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Sistema PAIS - A união faz a forçaAgricultores familiares de Alagoas fazem mutirão para acelerar instalação de unidades do PAIS em suas propriedades
Toda segunda e sexta-feira a cena se repete. Gilvan Dantas, 32 anos, deixa o povoado Mato da Onça e segue para a cidade de Pão de Açúcar. O trajeto é feito por barco, que cruza as águas do Rio São Francisco, repleto de frutas e hortaliças para serem vendidas na feira local. Os produtos saem fresquinhos de sua horta, na qual ele trabalha junto com a mãe, Maria Rita, e a sobrinha Ângela. Desde que aderiu ao Projeto PAIS, Gilvan tem observado uma crescente melhoria no orçamento familiar. “Melhorou bastante mesmo; a renda tem aumentado pouco a pouco. Sempre tive vontade de trabalhar com hortaliças, e esse sonho se transformou em realidade. Planto coentro, alface, pimentão, couve, um monte de coisas”, comemora o agricultor. Ele explica que, antes de aderir ao PAIS, já trabalhava com a fruticultura, plantando acerola, goiaba, graviola e banana. E que essa produção foi incorporada aos canteiros da horta. Além da renda com a comercialização dos produtos, Gilvan ressalta os benefícios do projeto para a alimentação diária de sua família. “Antes era preciso comprar tudo na feira, e agora nós mesmos estamos produzindo. Tem sido muito bom mesmo”, acrescenta. A horta de Gilvan é uma das 90 unidades do PAIS implantadas em três municípios do médio e alto sertão alagoano. Além de Pão de Açúcar, Poço das Trincheiras e Água Branca também fazem parte do projeto. Nesses locais, a parceria do Sebrae, Fundação Banco do Brasil e Ministério da Integração Nacional contou com o reforço das prefeituras municipais e da ONG Minha Terra, que têm dado importante apoio ao projeto. Segundo Maria de Fátima dos Santos, coordenadora estadual do PAIS pelo Sebrae, essa união de esforços tem sido uma característica marcante da implantação da tecnologia no estado. “As prefeituras dos três municípios têm dado um apoio muito grande, disponibilizando técnicos agrícolas para acompanhar e prestar assistência às famílias. Isso será importante para a continuidade dos resultados quando a etapa de implantação estiver finalizada”, analisa. Mutirão Na verdade, desde o início ficou claro que o sucesso do PAIS em Alagoas seria fruto de um trabalho conjunto. Isso ficou ainda mais evidente quando, após participarem das palestras de sensibilização e das atividades de capacitação, as famílias assumiram a contrapartida de contribuir com todo o processo de implantação, conscientes de que não bastaria receber o kit entregue pelas instituições promotoras. Dessa forma, arregaçaram as mangas e partiram para realizar um trabalho realmente coletivo, a várias mãos. O resultado é que grande parte dos kits das unidades foi instalada em sistema de mutirão. Quando uma família ia montar o seu kit, ela recebia ajuda daqueles vizinhos que também iriam receber os seus, na comunidade. Juntavam-se quatro ou cinco famílias, e, no máximo em dois dias, o kit estava montado. Então o grupo partia para uma nova empreitada, em outra propriedade. Esse espírito de cooperação deu maior velocidade ao trabalho de implantação, o que foi percebido principalmente em Poço das Trincheiras. Uma das hortas mais vistosas do lugar é a de Valdemiro Alves Leite, agricultor de 33 anos. Entusiasmado, ele é só elogios ao projeto. Todos os sábados, Valdemiro vende suas hortaliças na feira da vizinha Santana do Ipanema, e diz que o fato de trabalhar com produtos orgânicos tem sido fundamental para o aumento da renda familiar. “As pessoas gostam muito das minhas verduras. Eu já tinha banca na feira, mas depois que entrei nesse projeto aumentou bastante a freguesia, porque deu uma articulada maior; o pessoal tem mais conhecimento sobre o que é orgânico, e valoriza mais”, compara. Para o próximo ano, o Sebrae de Alagoas está procurando envolver a Secretaria de Agricultura do estado, com o objetivo de intensificar a assistência técnica aos produtores participantes do PAIS, conforme explica Fátima Santos. “Queremos garantir a orientação técnica a esses agricultores, porque, se houver a gestão do pequeno empreendimento rural, mas não houver assistência técnica, a coisa não vai andar de forma adequada. Por isso estamos articulando esse apoio do governo estadual”, afirma a coordenadora do projeto. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007 |
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