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Instituições gaúchas inauguram nova articulação no âmbito da RTS


Lançado durante a I Mostra de Tecnologia Social do Rio Grande do Sul, Fórum ampliará articulação local entre as 35 organizações do Estado vinculadas à Rede de Tecnologia Social (RTS).

Foto: Fijo
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Cerca de 120 pessoas participaram do encontro

28/10/2009 -
Mais de 40 pessoas decidiram em plenária, no último dia 22/10, pela criação de um Fórum Estadual de Tecnologia Social dedicado a ampliar a articulação entre as 35 organizações gaúchas vinculadas à RTS. A decisão foi um dos principais desdobramentos da I Mostra de Tecnologia Social do Rio Grande do Sul, organizada pela Fundação Irmão José Otão (Fijo), Centro Social Marista (Cesmar), PUC-RS, Núcleo de Economia Alternativa (NEA) e ONG Guayí. “O Rio Grande do Sul é o primeiro a concretizar essa idéia de fazer articulações estaduais no âmbito da Rede. Esperamos que a iniciativa sirva de inspiração para outros estados”, defendeu a animadora de redes da RTS, Isabel Miranda.

Realizada no campus da PUC-RS, a Mostra reuniu mais de 120 participantes e 19 TSs já reaplicadas no Rio Grande do Sul. Além da exposição de banners com experiências vinculadas à RTS e/ou certificadas pela Fundação Banco do Brasil, os participantes dividiram-se em oficinas onde conheceram, com mais profundidade, quatro experiências de TSs em desenvolvimento no Rio Grande do Sul:  "Geração de Renda: Rede Industrial de Confecção Solidária-RICS", "Projeto Social Eco Óleo: Biodiesel Ecológico", "Contraponto: Entreposto de Saúde, Cultura e Saber" e "Tramando Justiça e Meio Ambiente: Cooperativa Central Justa Trama". “Essas alternativas não podem ficar no anonimato, nem a Mostra pode se encerrar em si mesma”, conclamou o vice-presidente do Cesmar, Iltercley Rodrigues. De olho nesta articulação, o Fórum Estadual de TS tem seu primeiro encontro previsto para janeiro de 2010, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS). O comitê organizador reúne as instituições organizadoras da Mostra e está aberto a novas adesões. “A Rede só pode avançar se convergir para a ação coletiva. A Mostra é apenas o primeiro passo", afirmou a vice-presidente da Fijo, Ana Lúcia Suarez Maciel.

Em dezembro, a Fijo, enquanto Articuladora da RTS, também irá organizar novo encontro em torno do papel das Universidades e sua interface com as TSs no Estado. Segundo a representante da Pró-reitoria de Extensão da PUC-RS, Inês Amaro da Silva, o movimento passa pela ressignificação da tecnologia e exige a participação da universidade. "Concebemos a TS como ferramenta poderosa de enfrentamento das desigualdades. Podemos mobilizar os diferentes departamentos para esse debate", disse.

Mostra

Após a solenidade de abertura da Mostra, na manhã do dia 22/10, foi

Foto:fijo
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Ação da Fijo como articuladora da RTS amplia parceria
realizado o painel Tecnologias Sociais: Compreendendo conceitos para disseminar conhecimentos. “Nosso objetivo é ampliar a discussão quanto à utilização das Tecnologias Sociais no enfrentamento das desigualdades sociais no RS, socializando e disseminando experiências. Ampliar a discussão acerca do conceito de Tecnologia Social, nesse sentido, é fundamental”, pontuou a coordenadora de Desenvolvimento Social da Fijo, Rosa Castilhos.

Segundo conceito pactuado no âmbito da RTS, Tecnologias Sociais compreendem “produtos, técnicas e/ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social”. Para a animadora de redes da RTS, Isabel Miranda, um primeiro passo para assegurar a compreensão deste conceito é entender, desde o início, a diferença entre as idéias de reaplicação e replicação. “A Tecnologia Social não pode ser simplesmente copiada tal como foi concebida (replicação). No processo de multiplicação, é importante que ela seja recriada, ajustada e que sejam agregados novos elementos pela comunidade. Com isso, espera-se que o conhecimento seja, de fato, apropriado e reconstruído pelas pessoas”, explica.

Isso implica, segundo ela, que as tecnologias contemplem as especificidades locais e incentivem a criatividade do produtor direto e dos usuários, o que varia de lugar para lugar. Significa, ainda, a valorização de formas de conhecimento que não apenas o científico, como os conhecimentos tradicionais. “O desenvolvimento não vem de cima para baixo. É algo construído coletivamente. Sem isso, não há transformação verdadeira”, afirmou.

Segundo a coordenadora do Instituto de Tecnologia Social (ITS), Irma Passoni, o que está em jogo é o entendimento de que as tecnologias não são simples ferramentas neutras e sim construções sociais que possuem características específicas dependendo do ambiente em que são concebidas. “A preocupação com a ciência era um assunto fechado na academia até pouco tempo atrás. O que vale é o conhecimento como direito humano fudamental. Problemas que afetam o conjunto da sociedade devem ser discutidos e enfrentados por todos”, destacou.


Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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