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Cajucultura – Caju, esse velho amigo dos brasileiros


Projeto Mini-fábricas de Castanha de Caju amplia a competitividade de pequenos produtores da Região Nordeste

Foto: Revista Sebrae Agronegócios
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05/03/2008 - Anacardium é o nome dele. Tem aparência exótica, aroma agradável e sabor singular, perfeito para colorir, perfumar, enriquecer e diversificar pratos da culinária tropical. Estamos falando do caju, pseudofruto do cajueiro, planta rústica, típica de regiões de clima tropical. O sabor é tão brasileiro que até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, recentemente, um debate nacional sobre a utilização do caju na dieta alimentar do país. “O Brasil não tem o direito de prescindir de uma riqueza como essa. Em algum momento da história, algum de nós cometeu um erro com o caju”, apontou Lula.

O presidente tem toda a razão. Segundo a Embrapa, o caju possui alto valor nutritivo, com elevado teor de vitamina C, fibras e compostos fenólicos. O nome vem da palavra indígena “acaiu”, que, em tupi, quer dizer “noz que se produz”.

No Nordeste brasileiro, a principal espécie de ocorrência é o Anacardium occidentale L, a única cultivada com finalidade comercial (as demais são exploradas apenas por extrativismo). Nessa região, principalmente, o caju também é aproveitado para a produção de amêndoas, ricas em proteínas e lipídeos. Na fração oleosa, predominam os ácidos graxos oléico (60,3%) e linoléico (21,5%), que são gorduras insaturadas e apresentam boa estabilidade, o que é favorável tanto para a saúde humana quanto para a tecnologia de alimentos.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a produção nacional de castanha de caju, somente em junho de 2007, superou as 250 mil toneladas. Os estados com maior produção são o Ceará, com 136,7 mil toneladas; Piauí, com 64,1 mil; o Rio Grande do Norte, com 49,7 mil; e a Bahia, com 6,6 mil toneladas. Apesar de vir ganhando importância no mercado interno nos últimos anos, a produção brasileira ainda é eminentemente voltada à exportação.

Parceria de sucesso

 

Foto: Carlos Augusto/Sebrae Piauí
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Caju: alternativa econômica para os produtores do nordeste brasileiro

Em 2001, devido à importância econômica e cultural do caju para a Região Nordeste, a Embrapa apresentou, para concorrer ao Prêmio Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil (FBB), o projeto “Mini-fábrica de Castanha de Caju – Módulo Agroindustrial Múltiplo de Processamento e Comercialização de Amêndoa de Castanha de Caju”. Além de conquistar o reconhecimento como finalista dessa premiação, o projeto ganhou como parceiro o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae, que se engajou no esforço para disseminar a tecnologia.

A tecnologia social apresentava solução para um dos maiores problemas da produção da castanha de caju: a quebra de 40% a 45% das amêndoas processadas pela indústria tradicional, acarretando sérios prejuízos, uma vez que o valor de mercado para exportação da castanha quebrada só chega à metade do preço da inteira. Com as mini-fábricas, os produtores passariam a trabalhar de forma associada, com uma unidade central responsável pelo fornecimento da castanha previamente classificada. Entre os resultados a serem alcançados estava a transferência de conhecimento, a ampliação da renda dos produtores e a oferta contínua de amêndoa, com qualidade adequada aos padrões de mercado.

Em 2004 o projeto começou efetivamente a ser posto em prática, e os primeiros resultados surgiram a partir de 2005. A Fundação ficou responsável pelos investimentos em máquinas, equipamentos e construção de instalações, enquanto o Sebrae passou a cuidar das áreas de capacitação e consultoria, com ênfase em cooperativismo, gestão e comercialização.

