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Sistema Pais, em Goiás – Melhor para a saúde e para o bolsoPequenos produtores de Goiás provam que, com trabalho e conhecimento, é possível deixar para trás a exclusão social
14/02/2008 - O estado de Goiás sempre teve uma forte tradição agrícola. O setor rural é decisivo para a economia local. Suas grandes feiras agropecuárias atraem milhares de pessoas, vindas de toda parte do Brasil para conhecer as últimas novidades tecnológicas na área do campo. Em três edições recentes desses eventos – Agrocentroeste 2006 e 2007, e Feira do Empreendedor 2007 – um canteiro circular de hortaliças despertou especial curiosidade e interesse dos visitantes e expositores. Era um modelo do Projeto PAIS - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável, montado em dimensões reduzidas, pelo Sebrae, para divulgar o sistema e estimular ainda mais a disseminação dessa tecnologia social. Por meio da parceria Sebrae, Fundação Banco do Brasil (FBB) e Ministério da Integração Nacional (MI), já foram implantadas 90 unidades do projeto em quatro municípios goianos. São 15 em Cavalcante, 30 em Cidade Ocidental, 30 em Cristalina e outras 15 em Teresina de Goiás. Ao todo, 450 pessoas são diretamente beneficiadas pela iniciativa. Gente como Ceci Magalhães, 54 anos, da Cidade Ocidental, que viu sua vida transformada após aderir ao sistema. “É uma beleza. Antes não plantávamos horta porque não tínhamos condição. Não havia água, não havia nada. Agora temos caixa d’água, irrigação, bomba, e isso facilitou bastante. Minha horta é linda”, relata orgulhosa. Dona Ceci mora no assentamento Mesquita, nas cercanias da cidade, com o marido Anastácio Braga, uma filha e duas netas. Conta que a alimentação da família melhorou muito após a implantação do PAIS em seu terreno. “Os produtos dão para mim, para minha família e também para os parentes e vizinhos que não agüentam plantar. Todos vêm aqui buscar verduras para eles”. Todas as quintas-feiras, leva suas hortaliças para vender na feira do produtor, organizada pela Prefeitura Municipal. Apesar de não ter o costume de anotar os lucros que tem com essa comercialização – “Perdi meu caderninho” – ela estima que dá para tirar uma média de R$ 150,00 semanais. O carro chefe de sua barraca é a couve, que ela oferece caprichosamente picada e empacotada. São cerca de 60 pacotinhos por semana. A mandioca de Dona Ceci também faz sucesso na feira de Cidade Ocidental. “Saem umas cinco caixas por semana. Já levo todas descascadinhas e embaladas, aí o pessoal compra direto”, diz a agricultora. Também no município de Cavalcante o Projeto PAIS tem ajudado a mudar a realidade de muitas famílias. Os agricultores participantes são descendentes de quilombolas, e a maioria deles reside na Comunidade Calunga de Engenho II. A exceção fica por conta de Janaína Carvalho Torres e de sua mãe, Teresa Francisca. Sem opções de renda na comunidade, elas deixaram os parentes e se mudaram para a periferia da cidade em busca de trabalho. Janaína conta que viveram tempos difíceis, até que foram selecionadas para receber o kit do PAIS. “Não tínhamos dinheiro nenhum. A comida era só feijão, arroz e às vezes um pouquinho de carne. Mas isso mudou, e agora temos muita variedade em casa. É alface, couve, jiló, pimentão, rúcula, cheiro-verde, almeirão, repolho. Podemos nos alimentar bem, e sem precisar comprar”. Ela acrescenta que, além desses alimentos, a horta também inclui ervas medicinais, como capim nagô, cidreira e citronela. Os bons resultados do PAIS em Cavalcante foram decisivos para a reativação da feira do produtor, onde os moradores da cidade passaram a ter acesso a produtos orgânicos e sempre fresquinhos. Antes, as frutas e hortaliças consumidas no local vinham de Goiânia, Anápolis e Brasília. Mas para chegar a esse cenário, foi preciso muito trabalho por parte dos técnicos do projeto, principalmente em termos de capacitação dos agricultores. Entre outras ações, foram promovidos oito cursos Sistema PAIS, capacitados 20 Agentes de Desenvolvimento Regional (ADR), e ministrado o curso Despertar Rural para todas as famílias, visando incentivar o espírito empreendedor da comunidade. O engenheiro agrônomo Luciano Salvador, responsável pelo atendimento às famílias em Cavalcante, revela que encontrou diiculdades para estimular a população a produzir dentro da tecnologia PAIS, mas que hoje testemunha uma verdadeira transformação social no lugar. “Era uma questão cultural. Eles recebem diversas cestas e auxílios, então achavam que não precisavam trabalhar. Havia inclusive o estigma de que era uma comunidade preguiçosa. Mas hoje eles quebraram esse paradigma, e muitos já compraram moto, reformaram a casa, estão investindo o que ganham com a produção”, diz o técnico. Vale lembrar que, além das unidades do PAIS instaladas pelo convênio Sebrae, FBB e MI, outros parceiros têm se empenhado na disseminação da tecnologia no estado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por exemplo, montou uma horta dentro da capital, Goiânia, aberta à visitação pública. Essa unidade é produtiva, e os alimentos são distribuídos para creches e escolas locais. O órgão também pretende efetuar a compra direta de até R$ 3.500,00 em hortaliças produzidas nas unidades do PAIS, o que garantirá a comercialização pelo prazo de um ano. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é outra instituição que tem dado relevante apoio à instalação de unidades, e, através de convênio com o Sebrae/GO, está implantando outras dezenas de hortas no estado. “Com o PAIS, é possível melhorar a qualidade de vida tanto no meio rural quanto no meio urbano, uma vez que pode ser facilmente implantado em áreas reduzidas. É uma das mais importantes tecnologias sociais que podemos oferecer a esta e às novas gerações”, define Luiza Godoi, coordenadora do PAIS pelo Sebrae/GO. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007 |
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