|
|
“Prédios verdes”, ferramenta para ajudar o climaPrincipal barreira para adesão a esses edifícios é a falta de informação sobre os equipamentos
Considerado ainda um nicho com pouca difusão na sustentabilidade, o ramo da construção civil representa 40% da energia primária consumida no mundo, embora os executivos do setor acreditem em um percentual menos significativo, de 19%. Além disso, a pesquisa do WBCSD mostra que, com o agravamento do aquecimento global, o impacto dos prédios no meio ambiente tende a crescer, já que, por exemplo, recursos como o ar condicionado serão utilizados em maior escala e as estruturas convencionais tendem a prolongar o uso de energias não-renováveis. "É essencial agir agora, porque os prédios podem dar uma grande contribuição na questão das mudanças climáticas e uso de energia", diz o documento. Os principais motivos que impedem o crescimento das construções verdes foram diagnosticados no relatório como comportamentais, organizacionais e financeiros. A primeira barreira é a falta de informação sobre o desempenho dos equipamentos, seguida da ausência de preocupação com eficiência energética. Por fim, a diferença de custos, que a pesquisa mostrou ser um mito exagerado entre os executivos, também conta na hora de decidir entre um prédio sustentável ou convencional. SOLUÇÕES - Ao mapear as dificuldades e questões que envolvem o desenvolvimento dos prédios verdes, o projeto do WBCSD, que está na primeira de suas três etapas, oferece também soluções. A proposta é, resumidamente, incentivar a interdependência entre empresas e acionistas por meio de estratégias holísticas, valorizar o uso da energia desde a concepção até o uso das estruturas, e educar os profissionais para a criação de uma cultura sustentável no setor. Uma proposta que, para alguns, pode parecer demasiadamente ousada e distante da realidade da construção civil hoje. Timberlake discorda. E acrescenta: "O WBCSD escolheu a meta de neutralidade em energia até 2050 que se mostrou, depois de muito tempo de estudo, ser completamente viável". Para se chegar lá, o executivo afirma que é preciso projetar os prédios de forma a que captem ao máximo a luz do sol e o vento, por exemplo. A chave da questão, segundo ele, está em tomar os prédios verdes populares o suficiente para transformar em "ultrapassados" aqueles que não estiverem envolvidos. Um manual encomendado pela construtora orienta clientes a entender e saber exigir uma gestão mais sustentável da água nos imóveis. Muitas casas são construídas hoje, por exemplo, com cisternas, que captam as águas das chuvas e trazem o recurso para o uso doméstico. "Com isso, numa grande metrópole como São Paulo, podemos reduzir o problema de inundação das grandes chuvas e otimizamos o uso da água, com preservação para a época de seca", diz Marcelo Takaoka, diretor da empresa. Para o executivo, entretanto, é "bastante complicado", para não dizer impossível, criar um prédio auto-sustentável em uma área urbana. Isso porque "não existe um produto ou um empreendimento sustentável e sim empreendimentos com consumidores e usuários sustentáveis, integrados em um espaço também sustentável", defende. Tudo isso supõe, segundo ele, um conjunto de ações, e não só de um prédio. Mobilizado pelas oportunidades da sustentabilidade na construção civil, Takaoka é também presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), uma organização da sociedade civil com o objetivo de pesquisar e divulgar novas práticas e tecnologias no ramo de atuação. "Existe um pensamento em economia que é preciso maximizar benefícios e minimizar custos. O grande problema é que, às vezes, você perde a oportunidade de maximizar resultados. Gastamos um pouco a mais para ganhar muito a mais", calcula. CONQUISTA DO CONSUMIDOR - Ainda que os empresários da construção civil se mobilizem em favor dos prédios verdes; como sensibilizar os clientes e convencê-los de que o método alternativo é um bom negócio. De acordo com Takaoka, a tarefa não é difícil. "Só precisamos dizer que a pessoa vai investir um pouco mais de tempo e dinheiro na obra, mas que, por outro lado, considerando que vai usufruir o imóvel por 10, 15, 20 anos, terá por esse tempo uma gestão mais eficiente de água e energia, economizando 30% de recursos. E isso vai desde o uso de energia solar até a escolha da válvula do vaso sanitário", observa. Além disso, o condomínio desses prédios tende a ser mais baixo por causa da redução das contas. Vanossi, da Setin, afirma que muitos clientes já ligam para a empresa pedindo e perguntando sobre especificidades das construções verdes. Porém, "ainda é a minoria". Apesar de pioneiro, o executivo não vê o serviço que oferece como um diferencial positivo, já que considera que todas as construtoras deveriam aderir às mesmas práticas. "Com várias pessoas pensando sobre o problema, haverá mais soluções tecnológicas", argumenta. Para Timberlake, do WBCSD, a conquista do consumidor depende do público-alvo. Segundo ele, o argumento de que o imóvel economiza dinheiro com o tempo ganha os clientes interessados em benefícios no longo prazo. Porém, quando a clientela deseja apenas comprar para vender imediatamente depois, o caso torna-se mais difícil. "Podemos argumentar que as construções verdes não são tão caras quanto a maioria das pessoas acha. Mas nós precisamos ter esperança de que mais e mais compradores valorizam esses empreendimentos, assim mais e mais arquitetos vão projetá-los e empresas vão construí-los", completa. Veja mais no sítio: www.revistaideiasocial.com.br
Por Carmen Guerreiro - Revista Idéia Social / São Paulo Fonte: Gazeta Mercantil / Responsabilidade Social - 28/08/2007 |
||||||
|
Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática |
|||||||