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Prêmio FBB de TS: direitos da criança e do adolescenteSistema para elucidar casos de desaparecidos, monitoramento do orçamento de políticas públicas e cadeirinha para dar autonomia.
Inovação, exemplaridade, transformação social e potencial de reaplicabilidade foram os critérios para seleção das 24 finalistas da premiação, criada para identificar, certificar, premiar e difundir tecnologias sociais. O conceito compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade, que representem soluções efetivas de transformação social. O resultado final do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2007 será conhecido no dia 12 de novembro, às 19h30, na sede da Associação Atlética Banco do Brasil, em Brasília (DF). Cada uma das oito instituições vencedoras receberá R$ 50 mil, que deverão ser destinados a atividades de expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da Tecnologia Social premiada. O prêmio foi dividido em oito categorias: “Região Geográfica – N/NE/CO/SE/S”, “Aproveitamento/tratamento de rejeitos/resíduos/efluentes de processos produtivos”, “Direitos da Criança e do Adolescente” e “Gestão de Recursos Hídricos”. A quarta edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social é realizada em parceria com a Petrobras, com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da KPMG Auditores Independentes. Conheça um pouco das iniciativas. Nesta matéria, veja as finalistas da categoria “direitos da criança e do adolescente”:
Nossos olhos já se acostumaram com a imagem de crianças assentadas no chão, reunidas com colegas, fazendo atividades da escola. Nessas ocasiões, como fazem os portadores de deficiência física de até 6 anos? A organização não-governamental Noisinho da Silva, de Belo Horizonte, criou uma forma para resolver o problema, baseada na sua experiência de trabalhar a inclusão social por meio do design universal. Por isso, criaram a Ciranda, uma cadeirinha para chão que permite retificação postural, autonomia e independência. A cadeirinha é uma Tecnologia Social repassada pela Noisinho da Silva por meio do projeto Oficina da Ciranda. No final de 2006, a instituição realizou uma Oficina da Ciranda para 15 famílias moradoras de nove cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, atendendo 20 crianças e beneficiando, direta ou indiretamente, 250 pessoas. Nas capacitações, os pais e responsáveis aprendem a confeccionar a Ciranda, construindo a cadeirinha que levarão para casa. Assim, acreditam os coordenadores do projeto, há um processo de apropriação do equipamento que se reflete nos cuidados com sua manutenção e no orgulho de saber que ele é resultado do empenho dos novos marceneiros, que recebem certificado, manual de fabricação e o gabarito da peça. A proposta é que aqueles que desejarem tenham na confecção e venda das cadeirinhas uma nova alternativa de geração de renda.
Em 1999, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca/CE) iniciou um controle do orçamento destinado às políticas públicas voltadas à criança e ao adolescente de Fortaleza. Em 2002, a entidade buscou parcerias para formatar um novo projeto em que os meninos e meninas protagonizassem o monitoramento e pudessem dar a ele sua própria voz e anseios. As mudanças começaram a surgir em 2003, quando duas organizações não-governamentais escolheram um grupo de 50 pessoas nos bairros que atendiam para participar do Monitoramento do Orçamento da Criança. A primeira ação foi o “Diagnóstico da Cidade”. Por meio dele, as crianças e jovens conheceram a história de Fortaleza e receberam capacitações em temas como direitos humanos, políticas sociais, gênero, raça, etnia e orçamento público. Depois, foram convidados a realizar o “Percurso Urbano”, tirando fotos de flagrantes de situações enfrentadas por pessoas de suas idades, de todas as classes sociais. Foram, então, levados a refletir sobre as diferenças socioculturais. O material coletado foi discutido em pequenos grupos e, por fim, em uma plenária geral onde as idéias foram amadurecidas para se transformar em emendas ao orçamento, mais tarde apresentadas à Câmara Municipal. Três das 33 propostas foram aprovadas em plenário, levando à continuidade da ação no ano seguinte, com a abertura de novas turmas que incluíam participantes da versão anterior. No final do processo, nove das 15 emendas apresentadas foram aprovadas, mostrando o amadurecimento da idéia. Em 2005, para fortalecer o trabalho e envolver outros interessados, foi criada a Rede de Adolescentes Orçamento e Participação Ativa (OPA), com 70 membros, responsáveis, desde então, pelo monitoramento do orçamento e execução orçamentária nas políticas públicas voltadas à infância e adolescência de Fortaleza.
O desaparecimento de crianças e adolescentes atinge milhares de famílias no Brasil inteiro. Apenas em São Paulo, os registros chegam a 8 mil por ano, de acordo com estatísticas da Delegacia de Pessoas Desaparecidas do Estado. Por causa disso, a Universidade de São Paulo, por meio do Centro de Ciências Forense (Cencifor), criou, em 2004, o projeto Caminho de Volta. O objetivo é a elaboração de um sistema destinado à elucidação dos casos baseado no uso de técnicas de biologia molecular, genética e informática. A partir do registro do boletim de ocorrência, as famílias são convidadas a participar do projeto, o que é facilitado pela presença na delegacia de psicólogos treinados para atendê-las. Depois, uma gota de sangue é colhida para fornecer as informações genéticas que vão compor o Banco de DNA. Com elas, o reconhecimento pode ser feito cruzando-se os dados de pais e filhos encontrados vivos (que não tenham condições de fazer o reconhecimento presencial) ou mortos. As famílias também recebem suporte psicossocial, no qual se buscam identificar e solucionar o que teria levado ao desaparecimento dos seus familiares, inclusive o mais comum deles, a fuga de casa. Profissionais da rede de atendimento à infância e adolescência, bem como de segurança pública, são treinados para ajudar na identificação e encaminhamento das ocorrências. O projeto também busca descobrir os locais freqüentados pelas vítimas, para atuar na prevenção do problema. Mais de 560 famílias estão cadastradas no Caminho de Volta, que já ajudou a solucionar quatro casos de desaparecidos. O número ainda é pequeno para as possibilidades do sistema montado pela Universidade de São Paulo (USP) no centro da cidade, com capacidade para cadastrar 2 mil pessoas por semana. Por isso, o sonho dos que realizam o trabalho é fazer do Caminho de Volta um projeto nacional. O primeiro passo rumo à meta está sendo dado em Curitiba (PR), a segunda cidade a implantar a metodologia. Outras Informações: |
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