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Projeto leva inovações à habitação na área ruralEstá em andamento parceria do Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade (Habis) com a Associação AgroSepe, do Assentamento Sepe Tiaraju, em Serra Azul/SP.
02/05/2008 - A casa onde Seu Camilo morava com 15 pessoas era de chapas divisórias, aproveitadas de demolições, tinha telhas de amianto, o chão era de terra batida, não havia banheiro. Agora ele mora em uma casa de adobe (tijolo de terra crua), com telhas cerâmicas, três quartos, sala, cozinha, banheiro, despensa, lavanderia e varanda. Outros dois cômodos estão em construção com adobe.
Sua casa mudou graças ao Inovarural. Desenvolvido no assentamento rural Pirituba II, no município de Itapeva, em São Paulo, o projeto possibilitou a construção de 42 casas e a reforma de outras sete. Varandas, banheiros e tratamento de esgoto são apenas algumas das melhorias conquistadas pelos moradores que participaram da iniciativa direcionada à qualificação da habitação na área rural. Pesquisa, formação e geração de renda Financiado pelo Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), pela Fapesp e Caixa Econômica, entre outras instituições, o Inovarural deixou mais do que casas novas aos assentados. Mostrou ao grupo de moradores a possibilidade de usar materiais construtivos “diferentes”, capacitou jovens e adultos e viabilizou a implantação de uma marcenaria coletiva – empreendimento que já se prepara para fornecer janelas e vigas de madeira para a construção de casas em outro assentamento. O projeto Inovarural foi executado entre 2004 e 2007, pelo Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade (Habis), coordenado por professores da Escola de Engenharia de São Carlos, ligada à Universidade de São Paulo (USP), e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Do ponto de vista acadêmico, foi desenvolvido buscando inovações para a habitação em três aspectos: o processo, a gestão e o produto. Na prática, permitiu analisar e assessorar a construção de moradias com ampla participação das famílias nos projetos, nas decisões em diferentes etapas, na fabricação de componentes e na obra. Possibilitou também que o grupo de pesquisa priorizasse a construção mais sustentável, experimentando novos materiais e sistemas construtivos. Ainda cumpriu o desafio de construir com baixo custo – cada moradia saiu por menos de R$ 10.000,00. A experiência foi reconhecida com o 10º Prêmio Banco Real - Universidade Solidária e as demandas por novos trabalhos destacam sua importância acadêmica e social. Todo o processo vem sendo documentado em vídeos e publicações, como o Caderno Amarelo, com o tema “O encontro de famílias e assessores - organizando grupos para projetos de habitação rural”, que já está disponível para download. A expectativa é de que o trabalho seja referência para outras experiências que conciliem produção de moradias, participação e formação. Desdobramentos Novas frentes de trabalho ampliam o Inovarural. Está em andamento parceria do Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade (Habis) com a Associação AgroSepe, do Assentamento Sepe Tiaraju, em Serra Azul, São Paulo. Nesta comunidade, o grupo de professores e estudantes vai assessorar a construção coletiva de 77 moradias. Vai também experimentar sistemas de estrutura em eucalipto roliço e sistemas de vedação em terra crua, em 10 casas. Ainda mantendo o princípio de buscar inovações afinadas com a construção mais sustentável, está previsto o uso de sistemas de cobertura em painéis pré-fabricados em madeira de pinus, a implantação de sistemas de tratamento de esgoto para aproveitamento dos resíduos, de energia eólica para captação de água para algumas moradias, e de mecanismos para captação e utilização de águas pluviais. Para experimentação de alternativas para saneamento ambiental, o Grupo Habis participará este ano do projeto “Saneamento Ambiental, Sustentabilidade e Permacultura em Assentamentos Rurais. Caso: Assentamento Rural Sepe Tiaraju”, coordenado pelo professor Bernardo Nascimento Teixeira, da UFSCar. O trabalho tem apoio financeiro da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
O Habis também faz parte da rede de Cooperação pela Habitação Rural Sustentável, coordenado pela Cooperativa de Habitação dos Agricultores Familiares. A rede conta com participação de diversas entidades que atuam na melhoria da qualidade de morar em assentamentos rurais, quilombolas, grupos indígenas e agricultores familiares. Materiais "diferentes" A viga laminada pregada (uma alternativa ao modelo convencional de estrutura de cobertura), janelas produzidas com pinus e eucalipto estão entre os materiais alternativos usadas no Projeto Inovarural. A meta foi desenvolver componentes e sistemas construtivos que utilizassem recursos locais, preferencialmente renováveis. Depois de um levantamento em 15 serrarias na região próxima ao assentamento rural Pirituba II/SP, para caracterização do consumo de toras e da produção de madeira serrada e seus resíduos, a equipe de pesquisadores do Habis/USP desenvolveu o projeto de esquadrias (batentes e folhas de janelas e de portas) utilizando eucalipto. Também trabalhou com a elaboração do projeto da viga laminada pregada (VLP) utilizando pinus de terceira, para um sistema de cobertura. As esquadrias e vigas foram pré-fabricadas e ensaiadas em laboratório, antes que chegassem à fase de produção em série na Madeirarte. A pesquisa também possibilitou estudos sobre a viabilidade de componentes para vedação utilizando terra crua, fibras vegetais e resíduos agrícolas. O estudo permitiu a caracterização do tipo de solo no assentamento e dos resíduos gerados pela produção agrícola na região. Oficinas foram realizadas para treinamento das famílias e produção de tijolos de terra crua. Em laboratório, ensaios foram executados para caracterização física e mecânica dos blocos e comprovação de sua qualidade. As famílias resistiram ao material diferente e apenas um morador aceitou ter sua casa construída em adobe. A equipe de pesquisadores procurou compreender os fatores que interferem na rejeição e, com a construção de uma moradia, realizou estudos que comprovaram a qualidade do material e a redução de custo - a casa de Seu Camilo ficou 20% mais barata do que as que usaram tijolos de cerâmica. Fonte: Assessoria de comunicação do programa Habitare |
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