Portal RTS - Rede de Tecnologia Social



Informativo Eletrônico

E-mail*
Nome

                                             Twitter    YouTube    Aumentar o tamanho da fonte Voltar ao tamanho padrão de fonte Diminuir o tamanho da fonte
Ações do documento

“Prédios verdes”, ferramenta para ajudar o clima


Principal barreira para adesão a esses edifícios é a falta de informação sobre os equipamentos

Foto: Foster and Partners
 
predios_verdes.jpg  
Hearst Headquarters, Nova York. Este é um exemplo do potencial
de reciclagem do aço.
 
Construir um prédio sustentável, também chamado de "prédio verde", pode ficar bem mais em conta do se imagina. Embora seja ligeiramente mais caro em sua construção - 5% -, esse tipo de edifício proporciona uma economia considerável de recursos, em geral de 30%, de acordo com as conclusões do primeiro relatório do programa de eficiência energética em construções que o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) acaba de divulgar. Os participantes da pesquisa, porém, especularam que a diferença de custo seria de 17%. "A real novidade desse relatório é que o próprio setor da construção civil pensa que os prédios verdes são mais caros do que realmente são", diz Lloyd Timberlake, responsável pelas comunicações e relações de mídia do conselho e diretor do escritório norte-americano.

Considerado ainda um nicho com pouca difusão na sustentabilidade, o ramo da construção civil representa 40% da energia primária consumida no mundo, embora os executivos do setor acreditem em um percentual menos significativo, de 19%. Além disso, a pesquisa do WBCSD mostra que, com o agravamento do aquecimento global, o impacto dos prédios no meio ambiente tende a crescer, já que, por exemplo, recursos como o ar condicionado serão utilizados em maior escala e as estruturas convencionais tendem a prolongar o uso de energias não-renováveis. "É essencial agir agora, porque os prédios podem dar uma grande contribuição na questão das mudanças climáticas e uso de energia", diz o documento.

Os principais motivos que impedem o crescimento das construções verdes foram diagnosticados no relatório como comportamentais, organizacionais e financeiros. A primeira barreira é a falta de informação sobre o desempenho dos equipamentos, seguida da ausência de preocupação com eficiência energética. Por fim, a diferença de custos, que a pesquisa mostrou ser um mito exagerado entre os executivos, também conta na hora de decidir entre um prédio sustentável ou convencional. 

SOLUÇÕES - Ao mapear as dificuldades e questões que envolvem o desenvolvimento dos prédios verdes, o projeto do WBCSD, que está na primeira de suas três etapas, oferece também soluções. A proposta é, resumidamente, incentivar a interdependência entre empresas e acionistas por meio de estratégias holísticas, valorizar o uso da energia desde a concepção até o uso das estruturas, e educar os profissionais para a criação de uma cultura sustentável no setor. Uma proposta que, para alguns, pode parecer demasiadamente ousada e distante da realidade da construção civil hoje. Timberlake discorda. E acrescenta: "O WBCSD escolheu a meta de neutralidade em energia até 2050 que se mostrou, depois de muito tempo de estudo, ser completamente viável". Para se chegar lá, o executivo afirma que é preciso projetar os prédios de forma a que captem ao máximo a luz do sol e o vento, por exemplo.

A chave da questão, segundo ele, está em tomar os prédios verdes populares o suficiente para transformar em "ultrapassados" aqueles que não estiverem envolvidos. Um manual encomendado pela construtora orienta clientes a entender e saber exigir uma gestão mais sustentável da água nos imóveis. Muitas casas são construídas hoje, por exemplo, com cisternas, que captam as águas das chuvas e trazem o recurso para o uso doméstico. "Com isso, numa grande metrópole como São Paulo, podemos reduzir o problema de inundação das grandes chuvas e otimizamos o uso da água, com preservação para a época de seca", diz Marcelo Takaoka, diretor da empresa.

Para o executivo, entretanto, é "bastante complicado", para não dizer impossível, criar um prédio auto-sustentável em uma área urbana. Isso porque "não existe um produto ou um empreendimento sustentável e sim empreendimentos com consumidores e usuários sustentáveis, integrados em um espaço também sustentável", defende. Tudo isso supõe, segundo ele, um conjunto de ações, e não só de um prédio. Mobilizado pelas oportunidades da sustentabilidade na construção civil, Takaoka é também presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), uma organização da sociedade civil com o objetivo de pesquisar e divulgar novas práticas e tecnologias no ramo de atuação. "Existe um pensamento em economia que é preciso maximizar benefícios e minimizar custos. O grande problema é que, às vezes, você perde a oportunidade de maximizar resultados. Gastamos um pouco a mais para ganhar muito a mais", calcula. 

CONQUISTA DO CONSUMIDOR - Ainda que os empresários da construção civil se mobilizem em favor dos prédios verdes; como sensibilizar os clientes e convencê-los de que o método alternativo é um bom negócio. De acordo com Takaoka, a tarefa não é difícil. "Só precisamos dizer que a pessoa vai investir um pouco mais de tempo e dinheiro na obra, mas que, por outro lado, considerando que vai usufruir o imóvel por 10, 15, 20 anos, terá por esse tempo uma gestão mais eficiente de água e energia, economizando 30% de recursos. E isso vai desde o uso de energia solar até a escolha da válvula do vaso sanitário", observa. Além disso, o condomínio desses prédios tende a ser mais baixo por causa da redução das contas.

Vanossi, da Setin, afirma que muitos clientes já ligam para a empresa pedindo e perguntando sobre especificidades das construções verdes. Porém, "ainda é a minoria". Apesar de pioneiro, o executivo não vê o serviço que oferece como um diferencial positivo, já que considera que todas as construtoras deveriam aderir às mesmas práticas. "Com várias pessoas pensando sobre o problema, haverá mais soluções tecnológicas", argumenta.

Para Timberlake, do WBCSD, a conquista do consumidor depende do público-alvo. Segundo ele, o argumento de que o imóvel economiza dinheiro com o tempo ganha os clientes interessados em benefícios no longo prazo. Porém, quando a clientela deseja apenas comprar para vender imediatamente depois, o caso torna-se mais difícil. "Podemos argumentar que as construções verdes não são tão caras quanto a maioria das pessoas acha. Mas nós precisamos ter esperança de que mais e mais compradores valorizam esses empreendimentos, assim mais e mais arquitetos vão projetá-los e empresas vão construí-los", completa.

Veja mais no sítio: www.revistaideiasocial.com.br

Por Carmen Guerreiro - Revista Idéia Social / São Paulo

Fonte: Gazeta Mercantil / Responsabilidade Social - 28/08/2007

Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática