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Sistema PAIS, no Piauí - O doce fruto do trabalhoNada melhor do que plantar, colher, se alimentar e ganhar dinheiro. Quem garante são os agricultores que integram o Projeto PAIS no estado do Piauí
21/02/2008 - "Hummm... pai, essa melancia está docinha, hein!?" - É com um misto de emoção e orgulho que Osvaldo vê o filho se lambuzar com as frutas que ele mesmo retira da sua horta. Para ser mais exato, os quatro filhos; o maior, com 12, e o menor, com seis anos de idade. Melancias, melões, mamões e outras delícias que fazem a alegria da garotada. E também coentro, cebola, pimentão, tomate e beterraba. Aos 41 anos, Osvaldo experimenta, finalmente, a alegria de, com o suor do seu trabalho, proporcionar fartura e variedade de alimentação para sua família. Para milhões de brasileiros, a situação descrita acima ainda é um sonho. Mas para o agricultor Osvaldo Pereira da Silva, do Sítio das Tabocas, no município de São João da Canabrava, Piauí, felizmente já se tornou realidade. Uma conquista e tanto, que começou no momento em que decidiu implantar no seu lote o sistema PAIS - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável. “As crianças gostam muito mesmo. E o que sobra eu vendo nos povoados próximos daqui”, afirma. No Piauí, são, ao todo, 90 unidades do projeto espalhadas por quatro municípios; 30 em Padre Marcos, 30 em Ipiranga, 17 em Bocaina e 13 em São João da Canabrava. Os dois últimos tiveram de dividir uma quota de 30, devido à grande escassez de água na região. Todos esses municípios estão localizados na região da cidade de Picos, e constantemente sofrem com a rigidez da estiagem. Segundo o gestor do PAIS pelo Sebrae/PI, Robson Antônio Santos, a implantação do projeto foi viabilizada na região por meio do engajamento direto das prefeituras, que se dispuseram a reforçar localmente a parceria Sebrae, Fundação Banco do Brasil e Ministério da Integração Nacional. “Os prefeitos concordaram em custear a ligação da caixa d’água e da energia”, informa. Em alguns lugares, os efeitos dessa parceria inclusive ultrapassaram os limites da horta. Em Padre Marcos, por exemplo, há unidades distantes mais de 1 km da fonte de água mais próxima. Isso obrigou a Prefeitura a instalar uma estrutura de encanamento, puxando a água para os terrenos dos agricultores participantes do projeto. Na prática, o resultado é que, além de o produtor ter sido contemplado com a unidade do PAIS, ele passou a ter água em casa, coisa impensável antes do projeto. Vale lembrar que o volume de uma caixa d’água padrão do sistema é de cinco mil litros, o que, numa região de seca extrema como é o caso, acaba servindo para abastecer não apenas a unidade em si, como também para atender a todo o consumo doméstico. Com isso, chegou ao fim, para esses agricultores familiares, a era de buscar água em fontes longínquas, carregando latas sobre a cabeça, ou no lombo de jumentos, práticas ainda comuns na região. A adesão das famílias ao PAIS ocorreu aos poucos nesses municípios. Primeiramente, foi preciso realizar todo um trabalho de sensibilização das pessoas, mostrando para elas, até mesmo por fotografias, as vantagens de trabalhar com agricultura ecológica e manejo sustentável da terra. Com isso, os produtores venceram a desconfiança inicial e passaram a ir atrás de maiores informações sobre o projeto. Logo os resultados apareceram, e além dos próprios agricultores participantes, a população dos municípios passou a ser abastecida com alimentos fresquinhos e sem agrotóxicos, plantados em sua circunvizinhança. Até então, um grande percentual das frutas e verduras consumidas na região vinham de estados diferentes, parte de Tianguá, no Ceará, e parte de Petrolina, em Pernambuco. Com o calor e a distância da viagem, quando os vegetais chegavam às mesas já estavam murchos e sem vida. “Agora, aqui tem feira no sábado e no domingo. É muito bom”, ressalta Joaquim Fernandes Neto, o Netinho, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Bocaina. Netinho explica que, desde o início, a prefeitura local percebeu no PAIS uma grande oportunidade de desenvolvimento para o município; tanto é que rapidamente concordou em disponibilizar transporte, hospedagem e alimentação para os técnicos responsáveis pelo acompanhamento das comunidades. De acordo com ele, a experiência está servindo de referência para outros gestores públicos da região, e é cada vez mais comum pessoas de fora se dirigirem até Bocaina para conhecer de perto o projeto. Pelo interesse demonstrado em relação à tecnologia PAIS no Piauí, é possível que, em breve, parcela significativa dos agricultores familiares locais possam obter a segurança alimentar e complementação de renda já conquistados por produtores como Osvaldo e pelos demais participantes do projeto. O que, quando realmente acontecer, virá corrigir uma situação histórica de desigualdade social e pobreza observada ao longo do tempo. “O Piauí é marcado pelas secas prolongadas e, conseqüentemente, pelas freqüentes perdas nas lavouras. Com isso, o homem do campo não possuía outras atividades para prover o alimento de suas famílias, nem como gerar renda, ficando, assim, vulnerável à fome e ao êxodo rural. O PAIS tem contribuído para mudar esse cenário”, testemunha Robson Santos. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007 |
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