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Tecnologia Social é inédita e revolucionária


Foto: Welton Araújo
Juarez de Paula

Não existe desenvolvimento sem inclusão social. A tecnologia convencional, produzida pelo setor de Ciência e Tecnologia (C&T), é voltada para as necessidades de mercado e nem sempre serve para solucionar as dificuldades e os problemas de territórios com populações de baixa renda ou com nível de pobreza extrema.

Já o conhecimento gerado por experiências comunitárias bem-sucedidas, e comprovadas pela prática, ainda não é considerado como tecnologia no País. O conceito de Tecnologia Social abrange esse conhecimento, é inédito e inovador.

Essas foram algumas observações expressadas no painel 'Tecnologia Social e Desenvolvimento', realizado na quarta (6) durante o I Fórum Nacional da Rede de Tecnologia Social (RTS), no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador. As opiniões foram unânimes entre os palestrantes do painel, como Juarez de Paula, gerente de Agronegócios e Territórios Específicos do Sebrae, e Renato Dagnino, professor da Unicamp.

O debate ressaltou que cerca da metade da população brasileira vive e sobrevive na informalidade e possui conhecimentos práticos, eficazes, às vezes passados de geração em geração, que salvam milhares, senão milhões de pessoas no Brasil. Essas ‘tecnologias’ ainda não são consideradas como tal, mas deveriam inclusive ser pesquisadas, catalogadas e divulgadas, para a reaplicação em diferentes localidades. "É um conceito novo, revolucionário, e deve ser incorporado a políticas públicas, ações de governo, mercado e da academia", ressaltou o professor Renato Dagnino.

Para ele, a tecnologia convencional foi concebida para a empresa privada e tende a inibir o conceito da Tecnologia Social. "A Tecnologia Social demanda uma revolução na Ciência e Tecnologia", enfatizou. De acordo com o professor, 99% dos recursos voltados a C&T no País são gastos em tecnologia convencional. "Temos de exigir dos nossos governantes mais recursos para a Tecnologia Social", disse.

A Tecnologia Social não é visualizada pela sociedade, ainda, e precisa ser fomentada e financiada. "É um problema cognitivo", refletiu o professor. Todas as leis e normas brasileiras supõem bens e serviços para gestão do mercado e Estado, e não para o desenvolvimento sustentável. Para Dagnino, tirar metade da população brasileira economicamente ativa da informalidade não significa inseri-la no mercado. "Participação é a palavra de ordem, mas não deve significar apenas participação política, mas também na produção de conhecimento".

O gerente do Sebrae Nacional, Juarez de Paula, reforçou que o conceito de desenvolvimento contemporâneo não se baseia apenas no crescimento econômico e geração de riqueza, mas, sobretudo na qualidade vida e condição social dos países. "A Noruega, por exemplo, não está no ranking dos países mais ricos, mas é o primeiro no Índice de Desenvolvimento Humano", exemplificou.

Por Vanessa Brito, enviada especial da ASN

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