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Justa Trama costura Cadeia Ecológica do Algodão SolidárioApresentada na I Mostra de Tecnologia Social do Rio Grande do Sul, experiência reúne mais de 700 trabalhadores e trabalhadoras em sete estados.
Com 700 trabalhadores e capacidade para produzir até 40 mil peças por ano, os empreendimentos cobrem todos os elos da indústria têxtil - do plantio do algodão à roupa. O processo começa com o cultivo nos municípios de Tauá, Massapé, Choró e Quixadá, no Ceará, onde agricultores familiares plantam e colhem o algodão agroecológico empregando técnicas de conservação do solo e da água, valorizando a biodiversidade sem o uso de agrotóxicos. Enquanto isso, mulheres e homens de sete estados da Amazônia, reunidos na Cooperativa Açaí, produzem corantes naturais, coletam e beneficiam sementes e outros elementos da Amazônia que são utilizados nas roupas da Justa Trama. Em Nova Odessa (SP), trabalhadores da Cooperativa Nova Esperança realizam a fiação do algodão agroecológico, enquanto em Santo André é a vez dos trabalhadores da Textilcooper fabricarem os vários tipos de tecidos. Por fim, em Itajaí (SC) e em Porto Alegre (RS), costureiras da Fio Nobre e da Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos confeccionam as peças, que são vendidas no Brasil e na Itália. “Não abrimos mão de ter a nossa marca. Temos que mostrar que é possível viver de forma coletiva e auto-gestionária”, defende a coordenadora da Justa Trama, Nelsa Nesposo. A renda dos trabalhadores, avisa, varia hoje entre R$ 550 e R$ 1.200. Toda a produção atende os princípios do comércio justo: é economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta. Produção O algodão agroecológico utilizado pela Justa Trama é cultivado em sistemas consorciados com culturas alimentares como milho, feijão, gergelim e guandu, além de espécies arbóreas como nim e leucena. A prática, que se alastrou do município de Tauá para o Sertão Central e o Norte do Ceará pelas mãos do Centro de Pesquisa Esplar, reúne hoje 320 agricultores e agricultoras. Toda a produção é beneficiada pela Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec), que comercializa a fibra ecológica para a Justa Trama. Resultado? No Ceará, uma usina compra a arroba do algodão tradicional por cerca de R$ 12. Com o comércio justo, os produtores orgânicos têm a venda garantida e recebem R$ 24,90 pela mesma quantidade de algodão agroecológico. A recomendação do plantio consorciado, avisam os técnicos do Esplar, resultou da constatação de que a diversidade de plantas proporciona melhor aproveitamento do potencial de cada área, em função de exigências diferenciadas de luz, umidade e nutrientes por parte de cada planta, além de reduzir os riscos de perdas totais em casos de seca ou surtos de pragas. Por isso, o sistema sempre compreende o plantio do algodão com culturas como milho, feijão de corda e gergelim, além de leguminosas como a leucena e o guandu. Recomenda-se também o plantio em nível, entre outras práticas de conservação do solo, como enleiramento dos restos vegetais em nível, valetas de retenção e muretas de pedra. Isso sem falar na adubação com esterco de gado, conforme a disponibilidade de cada agricultor. O algodoeiro então é plantado em faixas de 5 ou 6 linhas, alternadas com as fileiras das demais culturas. “O algodão nunca ocupa mais do que metade da área plantada. A média nossa é de 200 kg a 220 kg de algodão por hectare”, diz Rogaciano. Já o manejo de pragas tem por base a catação dos botões florais afetados pelo temido bicudo, praga que dizimou as vastas plantações de algodão cearense ao longo da década de 80 e que ainda hoje assusta os cotonicultores do Estado. Para enfrentá-lo sem a necessidade de agrotóxicos, também são feitas pulverizações com extrato de folhas de nim. Após a colheita, o gado é colocado para pastar nas lavouras e se faz a poda das plantas de leucena, para uso como cobertura morta na época das chuvas. O agricultor João Felix, de 43 anos, desenvolve o sistema, desde 2004, em sua propriedade de dois hectares. Para ele a produção de algodão nem é o mais importante. “Gostamos do tratamento da terra como um todo. Alimentamos a família da gente sem medo”, diz o agricultor, que vive com a esposa e os quatro filhos. Na última safra, Felix cultivou o algodão em 40% da sua propriedade e colheu 115 kg de algodão orgânico. Uma das maiores felicidades, diz, é não ter mais de vender quase todo o milho que plantava, o que dá mais segurança para a alimentação da família. Isso sem falar nas novidades que aprendeu. “São essas coisinhas que a gente aprende por aqui, como usar urina de vaca, alho e cinzas para melhorar a produção. Na agroecologia a gente tem que inventar tudo. Virou a minha vida”, diz. O plantio do algodão, assim que caem as primeiras chuvas, também é fundamental para o sucesso em áreas infestadas pelo bicudo, lembra Felix. Daí a necessidade dos agricultores disporem de sementes antes do início da estação chuvosa. “O bicudo chega quando esfria, entre maio e junho. Quem planta em janeiro (época de primeira chuva) sempre produz melhor que quem planta depois” complementa Rogaciano.
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