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Sistema Pais, em Sergipe - Saúde, trabalho e auto-estimaFamílias integrantes do PAIS em Sergipe comemoram os resultados obtidos com a agricultora ecológica
27/02/2008 - Na primeira vez em que Aparecida experimentou rúcula, achou o sabor meio estranho, amargoso. Beterraba, então, tinha para ela um gosto de terra. Hoje, esses dois vegetais não faltam em seu cardápio do dia-a-dia. Aliás, esses e outras dezenas de verduras e frutas, às quais ela passou a ter acesso a partir do momento em que se tornou uma das agricultoras participantes do projeto PAIS no estado de Sergipe. Desde então, Maria Aparecida Nascimento vivenciou não apenas uma série de experiências gustativas, como as relatadas acima, mas também obteve conquistas importantes do ponto de vista nutricional e financeiro. Aos 31 anos, Aparecida atualmente é tesoureira da Associação dos Produtores Rurais do Assentamento Cuiabá, no município sergipano de Canindé do São Francisco. Ela confirma que, de fato, muita coisa mudou em sua vida desde que instalou uma horta com a tecnologia PAIS no seu lote, onde mora com o marido, José Reinaldo, e os três filhos. “Antes a gente não tinha condições de comprar verduras, legumes, essas coisas. A salada era só tomate e, no máximo, um repolhozinho. Hoje temos muita variedade, tem coisas que eu nem conhecia. Couve, por exemplo, eu ponho na sopa, no feijão e em todo tipo de comida. As crianças estão mais fortes, nem gripe elas têm mais” comemora. Além de Canindé do São Francisco, outros dois municípios – Poço Redondo e Porto da Folha – integram o projeto PAIS em Sergipe. Apesar de quase todas as unidades estarem situadas em assentamentos na margem do “Velho Chico”, as famílias participantes sofrem com a rigidez da seca nessa região do semi-árido, e a maioria delas sobrevivia, até então, com o dinheiro recebido do Programa Bolsa Família, do Governo Federal. Mas se antes passavam o mês esperando pelo auxílio governamental para poder comprar alimentos, hoje essas famílias são prósperas produtoras de frutas, aves e hortaliças. A renda média mensal está na faixa de R$ 300,00, e alguns agricultores já chegam a lucrar até R$ 450,00 ao mês. Entre os principais produtos cultivados estão alface, coentro, cebolinha, cebola, pimentão, couve, feijão de corda, berinjela, quiabo e melancia. A comercialização é feita nas próprias unidades do PAIS e também em feiras livres, supermercados, restaurantes e agrovilas. Em Canindé do São Francisco, os produtores se organizaram e conseguiram instalar seis bancas na feira livre, todas elas padronizadas. Quem chega ao local, imediatamente reconhece as barracas dos integrantes do projeto, que atendem sua freguesia trajando avental e boné devidamente identificados com a marca do PAIS. Tudo bem organizado, como deve ser um bom empreendimento comercial. Aparecida ressalta que o fato de trabalharem com produtos agroecológicos facilita bastante na hora de vender. “O nosso produto tem esse diferencial. As pessoas compram muito porque é mais saudável e não estraga fácil. Mesmo quem não tem geladeira, é só colocar o molho de coentro dentro de um potinho com água, e ele passa a semana toda verdinho. Enquanto o outro, convencional, com dois ou três dias já está estragado. Então é uma coisa muito gostosa trabalhar com um produto natural, sem agrotóxico nenhum”, diz a agricultora. Parte dos rendimentos de Aparecida vem da venda das galinhas que ela cria dentro de sua unidade do PAIS. Após montar o galinheiro, exatamente no modelo proposto pela tecnologia, ela passou a alimentar as aves com o resto das verduras que sobram da feira. Quando as pessoas vão à sua casa comprar as verduras, ficam admiradas com o aspecto saudável das galinhas, e acabam comprando esse produto também. O preço unitário varia de R$ 15,00 a R$ 25,00, de acordo com o peso do animal. Como se vê, falta de mercado não existe para os agricultores familiares do PAIS sergipano. Pelo contrário, o que se observa agora é a necessidade de um maior planejamento logístico, de modo a garantir o atendimento à demanda. Por isso, foi elaborado um projeto para a montagem de uma central de comercialização em Canindé do São Francisco, que servirá de pólo distribuidor dos produtos. Dessa maneira, os agricultores poderão trabalhar de forma associativa, abastecendo o município como um todo. A ampliação das oportunidades de venda é tudo o que Aparecida quer, pois ela sabe que, apesar dos avanços já conquistados, os agricultores familiares de Canindé ainda têm muito espaço para crescer. “Antigamente, para eu ganhar R$ 50,00 era muito difícil. E hoje, todo final de semana eu sei que vou voltar da feira com dinheiro no bolso. Já posso comprar material de escola para o meu filho, compro calçado para um, uma roupinha para outro, pago energia, troco um botijão de gás, e assim por diante. Por isso queremos crescer”. Todo esse progresso tem feito muito bem não só à saúde e ao bolso desses agricultores familiares, mas também à sua auto-estima. É o que afirma Carla Virgínia Tojal, coordenadora estadual do projeto pelo Sebrae/SE. “Várias dessas pessoas achavam que não serviam para nada, não produziam, não tinham nem como trabalhar. Agora já estão produzindo e podem comprar aquilo que precisam para suas famílias. Isso elevou muito sua auto-estima. É um resultado até imensurável, difícil de quantificar. Só vendo o sorriso delas para ter noção do quanto estão se sentindo valorizadas”, relata a coordenadora. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007 |
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