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Famílias do Semi-árido compartilham experiências


Foram apresentadas experiências de tanque de pedra e cisterna calçadão, desenvolvidas nos municípios de Venturosa e Jataúba, no Semi-Árido de Pernambuco

Foto: Gleiceani Nogueira
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Grupo faz visita em Semi-Árido pernambucano

09/05/08 – Venturosa, município localizado a 249 quilômetros da capital pernambucana. Este foi o primeiro destino de instituições parceiras da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) que, dia 6/5, conheceram experiências de tanque de pedra e cisterna calçadão. Participaram de visitas a propriedades rurais, representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Fundação Banco do Brasil, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e Rede de Tecnologia Social (RTS).

Em Venturosa, diversas comunidades têm, em sua história, a busca de alternativas de captação de água de chuva para a convivência com o Semi-Árido. No Sítio Barbado, 70 famílias costumam fazer poças e tanques nos terrenos rochosos pelo menos desde a década de 1990. Josimar Henrique de Almeida, coordenador do P1MC no município, conhece bem essa história: “Entre 98 e 99, ocorreu uma das piores secas nesta região. Foi quando a prefeitura apoiou a comunidade na  construção de um tanque de pedra, também chamado de caldeirão”. A comunidade já havia levantado uma parede para armazenar água no local. Com o cimento enviado pela prefeitura, foi ampliada a capacidade do tanque para cerca de 300 mil litros d’água.

Até hoje, 10 famílias do Sítio Barbado utilizam esse tanque. “A água armazenada dura quase um ano. A gente bebe, alimenta os animais e lava roupa. A vida, antes do caldeirão, era bem difícil. Minha mãe ia buscar água na serra, andava pelo menos quatro quilômetros”, explica a jovem Valdeni Maria Bezerra.

Atualmente, a expectativa da comunidade é que o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) possa chegar até a região e contribuir para a captação de água de chuva para produção de alimentos. “Se dobrássemos a capacidade desse tanque, poderíamos fazer hortas comunitárias”, explica Josimar.

Próximo destino

Saindo da comunidade Sítio Barbado, em Venturosa/PE, o grupo dirigiu-se à

Foto:Gleiceani Nogueira
Valdeni-e-Josimar.jpg
Josimar e Valdeni, no Sítio Barbado
cidade de Jataúba, onde está localizado o Sítio Sobrado. O difícil acesso já demonstra as dificuldades enfrentadas pelas famílias da região. Dessa vez, a Tecnologia Social apresentada foi a cisterna calçadão, também denominada cisterna adaptada para a roça. Pelo menos quatro famílias do Sítio adotaram essa tecnologia, durante a fase demonstrativa do P1+2.

As construções da cisterna calçadão são recentes e as famílias começam a lidar com uma nova possibilidade de captação de água de chuva. “Resolvemos trazer uma alternativa para a produção de alimentos, pois entendemos que somente água para consumo humano não sustenta as famílias no Semi-Árido”, diz Tairony Wilke dos Santos Lima, coordenador do Programa de Convivência com o Semi-árido da Cáritas Diocesana de Caruaru.

A cisterna calçadão armazena pelo menos 52 mil litros d’água que pode ser utilizada para produção de fruticulturas e hortaliças viáveis em terrenos pequenos. “São culturas que suportam períodos de seca. Também é importante lembrar que, às vezes, a família tem dificuldade para secar o feijão, por exemplo, e acaba perdendo a produção. Então, o calçadão também serve de espaço para secagem de alimentos”, explica Tairony.

No Sítio Sobrado, a primeira residência visitada foi a de José Quitério da Silva, presidente da Associação dos Pequenos Agropecuaristas. Logo no início dos diálogos, ele afirmou que a “segunda água”, do Programa Uma Terra e Duas Águas contribui para “o complemento da renda familiar, o consumo de alimentos sem veneno e a permanência das pessoas na comunidade, em vez de irem para a cidade”.

Durante a visita, o diácono Paulo de Souza destacou a importância da mobilização social e da organização para uma boa convivência com o Semi-Árido: “A partir do P1MC, se criou uma associação comunitária. Depois, ocorreram encontros de formação. As pessoas começaram a ver as coisas de outra maneira. Antes, diziam que, no Nordeste, tudo era difícil era por conta da seca. Agora, vemos que é possível viver, conviver com o Semi-Árido, por meio de organização”.

Já era noite quando o grupo fez sua última visita, no Sítio Sobrado. Uma senhora simpática, bem-humorada e atenta fez a recepção com bolos de trigo, milho e cenoura. Era dona Helena de Souza, esposa de seu Jurandir Ambrósio. Com o auxílio do Bolsa Família e a venda de bordados, o casal luta para sustentar seus dez filhos/as.

Ao ser questionada sobre a importância da cisterna calçadão em sua casa, dona Helena lembrou as dificuldades para a construção dessa tecnologia: “No começo, ficamos bem apertados. E, na construção, saiu uma pedra no local. O rapaz veio, deu um tiro e a pedra rachou”. E conclui: “Mas valeu a pena. Por enquanto, estamos usando a água para plantar coentro. Também queremos ter pinha e mamão”.

O que é

O Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido: Uma Terra e Duas Águas (P1+2) tem como objetivos fomentar a construção de processos participativos de desenvolvimento rural no Semi-Árido brasileiro e promover a segurança alimentar e a geração de renda das famílias agricultoras através do acesso à terra e à água e do seu manejo sustentável para a produção de alimentos.

O tanque de pedra possibilita o armazenamento de grandes volumes de água captada nos lajedos, aproveitando a inclinação natural neles existentes. Em alguns locais, é necessário construir paredes ou muretas facilitando a contenção ou o direcionamento da água para os tanques e conseqüentemente maior acumulo de água. É uma das inovações técnicas que tem como base a valorização do conhecimento dos agricultores familiares nas estratégias de uso e gestão da água. O tanque de pedra armazena água para os gastos domésticos, para alimentação animal e irrigação de um "quintal produtivo" de verduras.

A cisterna calçadão, também denominada cisterna adaptada para a roça, é formada por uma área de captação (para captar água das chuvas que escorre dos desníveis do terreno ou de áreas pavimentadas como um calçadão), por um reservatório de água (que deve ser bem maior que a cisterna para o uso humano) e um sistema de irrigação (que pode ser operacionalizado manualmente ou por sistemas de bombeamento e gotejamento). Com a água de uma cisterna de 50 mil litros (outra que não a de consumo doméstico) é possível irrigar um "quintal produtivo" de verduras, regar mudas ou ter água para galinhas e abelhas.

Outras Informações

Portal: www.asabrasil.org.br

Por Michelle Lopes – Assessora de Comunicação da RTS

Colaboração: ASA Brasil

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