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O saneamento básico pode ser simples, barato e eficaz na zona rural


21/03/2008 - Dezenas de agricultores familiares de Goiás fizeram festa, dia 8 de março, na comunidade de Pontezinha, em Santo Antônio do Descoberto, às margens do Lago Corumbá IV. Os festejos tinham um motivo: a entrega simbólica das primeiras cem unidades de fossas sépticas biodigestoras, realizadas com investimentos sociais da Fundação Banco do Brasil da ordem de R$ 1,2 milhão. Mais 190 unidades devem ser implantadas na região nos próximos meses.

A proposta da tecnologia social de saneamento básico rural, vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social de 2003, é substituir as fossas negras das propriedades rurais – responsáveis pela disseminação de inúmeras doenças, como diarréia, hepatite e cólera – por fossas sépticas biodigestoras, que tratam o dejeto humano e produzem adubo orgânico líquido para culturas perenes.

Segundo o pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Antônio Novaes, os objetivos que o levaram a criar a tecnologia foram reduzir o número de doenças causadas pela falta de saneamento básico na zona rural e gerar renda, por meio da economia, no uso de adubos químicos e da elevação da produtividade nas plantações. A preocupação com a preservação das águas também o motivou a desenvolver o projeto. “Tudo começou em 2001 e hoje não sei quantas unidades estão instaladas Brasil afora. Nunca imaginei que teria essa dimensão e fico satisfeito com os resultados”, diz.

Mais satisfeito ainda estava o agricultor Virgílio Pereira Braga. Na propriedade que divide com a esposa, Abigail Rodrigues, e com três dos cinco filhos, o maxixe, adubado há apenas três semanas com o efluente da fossa biodigestora, virou atração. Tamanho, cor e produtividade impressionam até mesmo os parceiros do projeto. “Realmente, o maxixe está bem mais viçoso do que o habitual e tudo leva a crer que o motivo é o novo adubo”, diz Ageu Gonçalves da Rocha, da Associação para o Combate à Exclusão Social e Preservação Ambiental (Acespa Chico Mendes). Agora, o casal contabiliza uma economia de R$ 400 com adubos e planeja investir em outras plantações.

O presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, destaca a qualidade das fossas, que não poluem o lençol freático e permitem a geração de renda para dezenas de agricultores familiares. “O uso da tecnologia soluciona, de forma simples, barata e eficaz, o problema de saneamento rural”, diz.

Sobre a Tecnologia Social

A tecnologia social de saneamento básico rural, composto por clorador de água e fossa séptica biodigestora, evita a contaminação de água, uma vez que o processo de fermentação elimina os coliformes fecais, agentes causadores de doenças, como diarréia, hepatite e cólera, entre outras. O clorador é utilizado para purificar a água na dose recomendada de 1ppm a 3ppm por cada caixa de 500 litros ou 1000 litros. Dessa forma, evita a contaminação de doenças transmitidas por via hídrica. O uso de ambas tecnologias soluciona, de forma simples, barata e eficaz o problema de saneamento rural.

O sistema é adotado desde 2000 e a avaliação dos usuários é positiva. O projeto de fossa séptica é composto por três caixas d'água de 1000 litros cada, conectadas entre si por tubulações de PVC. Apenas o encanamento dos vasos sanitários é ligado ao sistema de caixas, que são enterradas no solo e vedadas para impedir a entrada de ar. Na primeira caixa, esterco fresco é colocado para agilizar o processo de fermentação no ambiente anaeróbico e a eliminação dos coliformes fecais.

O efluente produzido por ação da digestão bacteriana das fezes é utilizado como adubo líquido orgânico, com elevado potencial nutricional, servindo para fertilizar hortas e pomares. A tecnologia, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária de São Carlos/SP (Embrapa Instrumentação Agropecuária), foi vencedora, em 2003, do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

Outras informações

Portal: www.fundacaobancodobrasil.org.br/bts

Fonte: Fundação Banco do Brasil

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