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Sistema PAIS - Por uma vida melhorFrutas, hortaliças e muita disposição para o trabalho ajudam a transformar a realidade de agricultores familiares do sertão baiano
A vida nunca foi fácil para Natalina Lacerda da Silva, de 44 anos. Sertaneja forte, Dona Lia, como é conhecida, é casada com o agricultor Joaquim Rodrigues da Silva, e viu seus quatro fihos partirem para São Paulo em busca de oportunidades. Moradora do assentamento fazenda Nova, no município baiano de Sebastião Laranjeiras, Dona Lia reclama do calor e da seca do lugar. “É muito quente aqui, moço”. Mas garante que viu renascer a esperança, desde que passou a produzir dentro da tecnologia PAIS - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável. Sob o sol inclemente do sertão, Dona Lia planta cebola, alface, cenoura e outras hortaliças, que ajudam a melhorar a alimentação e têm assegurado um dinheirinho para ela e o marido. “As pessoas lá na feira gostam do nosso produto porque não tem veneno. Elogiam bastante. Deixam de comprar dos outros para comprar da gente. Eu acho que valeu a pena entrar no PAIS”, afirma, com um sorriso tímido no rosto. Em Sebastião Laranjeiras, quatro assentamentos receberam unidades do PAIS. Foram escolhidos em conjunto com a Prefeitura, por se tratarem dos mais carentes do local. Outros dois municípios fazem parte do projeto na Bahia: Bom Jesus da Lapa e Carinhanha. São, ao todo, 90 unidades instaladas no estado desde janeiro deste ano, e os resultados têm mostrado expressiva melhoria na qualidade de vida das comunidades. Em Carinhanha, um dos maiores desaios enfrentados é vencer a grande extensão da zona rural. As unidades foram distribuídas de modo pulverizado, naqueles distritos onde já existiam escola e posto médico. Assim, para os técnicos visitarem todas as hortas do PAIS no município é preciso percorrer nada menos que 350 km de estrada. Trata-se de uma região formada por agrovilas, cada uma com cerca de cinco mil habitantes. “O PAIS acabou favorecendo não só os agricultores participantes do projeto, mas a população em geral, dessas comunidades, que têm dificuldade de acesso para adquirir os produtos em outros locais, e agora podem comprar hortaliças produzidas bem próximas a elas”, diz Whelynton Manhães, gestor local do projeto pelo Sebrae. Lição Aprendida Um dos agricultores participantes que adotaram a tecnologia PAIS no município é Domingos Alves Moreira, 48 anos, morador da comunidade Dois Irmãos. Ele fala, orgulhoso, de sua produção, que inclui abóbora, quiabo, cenoura, repolho, tomate, entre outros. “Já cheguei a colher aqui uma abóbora de 12 kg”, conta. Outro produto que ele gosta de destacar é o gergelim, com o qual sua esposa, Cenilda, prepara requisitados doces e paçocas. Na opinião de Domingos, um dos principais ensinamentos que ele aprendeu nos cursos de capacitação do projeto foi preparar defensivos naturais, para acabar com formigas, pulgões e outras pragas que se atreverem a atacar sua horta. Aprendizado que ele faz questão de passar para outros agricultores. “Basta pegar 1 kg de folha do cansanção e 1 kg de urtiga, triturar no pilão e pôr de molho por três dias. Depois junta um pouco de sabão neutro, põe na bomba e joga dentro do buraco. Por aqui era um absurdo a quantidade de formigas, daquelas que cortam tudo que é verdura. Pois acabou. Inclusive no quiabo, que é muito perseguido pelas formigas; não temos mais esse problema na nossa terra”, ensina. Além do defensivo, o adubo orgânico foi outra coisa que deixou Domingos admirado. “Eu já imaginava que era bom, mas agora aprendi, na teoria e na prática, como fazer e como montar. A gente vai fazendo camadas de palha de milho, esterco, cinza para eliminar o cupim, bagaço de capim, folha de mato seco, até criar altura. É uma maravilha”, empolga-se. Tanta dedicação é plenamente recompensada, na saúde e no bolso. Os produtos que saem da horta de Domingos servem de alimento para sua família - “Antes era feijão, arroz e um ovinho frito” - e o excedente é distribuído para a rede escolar, via Prefeitura. Segundo ele, a renda média semanal chega a R$ 80,00, mas já houve ocasião de ele lucrar mais de R$ 100,00 numa única semana. Outro produtor de Carinhanha colheu, de janeiro a abril deste ano, 900 kg de tomates, o que lhe rendeu um ganho de R$1.350,00 só na comercialização desse produto. Parcerias Em Bom Jesus da Lapa, a seleção das trinta famílias participantes do projeto no município ficou a cargo da Prefeitura e de sindicatos locais. São duas comunidades quilombolas, Lagoa das Piranhas e Araçá Cariacá, e uma agrovila, a comunidade da Lapinha. As unidades têm seu abastecimento de água custeado pelo executivo municipal. Outros parceiros importantes que a iniciativa teve na Bahia foram a Codevasf, que entrou com investimentos em infra-estrutura, e também a Embrapa hortaliças. Esta enviou técnicos para ensinar as famílias a fazerem a compostagem e a trabalharem com a agricultura ecológica, e também contribuiu para introduzir diversos produtos nos canteiros. “Tivemos a variedade da abobrinha brasileira, aquela com as cores verde e amarela, e também a batata com betacaroteno, que tem cor de abóbora. Foi uma sorte a Embrapa participar conosco desse trabalho”, frisa Cláudio Freitas Santos, coordenador estadual do projeto pelo Sebrae. Entre as hortaliças mais produzidas dentro do Projeto PAIS nos municípios baianos estão coentro, cebolinha, alface, couve-lor, cenoura, quiabo, nabo e algumas ervas medicinais. Há também as frutas do quintal agroecológico, incluindo banana, mamão, goiaba, acerola e até morango, que tem sido plantado com sucesso numa das unidades de Bom Jesus da Lapa. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007
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