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O desafio de aliar tecnologia a desenvolvimento


Foto: Ronaldo Nina
Para Almeida, TS tem um forte teor político

O progresso científico e tecnológico, por si só, não tem relação direta com desenvolvimento econômico e distribuição de renda, na opinião do pró-reitor de Extensão da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Aelson Almeida. Para ele, tecnologia social é uma alternativa capaz de contribuir para a inclusão social de milhões de brasileiros, ao contrário das tecnologias convencionais.

Almeida, que nos últimos quatro anos foi analista do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), falou sobre Tecnologias Sociais e Políticas Públicas no 1º Fórum Nacional da Rede de Tecnologia Social (RTS). “A RTS já pode ser considerada um movimento, pela quantidade e qualidade das instituições envolvidas. Tecnologia social é tema vital para as transformações sociais. O desafio é consolidá-la como políticas públicas”, analisou.

Conceito político

O pró-reitor de Extensão da UFRB sustenta que tecnologia social tem um forte teor político, por estar centrada nas pessoas e em grupos sociais excluídos. “Esse conceito vem para ajudar a mudar a realidade das populações marginalizadas. As comunidades precisam ter seu espaço para participar do desenvolvimento do país”, defende.


Para Aelson Almeida, já é possível comemorar muitas conquistas, como prêmios institucionais de tecnologias sociais e conferências sociais do terceiro setor, que levaram à criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social (Secis), na estrutura do MCT. “Trata-se de um desafio novo, pois, do ponto de vista das tecnologias alternativas, o órgão tem perfil conservador, voltado para a Academia e intelectuais”.

Contribuição

Almeida observa que a RTS tem contribuído para a difusão das tecnologias sociais e para a integração das organizações e dos investimentos. Entretanto, faz ponderações: “Precisamos ser racionais. Não são suficientes esses avanços. Ainda não existem políticas públicas para tecnologias sociais no país”. O pró-reitor aponta que não há atividade coordenada do governo e nem ações contínuas. “Isso se traduz numa vulnerabilidade institucional desse movimento. Somos favoráveis, mas ainda não conseguimos que a tecnologia social faça parte de uma agenda de governo, que deveria ser coordenada a partir do MCT”.

Mas Aelson Almeida é otimista. Lembrou que finalmente a agricultura familiar passou a ser considerada uma categoria produtiva e, com isso, ganhou novo alento. “Que recurso do Estado está reservado para a disponibilização de tecnologias sociais à população excluída? Recurso tem. Precisamos de projetos e programas e o momento é oportuno, com o início de um novo governo. O caminho é criar espaço de participação democrática nas instâncias decisórias das políticas públicas de C&T, reconhecendo seu caráter transversal e evitando a sobreposição de iniciativas e conseqüente pulverização de investimentos”, aconselha.

Assessoria de Imprensa – 1º Fórum Nacional da RTS

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