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Cajucultura, na Bahia – Potencial para crescer


Foto: Revista Sebrae Agronegócios     
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Unidade de mini-fábrica, em fase final de construção no município de Olindina-BA

05/03/2008 - Na Bahia, o Projeto Mini-fábricas de Castanha de Caju tem como meta fortalecer a microrregião de Ribeira do Pombal. Inicialmente, a proposta é construir oito unidades nos municípios de Banzaê, Cícero Dantas e Olindina, para que comecem a produzir já partir de janeiro de 2008. Atualmente, 350 famílias estão organizadas em torno da Cooperativa da Cajucultura Familiar do Nordeste da Bahia (Cooperacaju), e os investimentos no estado já são superiores a R$ 1 milhão.

“Nesta fase inicial, o grande beneficio será ganhar mais uma opção de escoamento da castanha de caju, incentivando o desenvolvimento do setor na região, acrescida de assistência e melhoria de produtividade por pé de cajueiro”, afirma Ruy Sérgio dos Santos Gomes, gestor local do projeto pelo Sebrae/ BA. Segundo ele, a primeira coisa a considerar é o fato de os cooperados serem produtores familiares com estrutura de produção peculiar, tornando essencial que recebam orientações técnicas para uma maior eficiência produtiva e organizacional.

A estratégia escolhida, nesse contexto, é documentar e disseminar o aprendizado já absorvido por alguns produtores entre os demais participantes do projeto. “Também é preciso identificar a logística e os custos de transporte da produção, desde as unidades de produção primária, passando pelas de beneficiamento, até a comercialização”, detalha Ruy.

Aumento da produtividade

Não é de hoje que os pequenos produtores de caju na Bahia buscam formas de ampliar os resultados de sua produção. Proprietário de uma área de 72 hectares na comunidade de Tamboril, em Banzaê, José Élson Nascimento Bitencourt, há anos, descobriu que a substituição das copas dos cajueiros podem trazer maior produtividade e melhorar a qualidade das castanhas. Em seu terreno há um número aproximado de 700 plantas, algumas com mais de 30 anos, e outras com cerca de 18 anos. A produtividade média é de 420 kg de castanha por hectare. Por volta de 1996, José Élson iniciou a substituição de copas em plantas atacadas por pragas ou com produção reduzida.

Em 2006, essas plantas de copas substituídas produziram, em média, 17 kg de castanha. Em termos de comparação, outra planta da mesma idade, mesmo que originária de semente selecionada, chegaria a, no máximo, 15 kg de castanha. Registra-se que em 100% das plantas com copas substituídas houve melhoria da qualidade das castanhas. O agricultor destaca que, quando o objetivo é a comercialização do “caju de mesa” ou a destinação do pedúnculo para a indústria de polpa, a colheita é realizada na copa das plantas; mas quando o objetivo é a comercialização da castanha, a colheita é feita dos frutos caídos ao chão.

Receita variável

 

Foto: José Assenco
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Outra propriedade que se beneficiará do Projeto Mini-fábricas de Castanha de Caju, na Bahia, é a de Paulo Ferreira de Jesus. No seu Rancho Alegre, localizado na comunidade de Capoeira, município de Itapicuru, ele mantém cerca de 200 pés de caju numa área de quatro hectares. O terreno integra um conjunto de 16 lotes contíguos, do mesmo tamanho, todos pertencentes a agricultores familiares. A produtividade dessa área é de 1.000 kg de castanha/ha, e a receita varia conforme a destinação dos produtos. Em média, 30% se destinam à comercialização do ‘caju de mesa’, aquele mais graúdo, enquanto cerca de 70% da produção vai para o mercado da castanha.

Ruy Sérgio observa que, nessa localidade, quando a opção é para o mercado de castanha de caju, o pseudofruto (pedúnculo) não tem nenhum tipo de aproveitamento, seja comercial ou para uso na propriedade. “Além disso, para o mercado da castanha, o produto é recolhido na porta da propriedade pelo atravessador, e transportado para o Ceará e o Piauí”, alerta.

Já no Sítio Alegre, do agricultor Dermeval Melo de Jesus, 17 dos sete hectares são plantados com caju. Destes, seis hectares com caju precoce, e um hectare com caju gigante. A produtividade média é de 800 kg de castanha/ha. Também nessa propriedade, quando a destinação da produção é para a castanha, perdem-se as possibilidades de receita com o pseudofruto, pois inexiste unidade de extração de polpa no município.

Ruy Sérgio explica que “para efeito de estimativa de cálculo sobre a potencialidade de maiores ganhos com a cajucultura, por meio da comercialização do pseudofruto, este representa 95% do peso total do fruto (castanha + pseudofruto)”.

Diante desse cenário, é fácil perceber que a implantação do Projeto Minifábricas de Castanha de Caju na Bahia certamente trará grandes avanços para os agricultores familiares que trabalham nesse setor. É fundamental criar, nos diversos municípios do estado, as condições necessárias para o devido aproveitamento do produto, buscando capacitar plenamente esses produtores dentro dos diversos processos, que vão do plantio à comercialização no mercado, oferecendo- lhes oportunidade de adquirir organização, eficiência e competitividade.

Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007

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