|
|
Sistema Pais, em Mato Grosso do Sul – Donos do negócioDeixar de trabalhar nas fazendas alheias para ter sua própria produção. Sonho que se torna realidade no Mato Grosso do Sul
14/02/2008 - O agricultor Antônio Paulo Ribeiro da Silva está feliz da vida. Morador de Sidrolândia, ele viu sua renda familiar aumentar desde que aderiu ao Projeto Pais - Produção Agroecológica Integrada Sustentável. Com a venda do excedente que colhe na horta, fatura em torno de R$ 400,00 ao longo de todos os meses do ano. Antes, só tinha alguma renda durante o período chuvoso. Além disso, passou a ter mesa farta em casa, e sua família agora tem acesso a uma alimentação balanceada, na qual predominam verduras e legumes variados. Após participar dos cursos de capacitação e tendo constatado, na prática, os resultados dessa tecnologia social, Antônio se tornou um entusiasta da agricultura ecológica. Costuma dizer que o manejo do solo deve ser feito com amor e carinho, como se estivesse cuidando de uma criança. “Hoje temos consciência de que aonde formos, e seja o que fizermos, é preciso preservar o meio ambiente. Crescemos não só financeiramente, mas também no conhecimento, no respeito à natureza”, reflete. Antônio é um dos 90 agricultores familiares a participar do PAIS no Mato Grosso do Sul. São 30 hortas em cada um dos três municípios que integram o projeto. Além de Sidrolândia, os outros dois locais escolhidos para receber as unidades do sistema foram Miranda e Nioaque. Neste último, o projeto foi inserido dentro de três aldeias indígenas. De acordo com o coordenador estadual do projeto pelo Sebrae, Aroldo de Almeida Silva, a implantação ocorreu de forma tranqüila, dentro do cronograma previsto, e contou com forte apoio das prefeituras municipais. Porém, como não poderia deixar de ser, alguns desafios tiveram de ser superados. Um deles foi convencer os produtores familiares de que realmente se tratava de um projeto voltado para aquela comunidade. “No princípio as pessoas não acreditavam, diziam que nunca haviam recebido nada de graça. Estavam descrentes de tudo. Só quando chegou o material elas viram que o projeto existia mesmo”, recorda Aroldo. As condições do clima também foram um obstáculo a ser superado. Isso porque, quando o material começou a chegar, era uma época muito quente e também de muita chuva no estado. Uma cena recorrente era as famílias prepararem o canteiro e, logo em seguida, cair um temporal que desmanchava todo o trabalho. Isso principalmente em Miranda e Nioaque, municípios que ficam ao pé da serra. Já em Sidrolândia a situação era mais amigável, uma vez que o município fica numa região de clima mais ameno e de terra vermelha, propícia para a produção agrícola. Morador do assentamento Vista Alegre, o agricultor Francisco Quirino dos Santos obteve resultados rápidos em sua propriedade com a utilização da tecnologia. Em sua horta, cultiva pimentão, abobrinha, tomate, rúcula, feijão catador, milho verde e outros produtos. Sua renda média é de R$ 300,00 por mês, valor que já chegou a subir para R$ 780,00 numa ocasião. “Se eu não tivesse aderido ao PAIS, hoje estaria numa fazenda trabalhando como empregado, ou venderia meu lote”, avalia. Outro produtor do assentamento Vista Alegre, e que também se mostra satisfeito com os resultados do projeto, é Otacílio Teixeira de Almeida. Além da melhoria da qualidade na alimentação, passou a ter uma renda própria, atualmente na casa dos R$ 320,00. Como ele mesmo diz, é só o começo, mas com boa perspectiva de aumento dentro de um prazo muito curto. A exemplo de seu vizinho Francisco, Otacílio está convicto de que, se não estivesse inserido no PAIS, seria mais difícil vislumbrar um futuro melhor. “Eu estaria hoje trabalhando como diarista, pois só da minha terra não teria jeito de viver. Agora não passo fome e nem preciso trabalhar fora. Tenho o direito de sonhar e de viver melhor, dentro do meu lote”, conclui Otacílio. Produtores como Antônio Paulo, Francisco e Otalício são exemplos claros de que, quando empregada de forma correta, respeitando-se as características de cada comunidade, e contando com a participação ativa de seus membros, a tecnologia social é capaz de deixar para trás uma realidade sem perspectivas, e abrir caminhos para um futuro promissor. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007 |
|||
|
Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática |
||||