construção do galinheiro; preparação dos canteiros; uso de energia; sistema de irrigação por gotejamento; compostagem; quintal agroecológico; associativismo e comercialização. "A primeira meta do Pais foi trabalhar a questão da segurança alimentar e gerar renda. O próximo desafio é verificar como o produtor vai gerenciar seu negócio e criar estratégias de comercialização para escoar a produção", diz o gerente da Unidade de Agronegócios do Sebrae, Paulo Alvim. “O problema da comercialização, felizmente, aparece quando as coisas dão certo e há um nível de produção contínua e com certa escala”, complementa o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena. Clique aqui para acessar a Cartilha sobre o Sistema Pais – Mais alimento, trabalho e renda no campo. Clique aqui para fazer o download do Vídeo sobre o Sistema Pais (em seis partes) Investimentos realizados por instituições mantenedoras da RTS no Pais
Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS |
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