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Tecnologia e inovação na produção orgânicaEmpreendimentos inovadores reunidos pelo Sebrae apostam em tecnologias simples acessíveis ao pequeno e médio produtor
Fortalecer a agricultura orgânica a partir da difusão de novos conhecimentos e tecnologias acessíveis ao pequeno e médio produtor. Esta foi a base de experiências bem sucedidas apresentadas no Painel “Empreendimentos Inovadores de Produtos Orgânicos”, realizado pelo Sebrae durante o encontro Agronegócios e Inovação, entre os dias 5 e 7 de março em Brasília. Durante os debates, o secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Joe Valle, também anunciou a intenção do Governo Federal em articular uma rede nacional de produção e distribuição de produtos orgânicos voltada para o mercado interno.
“A tecnologia é muito importante para a agricultura orgânica, que depende de muito conhecimento. Refiro-me às Tecnologias Sociais e não à tecnologia das grandes máquinas adequada à grande indústria”, frisou Valle. Entre estas tecnologias, segundo ele, estão procedimentos simples como a adubação verde, técnica utilizada para melhorar a propriedade do solo por meio de uma mistura controlada de matéria vegetal (palha) e animal (esterco). Situada no PAD-DF, a 70 km de Brasília, a Fazenda Malunga, idealizada por Valle, produz mensalmente cerca de 20 toneladas de hortaliças, laticínios, aves e ovos caipira em uma propriedade de 129 hectares. A Fazenda é uma propriedade agroecológica que trabalha com a integração de atividades e a diversificação de culturas, com mais de 40 espécies catalogadas, e recebe em torno de 1,2 mil visitantes por ano com livre acesso a toda a tecnologia do empreendimento. “Estas tecnologias, simples e baratas, estão disponíveis e é por meio delas que chegamos à competitividade econômica”, afirmou. Sistema Pais Realizado com base em convênio entre Sebrae, Fundação Banco do Brasil e Ministério da Integração Nacional, incluindo parcerias locais e articulações no âmbito da RTS, o sistema Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) foi apresentado durante o encontro por seu idealizador, o agrônomo e economista senegalês Aly Ndiaye. A prática, que também aposta no uso de técnicas simples e baratas, conta atualmente com mais de mil unidades instaladas em dezenas de comunidades, assentamentos e povoados em 12 estados brasileiros. A tecnologia promove um sistema de produção orgânica de hortaliças, frutas e pequenos animais. Todos numa mesma área, dispostos de forma circular, e tendo como pressupostos a racionalização de recursos e o manejo ecológico da terra. A proposta é fazer com que os produtores dependam o mínimo possível de qualquer componente estranho à sua propriedade. Toda a produção acontece sem o uso de agrotóxicos e a irrigação é feita por meio de um sistema de gotejamento, o que evita o desperdício de água e possibilita a implantação do modelo inclusive em regiões do semi-árido. O sistema, por exemplo, pode ser montado com equipamentos encontrados em qualquer loja de material de construção. “É impossível inserir o pequeno produtor na base da agricultura convencional”, argumentou Ndiaye. Segundo ele, a agricultura convencional precisa de solos novos para manter a competitividade, tendo em vista que o modelo não investe no cuidado do solo, mas na fertilização pontual da planta. “Precisamos ter em conta que o pequeno agricultor fica no mesmo terreno e depende de cuidar sempre dele para continuar produzindo”, disse. Para Ndiaye, contudo, não basta apostar na produção orgânica se ela não trouxer também contrapartidas sociais. “A diversificação da produção orgânica é fundamental para assegurar segurança alimentar e aliviar a instabilidade de preços. Não basta ser orgânico se for monocultura”, alertou. Portal da Amazônia Durante o encontro Agronegócios e Inovação, Domingos Jarí Vargas, presidente da Cooperativa dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa), falou sobre a experiência desenvolvida pela entidade. A Cooperagrepa, que reúne 300 famílias associadas em 10 municípios, foi uma das empresas brasileiras selecionadas para participar da Foodex, a mais importante feira do setor de alimentos e bebidas na Ásia, de 11 e 14 de março, na cidade de Chiba, no Japão. A cooperativa, apoiada pelo Sebrae em Mato Grosso, produz cerca de 500 toneladas de alimentos por ano, vendidos no Brasil e em mais oito países da Europa. A experiência baseia-se em Núcleos de Produção descentralizados com pequenas e médias agroindústrias e na certificação de seus produtos. Na lista de produtos certificados da Cooperagrepa já estão mandioca, café, guaraná, cana-de-açúcar, guaraná e castanha do Brasil. O grupo reúne mais de 300 famílias em dez municípios do norte de Mato Grosso.
Outras Informações Por Vinícius Carvalho – Jornalista do Portal da RTS |
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