Portal RTS - Rede de Tecnologia Social



Informativo Eletrônico

E-mail*
Nome

                                             Twitter    YouTube    Aumentar o tamanho da fonte Voltar ao tamanho padrão de fonte Diminuir o tamanho da fonte
Ações do documento

Sistema PAIS, em Minas Gerais - Transformação no semi-árido mineiro


Com o Projeto PAIS, centenas de moradores de assentamentos e comunidades quilombolas de Minas Gerais obtêm ampliação da renda e melhoria na alimentação da família

Foto: Revista Sebrae Agronegócios
pais_minas.JPG
Horta no município de Porteirinha

21/02/2008 - Três municípios da microrregião de Janaúba fazem parte do Projeto PAIS em Minas Gerais: Porteirinha, Gameleiras e Pai Pedro. São 30 unidades em cada um desses locais. Ao todo, 253 famílias são diretamente atendidas, pois há casos em que duas ou três famílias dividem o trabalho na horta. Além dessas, outras 557 também são beneficiadas com a aplicação dessa tecnologia social no estado. São pessoas da comunidade que, apesar de não estarem envolvidas no cultivo diário, usufruem dos alimentos ali colhidos.

Os números acima mostram bem o sucesso alcançado pelo Pais - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável, em território mineiro. A maior parte das unidades está situada em áreas de assentamento e em comunidades remanescentes de quilombolas. Segundo Jadilson ferreira Borges, gestor do projeto pelo Sebrae/MG, o maior desafio esteve relacionado à questão da seca na região, que fica dentro do semi-árido, já entrando para o Nordeste. “Foi um problema encontrar lugares onde havia água. Essa foi uma grande dificuldade mesmo. Outra foi a distância geográfica entre as unidades e o respectivo município-sede”, informa Jadilson.

Com muito trabalho e dedicação por parte de diferentes atores, os obstáculos estão sendo gradativamente vencidos. Para isso, a iniciativa do Sebrae, Fundação Banco do Brasil e Ministério da Integração Nacional contou com importantes parcerias locais, como a Caritas Diocesana e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Janaúba. Também as prefeituras tiveram grande receptividade ao projeto, inclusive fornecendo combustível para os veículos nos quais os técnicos percorrem as diversas unidades.

Presidente da Caritas Diocesana de Janaúba, a Irmã Porcina Amônica, ou simplesmente Irmã Mônica, como é carinhosamente chamada pela comunidade, considera que, mais do que um projeto de sucesso, o PAIS é uma “verdadeira bênção” para os agricultores do semiárido mineiro. “A situação das pessoas aqui na região sempre foi muito difícil. Mas com essa tecnologia, elas têm suas esperanças renovadas, pois conseguem desenvolver sua produção de uma forma totalmente integrada com a natureza”, elogia Irmã Mônica, acrescentando que o interesse das famílias pelo sistema não pára de crescer.

 

Foto: Revista Sebrae Agronegócios
pais_minas1.JPG
Agricultora trabalha em sua produção no interior de Minas Gerais

Graças a esse trabalho conjunto, rapidamente vieram os impactos positivos para as comunidades. Várias famílias, até então sem nenhuma fonte de renda, passaram a ganhar seu próprio dinheiro com a comercialização das frutas e verduras ecologicamente produzidas em suas hortas. Além disso, tiveram ganho considerável em termos nutricionais, com a inserção de uma grande diversidade de vegetais na sua alimentação diária.

Uma dessas famílias é a de Aparecido Matias Ribas, o Cido, da comunidade de Barreiro, no município de Porteirinha. Ele conta que, antes de se tornar um produtor do PAIS, trabalhava em fazendas de terceiros, ganhando cerca de R$ 150,00 por mês. Era com esse dinheiro que fazia a feira para sustentar a casa. Hoje, juntamente com a esposa, Maria do Carmo, Cido planta alface, cebolinha, coentro, couve, abobrinha, tomate, e frutas como banana e mamão. Não precisa mais gastar dinheiro na feira e ainda vende o excedente de sua produção. “Recebemos bomba, irrigação, semente, várias coisas. Com o que colhemos, nos alimentamos, comercializamos uma parte e ainda sobra um pouco de verduras para as aves. E agora quero criar peixe também”, planeja.

Antônio Joaquim Santos, o Toninho, é outro pequeno produtor que está satisfeito com sua participação no PAIS. Ele mora com a esposa e a filha na fazenda Curral Velho, e, antes, trabalhava em terras alheias. Ele diz que, se não fosse esse projeto, dificilmente conseguiria ter uma horta tão diversificada em sua propriedade. “Não tinha dinheiro. Com o projeto a gente ganhou tudo, e entrou com o trabalho. O PAIS me ajudou a ter uma horta ao redor da casa, e não preciso mais sair para as fazendas dos outros para trabalhar”, conta Toninho.

O agricultor detalha que planta pimentão, tomate, beterraba, cenoura, coentro, pepino e outros produtos. Segundo ele, boa parte do que colhe é destinado à comercialização, pois a família é pequena e sobra muita coisa para vender. Antes de entrar no PAIS, ganhava cerca de R$ 150,00 mensais, e agora essa renda subiu – “tranqüilo” – para um salário mínimo. “A assistência técnica é muito boa; estou muito satisfeito por ter sido escolhido. Antes, plantava só nas águas, pois a região é muito seca. Mas hoje dá para plantar direto”, afirma.

Em sua maioria, as famílias dos três municípios atendidos com o Projeto PAIS em Minas Gerais não tinham muita experiência no cultivo e na comercialização de hortaliças. Por isso, durante a etapa de capacitação, houve um forte esforço para a formação de lideranças, e também na área de montagem de hortas e cultivo de hortaliças. Tudo no sentido de sensibilizar as comunidades de que o PAIS efetivamente seria eficiente para seu desenvolvimento social.

Esse esforço foi amplamente reconhecido, não apenas pelas famílias atendidas, como também pelo poder público local. Na opinião do prefeito de Gameleiras, Domingos Ferreira, a implantação do PAIS foi um privilégio para o município. “Nossa região é muito carente, remanescente de quilombolas, e realmente precisa de projetos assim. Está dando certo e queremos continuar, ampliar. Há muitas famílias interessadas em ingressar no programa e estamos de braços abertos para essa parceria”, informa o prefeito.

Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007

Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática