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Tecnologia Social propõe lógica inclusiva e participativaRealizada no encontro da SBPC, a mesa-redonda Tecnologias Sociais e Desenvolvimento Sustentável alertou para a necessidade de uma produção de C&T focada nas necessidades da maioria da população brasileira
18/07/2008 - A necessidade de aprofundar a relação entre a C&T e as demandas da sociedade, assim como de uma universidade pública mais preocupada com os interesses sociais, são discursos que não encontram muita resistência no Brasil atual. Porém, quando se fala da importância da relação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) muitas vezes não se considera que a sociedade é formada por inúmero segmentos e interesses. A mesa-redonda “Tecnologias Sociais e Desenvolvimento Sustentável”, que ocorreu no final da tarde de terça-feira (15/07) no Ciclo Básico II, trouxe esse ponto de vista e alertou para a necessidade de uma produção de C&T focada nas necessidades da maioria da população brasileira. Uma tecnologia voltada para necessidades distintas do mercado tradicional para o qual geralmente se pensa as inovações. A chamada Tecnologia Social, segundo Maíra Corrêa, pesquisadora da Fundação Universidade Federal do Rio Grande, é um termo próximo ao de inovação social, que designa tecnologias diferentes das tecnologias convencionais. São concebidas a partir da participação dos “usuários”, que, nesse caso, são “co-produtores” das tecnologias. Outra diferenciação é um desenvolvimento destinado à inclusão social de segmentos que estão geralmente fora do circuito das tecnologias convencionais. “A Tecnologia Social envolve uma mudança no próprio paradigma da Ciência Moderna, propondo uma produção de conhecimento integrada às necessidades sociais. Também propõe que a relação entre universidade e sociedade aconteça não pela ótica da obtenção do lucro e da empresa”, completa. O pesquisador Pedro Almeida Costa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ofereceu um panorama mais concreto das possibilidades e desafios mostrando os resultados de uma Tecnologia Social específica, o projeto de “Residência Solidária”. Um dos maiores desafios apontados pelo pesquisador é justamente tornar profícua a interação social entre os integrantes de uma realidade acadêmica e a população para qual a tecnologia é concebida. Para ele, uma Tecnologia Social pode ser reaplicada em outros locais, mas não apenas replicada. Para Gonçalo Dias Guimarães, pesquisador da Incubadora de Empresas (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o problema central das tecnologias voltadas para inclusão é atuar na dimensão do trabalho, diminuindo a dimensão da informalidade e permitindo que segmentos que não têm acesso à tecnologia se apropriem delas. “As políticas públicas voltadas para inclusão ainda colocam os estratos menos favorecidos apenas como alvos de projetos de capacitação. Os programas que pensam a tecnologia são voltados para os estratos superiores. É fundamental que a questão da técnica seja pensada também para incorporação dos que estão de fora”, analisa. Por Márcia Tait, da SBPC Fonte: www.sbpc2008.unicamp.br |
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