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H2Sol: energia solar e hidroponia contra exclusão


Na cidade que já teve o pior IDH do Brasil, cultivo ecologicamente correto de pimentas multiplica por sete renda de agricultores no sertão alagoano. Acesso à água e beneficiamento da produção também garantem inclusão cidadã

Foto: Instituto Eco-Engenho
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Canteiro hidropônico em Baixas (AL), de cerca de 100m2, leva em conta a extrema escassez de água na região.
Em parceria com instituições nacionais e internacionais, o Instituto Eco-Engenho concebeu e vem implementando o Programa H2SOL - Água Solar, que trabalha na instalação de microssistemas produtivos de irrigação para produtos de alto valor agregado, com uso de energia renovável e tecnologias adequadas em comunidades remotas do semi-árido do Nordeste do Brasil. O local escolhido para inaugurar o programa não podia ser mais emblemático: a comunidade de Baixas, uma das mais pobres do município de São José da Tapera, a 210 quilômetros de Maceió, que se notabilizou, na última década, por apresentar o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

Baseada na hidroponia, sistema de cultivo sem contato com o solo que usa canaletas por onde a água circula continuamente com pequena perda pela evaporação, a produção de pimentas já beneficia diretamente 11 das cerca de 40 famílias de Baixas. As demais ganham dinheiro ajudando na colheita e no beneficiamento do produto. A renda familiar, baseada exclusivamente na venda de vassouras a R$ 0,25 a unidade, beirava os R$ 90 mensais antes da implantação do sistema. Hoje, cada família não ganha menos do que R$ 600 por mês. “A idéia era gerar renda com produtos de alto valor agregado, não só segurança alimentar. Sabíamos que se houvesse sucesso por lá, poderíamos reaplicar o modelo em qualquer lugar do país”, diz o presidente do Instituto Eco-Engenho, José Roberto Fonseca.

Tudo começou em 2004, com a construção de um poço na comunidade. A primeira idéia, segundo Fonseca, foi utilizar energia solar fotovoltaica para bombear a água, já que a eletricidade só chegou às casas de Baixas em dezembro do ano passado. Resolvida a questão da água, o desafio passou a ser o que produzir para conseguir melhorar a renda dos moradores. "Escolhemos a pimenta por causa do valor agregado, que pode ser multiplicado por cinco depois de colocadas em vidro com vinagre e sal. Hoje já temos mais de 25 pontos de venda em Maceió”, diz.

Foto: Instituto Eco-Engenho
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Pimenta já beneficiada pelos agricultores: agregação de valore marca própria

As variedades escolhidas foram pimenta dedo de moça, malaguetão, pimenta de cheiro amarela e pimenta biquinho. A produção estimada hoje é de 80 quilos de pimenta por mês, que resultam em cerca de 800 unidades para comercialização. Conforme levantamento do Instituto Eco-engenho, já no primeiro ano o projeto apresentou lucro operacional líquido mensal de R$ 1.341,60. Com apenas 28,03% das vendas realizadas a empresa chegou a seu ponto de equilíbrio, ou seja, custeou todos os gastos.

O primeiro canteiro hidropônico foi construído com cem metros quadrados. A água com solução nutritiva para as pimenteiras circula por garrafas PET furadas e forradas com cinza de palha de arroz para fixar as plantas. Os cinco canteiros construídos posteriomente têm 165 metros quadrados e são administrados não por uma, mas por duas famílias. "A renda foi maior do que calculávamos inicialmente e a comunidade concordou que a plantação e os lucros podiam ser divididos”, explica Fonseca.

Para ganhar escala de produção e regularidade, diz, as cinco novas áreas de cultivo foram plantadas com espaços de tempo diferenciados - a produção de pimentas dura quatro meses e o intervalo entre as colheitas é de 60 dias. Pela inexistência de rede elétrica, foram utilizados módulos de energia solar fotovoltaica para alimentar uma pequena bomba d'água de 12v cc, que faz a recirculação da água no sistema.

Sinal da boa aceitação do projeto é que ele acaba de ser selecionado para compor a vitrine social da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa), espaço que serve de indicativo de projetos cujo apoio é recomendado pela instituição. “Antes não tinha água para beber. Nós tínhamos que cavar um buraco bem fundo até aparecer água e quando aparecia era salina e a gente dava banho nos meninos assim. Hoje temos água para plantar, para comer e dar de comer a nossos filhos”, comemora a agricultora Josefa Narciso, que também aderiu à produção das pimentas.

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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