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Lixo vira jóia na economia solidária


A coleção inclui brincos, pulseiras, colares e outros acessórios feitos a partir de embalagens PET

Foto: Envolverde
Lixo-vira-joia.jpg
Trabalho é realizado pela Cooperativa de Coleta Seletiva, Processamento de Plástico e Proteção Ambiental (CamaPet), situada em Salvador (BA)


28/05/2008
- Combinando meio ambiente com geração de renda, a Cooperativa de Coleta Seletiva, Processamento de Plástico e Proteção Ambiental (CamaPet), situada em Salvador (BA), buscou inspiração na beleza da mulher negra e criou uma coleção de bijuterias a partir de embalagens PET.

A ação é resultado de parceria com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que ofereceu capacitação a membros da CamaPet. “Nossas aulas duraram um semestre e criamos as peças em conjunto”, conta Jovane Bispo, um dos cooperados a participar do Curso de Desenho Industrial da Uneb.

A coleção, intitulada Pérola Negra, inclui brincos, pulseiras, colares e outros acessórios.“A CamaPet também produz peças como porta-retratos, luminárias e poltronas”, acrescenta Alessandro Campos, agente de Desenvolvimento do Brasil Local (Projeto da Secretaria Nacional de Economia Solidária) que acompanha o empreendimento. Segundo ele, os artigos são vendidos na loja da Cooperativa, em feiras e eventos.

"Esses produtos possibilitam agregar valor ao material reciclável, minimizar os impactos ambientais e gerar renda", avalia Joílson Santana, presidente da CamaPet. De acordo com ele, os recursos obtidos com a comercialização dos produtos são somados ao valor pago por horas trabalhadas aos 26 cooperados da instituição. São, na maioria, jovens entre 16 e 25 anos que recebem em média um salário mínimo por mês.

Conhecimento levado adiante

Criada em 1999, a CamaPet surgiu a partir de uma ação do Centro de Artes e Meio Ambiente (Cama), que atua no território da Península de Itapagipe, agregando 14 bairros de baixa renda na capital baiana. "Nós participamos de oficinas para multiplicadores na área de meio ambiente e resolvemos colocar em prática o que aprendemos em aula”, relembra Santana.

Quase uma década depois, instalada num armazém inativo da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, no bairro Calçada, a CamaPet quer se fortalecer para continuar crescendo. Atualmente, além de transformar os resíduos em artigos de arte, a Cooperativa trabalha com manejo de metais, plásticos, papéis e vidro. O grupo coleta os resíduos  pelas ruas da cidade ou diretamente em condomínios parceiros.

Depois, o material é separado e prensado na sede da entidade. "Nossa cadeia produtiva está estagnada nesse ponto", ressalta Santana. Mas o objetivo, segundo ele, é somar esforços com outros grupos de catadores para atender às exigências do mercado e minimizar os intermediários até chegar à indústria. “Se não atuarmos em rede fica difícil sair das mãos dos atravessadores", avalia.

Outras informações: 

Sítio: http://brasillocal.blogspot.com/

Por Fernanda Barreto, para o Projeto Brasil Local
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