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Cajucultura, no Rio Grande do Norte – Mais renda para o produtor
12/03/2008 - No Rio Grande do Norte, o Projeto Mini-fábricas de Castanha de Caju conta com três unidades em funcionamento e outras três em fase de implantação, além de uma central de comercialização, abrangendo os municípios de Serra do Mel, Apodi, Portalegre, Caraúbas, Macaíba, Martins, Mossoró e Touros. No estado, os investimentos superam R$ 1,2 milhão. O gestor local do projeto, Lecy Gadelha, gosta de relembrar a história da fruta, e afirma que o cajueiro já estava presente no Nordeste, mesmo antes da chegada da Coroa Portuguesa ao Brasil. “Sobre a origem do cajueiro, a grande maioria dos autores não põe dúvida que foram os portugueses que, posteriormente, o levaram para a África e para o Oriente. Esta interpenetração de espécies entre a América tropical, a África e a Ásia enriqueceu os três patrimônios florísticos, e hoje o cajueiro está disseminado em diversos outros países tropicais além do Brasil, como Índia, Moçambique, Tanzânia, Quênia, e, mais recentemente, Vietnã, Indonésia e Tailândia”, conta Gadelha. A importância do cajueiro como atividade econômica para o Rio Grande do Norte remonta ao final dos anos 1960 e início da década de 1970, quando a Maisa – Mossoró Agroindustrial S/A implantou uma área de 12 mil hectares destinada a produzir matéria-prima para a indústria (castanha e suco). Posteriormente o Governo do Estado criou um grande projeto de colonização na Serra do Mel, visando a instalação de vilas rurais e o desenvolvimento da cultura do cajueiro em 18 mil hectares, como base de sustentação econômico- financeira do empreendimento. Potencial exportador Desde então, a castanha do caju é um dos principais produtos da pauta de exportações do estado, com a maior parte da produção comercializada por meio de intermediários que operam como “corretores” das grandes indústrias de beneficiamento. Nos últimos anos, verificou-se que a agroindústria do caju vinha perdendo competitividade para o modelo indiano. Isso porque as plantações de caráter extensivo, ocupando grandes áreas em regime de monocultura, articuladas com indústrias de grande porte localizadas nos grandes centros, apresentam elevados custos de mão-de-obra nas diversas fases do processo produtivo (poda, colheita, descastanhamento, corte, despeliculagem e classificação). Porém, com o Projeto Mini-fábricas de Castanha de Caju, esse panorama começou a mudar. Segundo Gadelha, “o projeto tem conseguido avanços para a mudança dessa realidade no Rio Grande do Norte. As três unidades construídas em Portalegre, Apodi e Caraúbas têm, cada uma, capacidade de processamento de 180 toneladas por ano de castanha de caju. Também se encontram em fase de conclusão mais duas mini-fábricas de igual capacidade, nos municípios Touros e Macaíba”, diz o gestor. Lideranças locais
Em Serra do Mel todos conhecem o produtor rural José Alves da Silva, mas não por este nome. Ele é chamado de Dedé Vaqueiro. Depois de 25 anos cuidando de gado, Dedé comprou um lote no município e, pouco tempo depois, criou uma associação na Vila Pará. “Foi meu primeiro contato com as questões sociais. Antes, eu não tinha a menor idéia do que isso significava. Fui presidente durante três mandatos”, explica. Identificado pela comunidade como uma liderança social, Dedé foi chamado para assumir a Coopercaju – Cooperativa dos Beneficiadores Artesanais de Castanha de Caju do Rio Grande do Norte. Ele aceitou o convite e já está em seu segundo mandato à frente da entidade, que atende 162 produtores. “Digo a eles: acompanhem as reuniões, trabalhem na base e na organização. A comunidade precisa estar organizada para buscar parceiros, procurar órgãos de capacitação na área social, ambiental e produtiva”, ensina o ex-vaqueiro. Lecy Gadelha concorda com essa preocupação social e econômica do projeto: “Fatores de competitividade da cadeia produtiva do caju do Rio Grande do Norte são analisados, destacando-se problemas e potencialidades. Essa análise é distribuída em quatro seções: produção, processamento, comercialização e consumo. A ênfase recai sobre a castanha, processada em amêndoa, mas sem esquecer os demais produtos resultantes, não pelo seu valor econômico atual, mas pela sua potencialidade”, explica. Como se pode ver, também no Rio Grande do Norte há dois tipos de processos para a extração das amêndoas. O artesanal, das mini-fábricas, com aproveitamento de cerca de 80% das amêndoas inteiras e resultando em um produto de qualidade superior, além de ser intensivo em mão-de-obra e adaptado às condições locais; e o industrial, bastante automatizado, que resulta em, no máximo, 52% das amêndoas inteiras. A expectativa, portanto, é de maiores ganhos com a implantação das mini-fábricas, tanto pelo maior rendimento do processo, quanto pela maior integração entre produtores e processadores. Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007 |
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