|
|
Sistema Pais, em Pernambuco - Orgulho de ser sertanejoPequenos agricultores do interior pernambucano vêem no PAIS a oportunidade de permanecerem, produtivos e felizes, em sua própria terra
27/02/2008 - "Quando eu vim do sertão, seu moço, do meu Bocodó...". Quem não conhece esse verso, que abre a música Pau de Arara, imortalizada na voz de Luiz Gonzaga? Na canção, o rei do baião narra as dificuldades que, já na década de 1950, levavam milhares e milhares de agricultores nordestinos a fugir da seca e migrar para o “Sul maravilha”, onde, na maioria das vezes, travavam uma luta cruel e desigual pela sobrevivência. Ainda hoje, a região sofre com a constante falta de chuva, mas uma série de ações tem contribuído para renovar as esperanças de seu povo. Uma delas foi a recente implantação de 90 unidades do PAIS nos municípios de Bodocó, Araripina e Ipobi, no extremo oeste de Pernambuco, fronteira com o Piauí. A instalação das hortas começou em junho deste ano, porém o início do projeto ocorreu ainda em 2006, com a escolha das famílias e a realização de cursos de capacitação nas áreas de gestão, comercialização e associativismo. Algumas instituições locais se juntaram à parceria entre Sebrae, Fundação Banco do Brasil e Ministério da Integração Nacional, o que acelerou o alcance dos objetivos propostos. Entre elas estão as ONGs Caatinga e Chapada, e também o IPA – Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária. Este último é responsável por fazer um acompanhamento continuado das famílias em termos de assistência técnica, uma vez que a concepção do projeto previa as etapas de escolha dos participantes, capacitação e implantação das unidades. As ONGs entraram naturalmente no programa em Pernambuco, pois já vinham trabalhando a questão da agricultura orgânica, com a maioria das famílias que acabaram sendo selecionadas. “Aproveitamos esse potencial e implantamos as unidades do PAIS de modo a atender esse público que estava sendo trabalhado pelas ONGs”, afirma Pacelli Silva Maranhão, coordenador estadual do PAIS pelo Sebrae/PE, acrescentando que essa parceria otimizou os resultados do projeto nos três municípios. Além disso, a estratégia facilitou a própria implantação das unidades, uma vez que essas famílias já estavam acostumadas a trabalhar com a agricultura orgânica.
De fato, em pouco tempo os resultados da iniciativa já são visíveis. O agricultor José Belarmino da Silva, 56 anos, morador do Sítio Cavaco, em Araripina, é só alegria quando fala do projeto. “A gente trabalha menos e ganha mais dinheiro. Depois que chegou esse sistema, praticamente todo dia entra um dinheirinho”, alegra-se o agricultor. Belarmino e a esposa, Maria Isabel, tiveram sete filhos, porém um faleceu ainda criança. Dos seis, só um rapaz ainda mora em sua casa. Os demais, todos adultos, vivem em casas coligadas, e não deixam o convívio dos pais. “São todos criados, mas estão sempre com a gente no dia-a-dia. Casa de pai o senhor sabe como é, nunca falta visita”. Essa convivência é freqüentemente estendida à horta que o agricultor montou em seu terreno. Isso porque Belarmino não titubeia em convocar os filhos – que trabalham com a monocultura da mandioca – para ajudar no manejo de sua produção, hoje diversificada graças à tecnologia PAIS. “Eu também trabalhava apenas com mandioca, mas agora tenho muitas verduras aqui. Melhorou 100%”, diz. O manejo ecológico da terra foi, segundo o produtor, um dos principais aprendizados que teve com o PAIS. Ele conta que ficou admirado quando, durante a etapa de capacitação, os instrutores técnicos ensinaram a fazer o adubo orgânico, com pó de madeira, folhas de marmeleiro e esterco de galinha. Ele assegura que, desde que começou a trabalhar dessa maneira, as Várias outras famílias também já estão produzindo com sucesso, dentro desse modelo, o suficiente para seu próprio consumo e para a comercialização do excedente. Nos três municípios, foram organizadas feiras de produtos orgânicos, e em cada uma existe um espaço inteiramente reservado para os agricultores do PAIS, inclusive com barraquinhas diferenciadas das demais. Essas bancas são as mais procuradas pelos consumidores; tanto é que, normalmente, antes mesmo de acabar a feira, todas já esgotaram suas frutas e verduras. Um fato curioso ocorre em Araripina. A feira local acontece aos sábados, mas como os produtores do PAIS chegam à cidade na véspera, no final da tarde, nesse mesmo dia eles já são procurados pelos moradores e vendem, na própria sexta-feira, grande parte de sua produção de alface, cebolinha, cenoura, coentro, rabanete, tomate, beterraba, repolho e outros produtos. “É preciso considerar um dado: o preço dos produtos agroecológicos está um pouco acima dos demais; eles têm um valor diferenciado, mas devido à sua qualidade, a demanda não pára de crescer”, lembra Pacelli. Para Belarmino, o PAIS já proporcionou uma renda média mensal da ordem de um salário mínimo. Mas ele espera chegar a dois salários em breve. Também pensando no futuro, pretende abrir uma conta de poupança no banco, com R$ 100,00 que sobraram de uma comercialização recente. É para evitar contratempos que possam vir a prejudicar o seu progresso. “Durante a capacitação, o instrutor mostrou para nós que era importante ter uma reserva, porque quando precisarmos de alguma coisa, uma bomba queimar, por exemplo, não precisaremos pedir nada para ninguém. Nós mesmos vamos ter condições de resolver. E eu sou o tipo de pessoa que gosta de ouvir e de guardar as mensagens que ouve. Sou muito direito. Acho que todo mundo devia fazer isso também”, ensina o agricultor. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007 |
||||||
|
Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática |
|||||||