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Reaplicação em escalaFaz três anos que a Rede de Tecnologia Social (RTS) busca reunir, organizar, articular e integrar um conjunto de instituições com a missão de contribuir para o desenvolvimento sustentável, por meio da difusão e reaplicação em escala de Tecnologias Sociais. Trabalho em rede, convergência institucional e apropriação das TSs pela comunidade estão no centro da estratégia
Fundada em 2005, a Rede de Tecnologia Social (RTS) viu saltar de 30 para 633 o número de instituições associadas em apenas três anos. Com vistas a fazer valer esta capilaridade e criar efeitos demonstrativos capazes de levar à adoção de Tecnologias Sociais como políticas públicas, a RTS aposta este ano no fortalecimento da articulação em rede e na convergência institucional para garantir escala à reaplicação de TSs geradoras de trabalho e renda. Sinais desta determinação estão em decisões recentes do Comitê Coordenador da RTS, que definiu este ano metas de reaplicação em escala para duas Tecnologias Sociais (TSs). Além da pactuação pela reaplicação de 5 mil unidades do sistema Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) até 2010, o CC/RTS pretende mobilizar esforços para atender, no mesmo período, 15 mil famílias com as tecnologias de captação de água de chuva, voltadas para a produção, vinculadas ao Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). O objetivo do Programa é a promoção da segurança alimentar e nutricional e de geração de renda para os agricultores familiares do Semi-Árido, a partir do acesso e manejo sustentáveis da terra e da água para a produção de alimentos. (clique aqui para saber mais sobre o processo de reaplicação do Pais e do P1+2) Segundo a secretária executiva da RTS, Larissa Barros, um primeiro passo para assegurar o êxito desta multiplicação é entender, desde o início, a diferença entre os conceitos de reaplicação e replicação. “A Tecnologia Social não pode ser simplesmente copiada tal como foi concebida (replicação). No processo de multiplicação, é importante que ela seja recriada, ajustada e que sejam agregados novos elementos pela comunidade. Com isso, espera-se que o conhecimento seja, de fato, apropriado pelas pessoas e reconstruído por elas”, explica. Para isso, as metas, propostas por Grupos de Trabalho (GTs) formados no âmbito do Comitê Coordenador, levaram em consideração a capacidade de formação de multiplicadores locais, a previsão de recursos e dotações orçamentárias para a reaplicação e a definição de territórios prioritários. Um dos eixos foi também a consideração de questões de mercado, tendo em vista fatores como a capacidade de escoamento e absorção da produção gerada por cada TS. A RTS também consolidou, este ano, uma proposta de metodologia de incubação de redes de cooperativas de catadores de materiais recicláveis passível de reaplicação em escala na periferia de grandes centros urbanos. O objetivo é modelar uma TS capaz de estabelecer uma relação comercial direta das cooperativas com a indústria recicladora, eliminando a figura dos intermediários a partir da estruturação de sistemas integrados de logística, padronização, capacitação e comercialização em rede, entre outros. O documento, construído em conjunto com cooperativas de catadores e organizações de apoio com reconhecida experiência no tema, garantiu o detalhamento da metodologia. (clique aqui para saber mais sobre a experiência da Rede CataBahia, que já articula em rede a comercialização do material coletado por oito cooperativas). “Um dos nossos maiores desafios ainda é exatamente este: ampliar nossas ações na reaplicação em escala de Tecnologias Sociais nos centros urbanos”, admite o analista da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Rodrigo Fonseca. Para isso, a próxima reunião do Comitê Coordenador, marcada para setembro, avaliará experiências passíveis de multiplicação nas cidades, como tecnologias de construção sustentável capazes de reduzir, sem perda de qualidade, os custos para a construção de habitações de interesse popular. Convergência A RTS está longe de ser um grupo homogêneo. Com representantes da sociedade civil, iniciativa privada, academia e governos, o aprendizado em lidar com estruturas organizacionais tão distintas na busca por um objetivo comum é por si só um dos grandes avanços da Rede, avalia o diretor da Secretaria de Articulação Institucional e Parcerias (Saip) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Marcus Villarim. “O P1+2 é um exemplo muito claro disso. Até então cada um fazia suas ações por conta própria e ali, na RTS, conseguimos construir uma articulação entre governo e sociedade civil que hoje é política pública”, diz. Segundo a diretora da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), Aldalice Otterloo, essas instituições, mesmo tão diferentes, notaram que as experiências de sucesso ficavam restritas a algumas localidades e eram marcadas por ações com poucas conexões entre si, o que acabava resultando na pulverização de recursos. Assim, a construção de articulação e integração entre atores – públicos e privados,
Um dos exemplos desta convergência está no Sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais). Em alguns convênios de reaplicação, por exemplo, o Sebrae entra com a capacitação, a Fundação Banco do Brasil se responsabiliza pelos kits e a Petrobras pelos equipamentos. “O diferencial é exatamente a integração das ações, até porque o que geralmente acontece é que duas ou três instituições investem nas mesmas coisas”, diz Fonseca. “A principal dificuldade de articulação é a gente aprender a falar a mesma língua, mas a riqueza de uma Rede como essa está exatamente nessa diferença”, avalia Ney Conceição, pró-reitora de extensão da UFPA e presidente do Fórum de Pró-Reitores de Extensão Universitária (Forproex). Segundo ela, a participação do grupo na RTS também serviu para alinhavar alguns conceitos na extensão, servindo de “boa provocação” para as universidades brasileiras. “Tanto é que o tema do próximo Congresso da Forproex será ‘Inclusão Social e Tecnologia Social’. Esse trabalho coletivo pode até ser mais difícil, mas gera resultados mais sólidos”, diz. Segundo a secretária-executiva da RTS, Larissa Barros, o desafio agora é consolidar a dinâmica de rede e envolver o maior número possível de instituições nos debates sobre os rumos da própria RTS. Entre as ações prioritárias para esta articulação no âmbito da rede, avisa, está a organização de momentos presenciais em que representantes das instituições associadas à Rede possam se conhecer e trocar mais diretamente conhecimentos e experiências. Além de encontros pontuais nos estados – já realizados em São Paulo, Pará e Amazonas -, Brasília sediará, entre os dias 24 e 26 de novembro, o II Fórum Nacional da RTS. O objetivo é reunir todas 633 instituições da Rede, além daquelas que se associarem ao longo de 2008. Com caráter consultivo e propositivo, o resultados das discussões no Fórum orientará o planejamento, as diretrizes e resultados esperados para o biênio 2009-2010. “Será um grande momento de partilha em que esperamos consolidar a dinâmica de rede e a interação entre as instituições. Além disso, apostamos nesta articulação por meio do nosso Portal e nossa comunidade virtual”, diz Barros. Outra ação realizada ao longo do ano para estreitar a relações entre as instituições está na reestruturação do Portal, que teve a contratação de um novo jornalista e de uma nova equipe para a administração do site. “Isso sem falar na comunidade virtual, que já é um espaço que as pessoas podem se apropriar para trocar experiências e se conhecer melhor”, diz Larissa. Em seqüência ao Fórum, também será realizada a 2ª Conferência Internacional de Tecnologias Sociais. O objetivo do evento é estabelecer parâmetros para a viabilização das tecnologias sociais, integrando diferentes experiências internacionais e aprofundando a discussão conceitual sobre o tema. Estarão presentes gestores de instituições públicas e privadas, empresários, lideranças comunitárias, empreendedores sociais e representantes governamentais, entre outros.
Outras Informações Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS |
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