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Projeto Aquabrasil busca prevenir e reduzir impactos da aqüicultura


Iniciativa visa gerar resultados que subsidiem, com bases científicas e tecnológicas, a elaboração de políticas públicas, estratégias de gestão e ações empresariais para as cadeias produtivas.

Foto: Marcos Losekan
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Iniciativa aposta em boas práticas de manejo

15/10/2008
- A Embrapa Meio Ambiente e outras Unidades estão desenvolvendo um  projeto em rede, denominado Aquabrasil, que visa estabelecer bases tecnológicas para o desenvolvimento sustentável da aqüicultura no Brasil.

Dividido em cinco projetos componentes, o de manejo e gestão ambiental da aqüicultura  é liderado pela Embrapa Meio Ambiente. Visa gerar resultados que subsidiem com bases científicas e tecnológicas a elaboração de políticas públicas, estratégias de gestão e ações empresariais para as cadeias produtivas das espécies eleitas para o estudo. Também que as Boas Práticas de Manejo - BPMs possam vir a fazer parte dos processos de prevenção e redução de impactos ambientais.

“Essas definições serão importantes para otimizar os índices zootécnicos, ambientais e socioeconômicos da aqüicultura e também para o aproveitamento dos efluentes desta atividade”, explica o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente,  Marcos Eliseu Losekann.

Em setembro a equipe se reuniu em Jaguariúna para apresentar os resultados e as novas ações de pesquisa sobre avaliação ambiental da produção de camarões no Nordeste e da produção integrada de suínos e peixes no estado de Santa Catarina. “Discutimos e acertamos a execução de alguns trabalhos relacionados à avaliação da biodiversidade de bactérias e resistência de antibióticos nas áreas de influência das fazendas de produção de camarões próximas a Recife, além de trabalhos sobre ecologia e avaliação de impactos ambientais nos manguezais”, informa Losekann.

A equipe irá analisar também a sustentabilidade dessa produção, com diferentes métodos analíticos para determinar os níveis de resíduos de metais e agrotóxicos na água, nos sedimentos e nos camarões, além do desenvolvimento de testes para avaliar os resíduos de hormônios em peixes cultivados no sistema integrado com suínos em Santa Catarina.

Conceitos básicos sobre qualidade da água na aqüicultura

“A quantidade e a qualidade da água de cultivo são requisitos fundamentais para qualquer empreendimento aqüícola”, enfatiza Losekann. “Existem vários parâmetros físico-químicos e biológicos que devem ser monitorados. Em piscicultura os mais comuns são a temperatura da água, a transparência, a turbidez, o oxigênio dissolvido, o pH, a condutividade, a alcalinidade e a clorofila”, enumera ele. “A medição e interpretação desses parâmetros, de uma maneira geral, fornecem indicativos que permitem avaliar se o sistema de cultivo está adequado ou se o manejo utilizado não proporciona boas condições para o desempenho satisfatório dos peixes, por exemplo”, completa.

Quanto às BPMs, elas consistem de um conjunto de ações concretas, objetivas e específicas que tem por finalidade aumentar e assegurar a competitividade e a sustentabilidade de um determinado sistema de produção. “Assim, recomenda-se trabalhar com bacias de sedimentação ou alagados com vegetação, que possibilitam a redução do excesso de nutrientes e dos sólidos em suspensão no efluente da piscicultura”, afirma o pesquisador.

O efluente entra na bacia de sedimentação e permanece durante um tempo de retenção suficiente para que a maior parte dos sólidos em suspensão se precipite, explica o pesquisador. Além de agir como um biofiltro (filtro biológico), por meio da retirada de nutrientes pelas plantas, melhorando a sua qualidade. Dessa forma, a água com alta carga de material poluente não é despejada no meio ambiente e impactos negativos são evitados, como a eutrofização de áreas adjacentes - bacia hidrográfica das pisciculturas.

Panorama da aqüicultura mundial e nacional

Os maiores produtores de pescado são a China, Índia, Indonésia, Japão, Bangladesh, Tailândia, Noruega, Chile, Vietnã e Estados Unidos. Progressivamente, o Brasil vem ganhando posições no ranking internacional estabelecido pela FAO. Em 1994, era o 32º em produção aqüícola e o 26º em termos de valores. Em 2004 o Brasil ocupava o 18º lugar no ranking mundial de produção aqüícola com 0,5% da produção mundial e o 12º em termos de receitas geradas com 1,4% do total. O país é o segundo em importância na América do Sul, ficando abaixo do Chile. Comparada com outras atividades, a aqüicultura apresenta resultados de crescimento superiores aos da pesca extrativa e também se sobressai com relação à produção de aves, suínos e bovinos, cadeias produtivas que nos últimos anos apresentaram taxas de crescimento dificilmente superiores a 5% ao ano.

Impactos negativos e positivos da atividade aqüícola

“A aqüicultura é uma atividade agropecuária, portanto, quando praticada de maneira irresponsável pode resultar em impactos negativos, diz Losekann, como a eutrofização, resíduos químicos, produção de efluentes, introdução e escape de animais exóticos, introdução de organismos patogênicos, alteração da biodiversidade, impacto socioeconômico e alteração da paisagem”, salienta ele.

Losekann enfatiza que são muitos os impactos positivos: agricultura e manejo integrado de recursos hídricos, preservação de estoques, preservação e conservação de espécies em extinção, tratamentos de efluentes e geração de emprego e renda.

Além desses trabalhos, há participação dos pesquisadores do LEA em outros projetos de interesse nacional, como estudo sobre índices de desempenho sustentável para a cadeia de suprimentos da piscicultura continental e sobre o desenvolvimento de tecnologias para a melhoria do sistema de criação em cativeiro do pirarucu (Arapaina gigas).

Por Cristina Tordin, da Embrapa Meio Ambiente

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