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Empresários debatem certificação de indicação geográfica


Produtores falaram sobre certificação de Indicação Geográfica (IG) alcançados pelos selos Café do Cerrado e Carne do Pampa Gaúcho

A trajetória percorrida pelos produtores integrantes dos selos Café do Cerrado e Carne do Pampa Gaúcho foi um dos temas apresentados no evento Agronegócios e Inovação, realizado pelo Sebrae Nacional, nesta semana em Brasília (DF). O assunto foi abordado pelos empresários José Augusto Rizental e Fernando Adauto.

Os dois foram palestrantes convidados da Instituição para compartilhar e debater sobre a experiência com os participantes do evento. Processos de certificações de qualidade, de produto, de procedência, entre outras, ainda são bastante desconhecidas no País, apesar de serem verdadeiros passaportes para assegurar mercados.

No caso do Café do Cerrado, Rizental apresentou as várias etapas que tiveram de ser transcorridas para o Café do Cerrado chegar à Indicação Geográfica (IG), uma das mais importantes certificações para o mercado mundial. A saga para consegui-la passou por: demarcação do território, via geograprocessamento, utilizando satélites; catalogação de suas características específicas ( clima, de solo, altitude, luminosidade); entre outros. Essa região está situada à noroeste do estado de Minas Gerais, abrangendo o Triângulo Mineiro. É composta por 55 municípios e equivale a 155 mil hectares, onde há cerca de quatro mil propriedades.

Essa área é responsável por um quarto da produção do estado mineiro, o maior produtor de café do País. Todas as fazendas produtoras de café dessa região tiveram de ser georeferenciadas. Foi criado o Sistema Caccer, que reúne seis associações e oito cooperativas de produtores. Protocolos foram desenvolvidos e aplicados às fazendas que participam do processo de IG. “O controle de procedência, de certificação das fazendas e do produto, marketing, são feitos pela Caccer”, explicou Rizental.

Os atributos sensoriais do café dessa região são diferenciados e únicos, comparados com grãos de outras regiões do mundo. São eles: aroma intenso, que tem gotas entre caramelo e nozes; corpo moderado e encorpado; e sabor adocicado com predominância achocolatado.

“Quanto mais indicação de procedência tivermos no Brasil, será melhor para nós”, adiantou o empresário. “Começamos a correr atrás da certificação do Café do Cerrado em 1995. Naquela época, o Inpi não estava preparado e demorou dez anos para sair”, revelou Rizental.

A IG é uma ferramenta contra a pirataria. “Já há pirataria do café do cerrado. A IG por si só, não é suficiente”, acrescentou. Por esse motivo, os protocolos e exigências aumentam ano a ano. As fazendas participantes do selo Café do Cerrado são classificadas entre uma e quatro estrelas, devem seguir código de conduta, que varia conforme o nível. Para a propriedade de uma estrela, por exemplo, existem de 17 a 35 itens a serem seguidos.

O próximo desafio é conseguir a Denominação de Origem, outra certificação em nível mundial, que já está sendo encaminhada pela Caccer, com apoio do Sebrae. Outro selo importante para identificar cafés de altíssima qualidade nacional e internacional é o ‘Cafés Sustentáveis do Brasil’, segundo Rizental.

Nesse caso, as torrefações têm de seguir protocolos especiais e devem utilizar, no mínimo, 60% de grãos aprovados pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). Resumindo: quanto mais selos e certificações o café tiver em sua embalagem, é sinal de que o consumidor está comprando um melhor produto.

Carne dos Pampas

No caso da certificação Indicação Geográfica da Carne do Pampa Gaúcho, o processo foi iniciado em 2004. A bovinocultura havia enfrentado vários altos e baixos no Rio Grande do Sul, desde os tempos coloniais. O empresário Fernando Adauto, da Apropampa, afirmou que a certificação só foi conseguida devido ao apoio de várias instituições, entre elas o Sebrae Nacional, que capitaneou o processo, e Embrapa, que ajudou na definição de raças e demarcação da área.

“O Pampa sul-americano corresponde a 100 milhões de hectares, abrangendo Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil”, explicou Adauto. A área gaúcha do pampa equivale a 18% da total do Pampa. Era necessário vincular critérios mundialmente aceitos para diferenciar a região, e daí, comprovar a qualidade da carne, segundo ele.

Apenas duas raças britânicas de gado são aceitas na IG Carne do Pampa Gaúcho. Essa definição causou conflitos, que foram intermediados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) e Embrapa, contou o empresário “Não se aceita cruzamento com outras raças”, acrescentou. O gado deve se alimentar exclusivamente do pasto nativo dessa região.

Um dos objetivos da Apropama é preservar a biodiversidade da região e fiscalizar a carne certificada com IG. A rastrealibilidade desse gado é tão acurada, atualmente, que por meio do número no código de barras do Sisbov, impresso nas embalagem da carne, o consumidor acessa informações sobre o animal de origem no site www.carnedopampagaucho.com.br .

A Casa Moacir é o único ponto de venda das carnes certificadas com o IG Pampa Gaúcho, em Porto Alegre. “Em supermercado, não funcionou vender carne certificada. O consumidor brasileiro ainda não tem consciência do que significa uma certificação como essa”, disse Adauto. Neste ano, a Apropampa deve chegar a cem associados, mas o potencial da certificação é para atingir mil deles, segundo o empresário.

“A IG de carne bovina é recente no mundo, diferentemente do queijo e vinho”, explicou. Essa certificação começou após o evento da ‘vaca louca’, segundo Adauto, e assegura acréscimos na venda ao varejo, entre 20 a 35%, nos cortes. Além disso, agrega valor em 70% para o pequeno produtor , e 30% para o grande produtor de carnes.

Outras Informações

Agência Sebrae de Notícias
Telefone:(61) 3348-7494 e (61) 2107-9362

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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