Atualmente, a parceria já atende milhares de produtores, a partir da recuperação e implantação de minifábricas de castanha de caju, e também da montagem de módulos agroindustriais para seleção, classificação e exportação de amêndoas. Os investimentos, até agora, são da ordem de R$ 8,2 milhões. São 23 mini-fábricas  instaladas nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. Nos dois primeiros, são dez unidades em cada; no Rio Grande do Norte, são três; enquanto na Bahia há quatro unidades em construção. A disseminação das minifábricas de castanha de caju tem demonstrado grande potencial em gerar postos de trabalho e também produtos de alta qualidade, inclusive superando, nesse aspecto, as grandes indústrias tradicionais.

O presidente da FBB, Jacques Pena, explica que a cajucultura é mais complexa do que a questão da horticultura, pois exige mais investimento e um prazo maior de maturação. Por outro lado, os resultados obtidos são compensadores. “Estamos colhendo resultados de um projeto que foi pensado em 2003, e que, quatro anos depois, já está maduro em termos da capacidade de produção das cooperativas. O segmento está se consolidando a partir desse projeto. Obviamente, estamos atuando com 20% ou 30% do setor, e novos investimentos, de outras instituições, precisarão ser feitos se pretendermos atingir todos os produtores envolvidos com a cajucultura no Nordeste”, analisa Pena.

Por sua vez, a coordenadora do Projeto Mini-fábricas de Castanha de Caju pelo Sebrae Nacional, Wang Ching, lembra que o Brasil apresenta grande potencial e vocação agrícola, por isso é importante gerar ocupação e renda  no campo. “Com as minifábricas, parte do valor agregado do produto final é diretamente transferido  aos produtores rurais, às suas famílias e às comunidades do entorno”, diz Wang. Segundo ela, ao longo da implementação das mini-fábricas, o modelo apresentado pela Embrapa evoluiu, tanto na concepção das instalações físicas quanto no próprio processo produtivo; conseqüência natural do aprendizado e do amadurecimento em torno do modelo. “As conquistas são resultado de esforços coletivos entre parceiros comprometidos. E, também, do empenho de pessoas como os gestores locais do Sebrae, pessoas que estão mais próximas e conhecem melhor o público dos projetos, portanto têm um papel essencial para o sucesso das ações”, explica.

A tecnologia de beficiamento

O processo de beneficiamento da castanha de caju abrange várias etapas sucessivas. A secagem é feita em quadras de cimento ou em terreiros, buscando reduzir a umidade para algo em torno de 8%. Depois de limpas, as castanhas são classificadas e armazenadas em local arejado e seco. Dessa forma é possível estocar o produto por até um ano, enquanto se aguarda o beneficiamento. A etapa de industrialização começa com o cozimento, por aproximadamente vinte minutos, em autoclaves. Em seguida, as castanhas seguem para o corte.

Já sem a casca, a amêndoa ainda passa por outras etapas de beneficiamento.  Para reduzir a umidade, elas são colocadas em estufas por um período de seis a oito horas. Depois de esfriar por duas a três horas, seguem para o umidificador. Isso facilita a despeliculagem, próxima etapa de beneficiamento. A retirada da película é feita, primeiramente, com a utilização de equipamento e, em seguida, vem o acabamento manual, garantindo melhor qualidade final e redução do percentual de quebra das castanhas. Nessa etapa, as amêndoas são separadas em grupos, de acordo com seu tamanho, integridade e cor, para atender às demandas do mercado. Por fim, o produto é embalado.

Todos os conceitos utilizados na classificação e especificação de qualidade das castanhas são determinados pelo Ministério da Agricultura, de acordo com as normas internacionais. Atualmente, o produto in natura é basicamente destinado ao mercado externo. Para o mercado interno, as amêndoas recebem outro tratamento. Depois de selecionadas, elas são fritas em óleo de qualidade, por aproximadamente três minutos. Em seguida, vão para a centrifugação, a fim de que seja retirado o excesso de óleo. Ainda quentes, são salgadas e embaladas.

Fonte: Revista Sebrae Agronegócios - nº 7 - Dezembro de 2007

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