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Pesquisa da UFPE transforma glicerina em gás metano
07/04/2008 - Para cada litro de biodiesel produzido, 300 mililitros de glicerina são descartados. No lugar de jogado num aterro industrial, no entanto, o resíduo pode virar biogás. Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) identificou microrganismos que se alimentam da glicerina, transformando a substância em gás. As bactérias são extraídas do esterco bovino. "Não isolamos uma bactéria. Trata-se de um consórcio bacteriano composto por várias espécies de microrganismos", informa a professora Maria de Los Angeles Palha, do Departamento de Engenharia Química da UFPE. A transformação da glicerina é feita num biodigestor, equipamento onde ocorre a fermentação de biomassa para a obtenção do biogás. A reação química ocorre na ausência do oxigênio. É que as bactérias empregadas no processo são anaeróbias, ou seja, sobrevivem sem a presença do oxigênio. Para a professora, dominar tecnologias de aproveitamento da glicerina será uma necessidade diante do crescimento do setor de biocombustíveis. "Hoje a glicerina é absorvida pela indústria cosmética como matéria-prima. Mas, quando a produção de biodiesel aumentar, haverá mais glicerina que o mercado possa ser capaz de absorver", adverte. “Daí a importância dessa pesquisa”. O estudo começou em abril de 2007, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT). A equipe, integrada por alunos de mestrado, iniciação científica e outros professores do Departamento de Engenharia Química da UFPE, ainda não fechou os dados sobre a relação entre a quantidade de glicerina empregada no processo e a de biogás gerado. "Que o consórcio de bactérias degrada a glicerina, transformando a substância em gás, nós já temos certeza. Só falta analisar o teor de glicerina e de metano envolvidos." Maria Palha acredita que a glicerina com teor de pureza mais elevado continue sendo destinada a indústria de biocombustíveis à indústria cosmética. Na opinião dela, a substância aproveitada na produção de biogás será a bruta. Um dos gases do efeito estufa, fenômeno natural de aquecimento da Terra aumentado pela industrialização, o metano tem no gado seu principal emissor. A chamada fermentação entérica das vacas e bois corresponde à emissão anual de gás carbônico (CO²) de 36 milhões de veículos de passeio, segundo a pesquisadora Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB). Fonte: Assessoria de Comunicação do MCT (com informações da Agência Estadula de Recursos Hídricos de Pernambuco) |
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