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Mostra de Tecnologias Sustentáveis atrai empresasAo todo, foram expostas 56 tecnologias. As iniciativas estavam relacionadas com a gestão sustentável dos agronegócios, das cidades, da construção civil e com o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
A Mostra de Tecnologias Sustentáveis ocorreu durante a Conferência Internacional Ethos 2008. A exposição reuniu informações e conhecimentos sobre tecnologias sustentáveis, ou seja, metodologias, técnicas, sistemas, equipamentos ou processos economicamente viáveis, passíveis de serem produzidos e aplicados de forma a minimizar os impactos negativos e a promover impactos positivos no meio ambiente, na qualidade de vida das pessoas e na sustentabilidade da sociedade. Ao todo, foram expostas 56 tecnologias. As iniciativas estavam relacionadas com variáveis críticas da produção e consumo aplicadas na gestão sustentável dos agronegócios, das cidades, da construção civil e no desenvolvimento sustentável da Amazônia. As seguintes variáveis foram priorizadas: energia, emissões de gases de efeito estufa, resíduos, água, biodiversidade, equidade, diversidade, integridade, combate à corrupção e trabalho decente. A Fundação Mussambê apresentou a Agroindústria de Aproveitamento Total do Coco Babaçu. Os maquinários foram concebidos através do Núcleo de Tecnologia Social da instituição, com sede em Juazeiro do Norte/CE. Possuem elevado rendimento produtivo, baixo custo de manutenção e são de fácil manuseio. Permitem, além da produção do óleo, o aproveitamento de subprodutos para a obtenção de carvão, torta para ração animal, artesanato, substrato etc. Ressalta-se que o empreendimento não substitui mão-de-obra, ao contrário, gera novos postos de trabalho. Além de atividades no Ceará, o processo está sendo estendido a municípios do Maranhão. Para Gilberto Barros, coordenador de tecnologias sociais da Fundação Mussambê, “o aproveitamento do coco babaçu significa uma revolução energética, alimentícia e cosmética. Entidades estão fazendo essa história e os jovens também podem participar, criando cooperativas e associações a fim de unirmos nossas forças”. Uma outra instituição que apresentou tecnologias implementadas no Semi-Árido brasileiro foi o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis (Ider), com o fogão ecoeficiente e o secador solar. Simples, mas de resultado relevante, o fogão tem a vantagem de promover o uso racional da biomassa. Queimando menos lenha, é possível combater a desertificação do Semi-Árido. Este problema ambiental está pondo em risco uma rica biodiversidade, além de acentuar a pouca fertilidade e umidade do solo, pragas e escassez de água. No Nordeste, é estimado em 6 mil toneladas o consumo diário de lenha. A adoção de fogões ecológicos pode reduzir este número em até 40%. Ao mesmo tempo, uma queima mais eficiente da lenha elimina um sério problema: a poluição intra-domiciliar, causadora de doenças como bronquite, infecções pulmonares e asma. Já o secador solar visa aumentar a renda de produtores rurais estimulando suas tradicionais atividades econômicas. O equipamento, de uso e manutenção simples, desidrata frutos e algas sem o consumo de gás. A secagem ao sol não é novidade, especialmente no Nordeste brasileiro. Mas o secador solar traz eficiência ao processo, aumentando a qualidade dos produtos. Isso se traduz em melhorias das condições sócio-econômicas nas comunidades beneficiadas e na preservação ambiental.
“Essas duas tecnologias têm, ainda, grande potencial de replicação em escala nacional. Apresentá-las foi uma excelente oportunidade de dar visibilidade a projetos que podem trazer maior qualidade de vida às pessoas, de uma maneira simples, através de tecnologias de baixo custo e que respeitem não somente o meio ambiente, mas principalmente a cultura local”, explica Sulamita Holanda, diretora do Ider. E ela complementa: “Levá-las para a Mostra teve o objetivo de conseguir novas parcerias para planos de disseminação no Ceará e em outros estados do Nordeste. Também tínhamos a meta de dizer que sim, é possível desenvolver projetos para o desenvolvimento sustentável com o uso de fontes renováveis de energia. A idéia de alto custo ou grande complexidade são apenas mitos, e o secador solar e o fogão ecoeficiente mostram isso”. Também foi levada, à Mostra, a Metodologia Base do Programa Gestão da Água nas Organizações, concebida pela ONG Água e Cidade, que desenvolve ações nas regiões Sudeste e Sul do país. Consiste em conscientizar e mobilizar as empresas e as organizações, e por meio delas, a sociedade, sobre a importância estratégica da conservação da água, utilizando uma metodologia com indicadores definidos. Esses permitem avaliar e quantificar o nível do comprometimento da organização para o uso racional da água e a conservação do meio ambiente, estimulando voluntários e gestores para a gestão empresarial da água e do meio ambiente, coordenando as ações e avaliando os resultados. Na opinião de Wilson Passeto, engenheiro civil e empreendedor Ashoka, “a água facilita o diálogo. Tem um apelo muito forte. Uma mudança de atitude que envolve a água é provocativa para outros temas. Além disso, é importante ressaltar que a mudança de comportamento das pessoas acontece, também, por força das instituições. E essas também mudam comportamentos da sociedade com suas invenções, com seus novos atos de consumo”. Comitê Curador A Comissão Organizadora da Mostra formou um Comitê Curador para conduzir o processo de seleção das tecnologias. Coube ao Comitê as seguintes atribuições: O Comitê Curador foi composto por especialistas vinculados às seguintes organizações: Após a realização da Mostra de Tecnologias Sustentáveis, Paulo Itacarambi, diretor executivo do Instituto Ethos, manifestou sua satisfação com “o que foi possível realizar no curto espaço de tempo de quatro meses. Essas 56 experiências demonstram a existência de tecnologias com um impacto mais sustentável. Com isso, podemos dizer o seguinte: empresas, organizações, cidadãos, utilizem tecnologias sustentáveis. Elas estão aí, elas já existem. Agora, mais do que isso, invistam no desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis”. Na ocasião, Itacarambi destacou, ainda, a possibilidade de aprimoramento da Mostra: “A exposição ficou bonita, agradável. Mas poderia até ser melhor. Eu gostaria de ter tido mais tempo para a montagem, para que fosse mais interativa”. Sulamita também apontou caminhos para o caso de uma próxima edição da Mostra: “Desta vez, houve um número reduzido de tecnologias desenvolvidas no Nordeste, principalmente para a população rural. Infelizmente, a maior parte da Mostra se concentrou no setor urbano e nas regiões Sul e Sudeste. Precisamos, numa próxima oportunidade, equilibrar mais essas relações”. Clique aqui para acessar as experiências da Mostra de Tecnologias Sustentáveis.
Outras Informações Por Michelle Lopes – Assessoria de Comunicação da RTS
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