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Óleo vegetal vira biocombustível


Tecnologia busca preservar os recursos hídricos e disseminar alternativas de geração de energia reaplicáveis pelas comunidades rurais.

Foto: Instituto Ecovila
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Conversão de óleo vegetal em biocombustível gera renda e preservação ambiental em Montenergo (RS)

A Tecnologia Social “Óleo Vegetal usado como biocombustivel”, desenvolvida pelo Instituto Morro da Cutia de Agroecologia (IMCA), em Montenegro (RS), foi apresentada durante o Painel Empreendimentos Inovadores em Agroenergia, realizado pelo Sebrae durante o encontro Agronegócios e Inovação, entre os dias 5 e 7 de março em Brasília. A iniciativa busca garantir a conversão do óleo de cozinha utilizado em restaurantes, lares, escolas e demais instituições da região em biocombustível, preservando os recursos hídricos e disseminando alternativas de geração de energia apropriáveis e reaplicáveis pelas comunidades rurais.

Em Montenegro (RS), o grupo coleta três toneladas de óleo por mês, oferecendo à população uma estrutura que garante o acondicionamento adequado do resíduo recolhido até que possa ser limpo. Uma vez na estação de tratamento, o óleo é filtrado e decantado, tornando-se apropriado para a utilização como biocombustível. Para cada 10 litros de óleo recolhido, é possível produzir cerca de seis litros de combustível.

“Uma vez limpo, o óleo possui uma eficiência energética compatível com a do óleo diesel e pode ser usado nos veículos automotores que forem adaptados para recebê-lo”, avisa o idealizador da tecnologia, Paulo Lenhardt. Segundo ele, a conversão do motor de veículos utilitários movidos a óleo diesel é um processo mecânico de baixa complexidade, realizado em uma oficina participativa com duração de um dia, a um custo de R$ 2.500. O processo consiste basicamente na instalação de um sistema que permite a manutenção do biocombustível em uma temperatura mais alta, equiparando sua viscosidade ao óleo diesel empregado usualmente.

Considerando que o processo é simples e de fácil operação, as cooperativas de agricultores que têm seus veículos convertidos passam a deter todas as ferramentas necessárias para incentivar processos de coleta dentro de suas próprias regiões. Até o momento, quatro tratores, dois caminhões, três caminhonetas e um barco foram convertidos. Uma caminhonete S-10, que serve de veículo piloto da iniciativa, já rodou mais de cem mil quilômetros com o óleo vegetal reciclado.

“Já me perguntaram se vou patentear o processo. Nunca farei isso. O que precisamos é disseminá-lo o máximo possível”, afirma Lenhardt, que recebeu o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2007, na categoria “Aproveitamento/tratamento de rejeitos/resíduos/efluentes de processos produtivos”.

Solução ambiental

Os riscos ambientais e sanitários provocados pelo fim inadequado do óleo vegetal usado são grandes: na maioria das vezes, é simplesmente disposto no ralo da pia ou no lixo comum. Dentro dos estabelecimentos, a parte do óleo retida nos encanamentos atrai pragas urbanas (patógenos). No meio ambiente, o óleo que consegue chegar a rios e reservatórios fica na superfície da água, limitando a entrada de luz e impedindo a reprodução de fitoplânctons, organismos que compõem a base da cadeia alimentar da grande maioria dos ecossistemas aquáticos. Estima-se que um litro de óleo vegetal possa poluir mil litros de água pura. Em casos onde é disposto diretamente no solo, pode ocorrer a impermeabilização da área afetada, dificultando a infiltração da água da chuva e facilitando o acontecimento de enchentes.

Clique aqui para acessar o vídeo sobre o Óleo vegetal usado como biocombustível realizado por ocasião do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Duração: 4 minutos.

Outras Informações

Insituto Morro da Cutia de Agroecologia (Imca) -
Montenegro / RS
Luiz Carlos Laux / Paulo Lenhardt
Telefone: (51) 3649-6087
Endereço eletrônico: morrodacutia@morrodacutia.org

Por Vinícius Carvalho – Jornalista do Portal da RTS

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