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Sistema Pais, no Espírito Santo – Fé no trabalho e no conhecimento


Assentados da reforma agrária no Espírito Santo ganham novo estímulo de produção com a tecnologia PAIS

Foto: Revista Sebrae Agronegócios
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Cheila de Oliveira e Adailson Santos Anjos. Renda ampliada com a tecnologia PAIS

14/02/2008 - O casal Cheila e Adaílson dos Anjos procura manter uma vida tranquila e equilibrada, apesar das dificuldades. Eles moram com as duas filhas no assentamento Santa Fé, município de Apiacá, Espírito Santo. Desde que receberam uma área de sete hectares oriunda da reforma agrária, trabalham duro na horta, plantando café, banana, mandioca, cana, milho e feijão. Religiosos, nunca perderam a fé de que, um dia, as coisas iriam melhorar.

Essa esperança vem se transformando em realidade, desde que instalaram o sistema PAIS - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável em seu terreno. Diversos outros alimentos passaram a fazer parte de seu dia-a-dia, melhorando as condições nutricionais e também a renda familiar. Com um detalhe, que Cheila gosta de repetir: não devem nada a nenhuma instituição bancária. "Esse projeto modificou nossa maneira de viver. Começamos a produzir e a vender verduras e ovos em novembro de 2006. Foi o melhor projeto que eu já vi direcionado para produtores assentados de baixa renda”, elogia.

Assim como Cheila, Adailson e suas filhas, cerca de 400 outras pessoas estão sendo diretamente beneficiadas pela aplicação dessa tecnologia social no Espírito Santo. A maioria faz parte de assentamentos, distribuídos nos municípios de Apiacá, Divino de São Lourenço e Muqui, com 30 unidades instaladas em cada um deles.

Foto: Revista Sebrae Agronegócios
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Visita técnica de consultores do PAIS ao município de Muqui

Localizados na parte sul do estado, numa região onde o inverno é de frio intenso, e o verão, de calor igualmente rigoroso, esses municípios foram escolhidos justamente por concentrar áreas de assentamentos, como o próprio Santa Fé e o Teixeirinha, em Apiacá; o Pérola do Caparaó, o 23 de Outubro e o Familiar 2000, em Divino São Lourenço; além do 17 de Abril, em Muqui.

De acordo com o coordenador local do projeto pelo Sebrae/ES, Renato Machado, o PAIS teve excelente aceitação por parte dos pequenos agricultores locais. Um dos motivos foi justamente o fato de trabalhar com a produção orgânica. “Essa tecnologia permite e promove o uso adequado de produtos e insumos, a promoção da sustentabilidade com consciência ambiental, uma alimentação saudável e a fixação do homem no campo”, frisa Machado.

O engenheiro agrônomo Luiz Ângelo Bettero, consultor-técnico do PAIS, compartilha dessa opinião. Segundo ele, os assuntos relativos à agroecologia foram os que despertaram maior atenção dos produtores durante os cursos de capacitação. “As famílias queriam saber mais sobre esse tema, e sobre tudo o que se referisse aos produtos orgânicos. Queriam melhorar sua alimentação”, afirma. Em seu contato direto com as famílias, Bettero chegou à conclusão de que um dos aspectos fundamentais do projeto é o fato de a distribuição dos kits do sistema ser feita a custo zero para os participantes, pois do contrário seria muito difícil eles terem condição ou mesmo motivação para aderir ao programa.

Quando os primeiros kits chegaram ao assentamento Santa fé, a princípio o agricultor Robson Bonzi Bento estranhou. Achou esquisito produzir aves e hortaliças num mesmo espaço. Ele havia decidido morar no local, no terreno de sete hectares que recebera, juntamente com a esposa Elizângela e os dois filhos, para plantar banana, coco, laranja, mandioca, cana e feijão.

Mas diante da expectativa gerada com aquela nova tecnologia, Robson não teve dúvidas. Arregaçou as mangas e passou a produzir dentro dos conceitos repassados nos cursos de capacitação. O resultado é ele mesmo quem conta: “A horta orgânica foi implantada em abril, e a produção começou em julho. Produzir verduras com galinhas na horta foi difícil no começo, mas hoje entendemos que a diversificação com exploração integrada contribui para melhorar nossa alimentação”, diz, satisfeito, o agricultor, que passou a comercializar seus produtos na feira livre de Apiacá.


O sucesso do Projeto PAIS no Espírito Santo demonstra que esse modelo de produção é realmente uma tecnologia social reaplicável em realidades diversas, em diferentes regiões e condições climáticas, o que é fundamental num país continental como o Brasil. Além disso, deixa claro também que o agricultor familiar brasileiro está aberto a novas experiências e tecnologias de manejo da terra, desde que lhe seja proporcionada capacitação, oportunidade de acesso a esse conhecimento. Disposição e fé, ele já mostrou que tem de sobra.

Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007

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