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Desafios em rede


Reunidos em São Paulo, pesquisadores e representantes dos setores público e privado e de organizações não-governamentais levantaram desafios para a construção de novas redes

Foto: Redes e Desenvolvimento
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04/08/2008 - É imprescindível ter em vista a conformação de redes horizontais que permitam distribuir poder e dar a todos os seus participantes canais abertos de participação e diálogo, mas a construção de parcerias e alianças que apontem para essa direção já é um avanço a ser reconhecido. A conclusão é dos participantes da edição 2008 do Seminário Redes e Desenvolvimento, promovido pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças (ABDL) e pelo Senac São Paulo, de 30 de julho a 1º de agosto na zona sul da capital paulista. O encontro, que teve a participação da RTS, reuniu cerca de 150 pessoas dos setores público e privado e de organizações não-governamentais, além de pesquisadores brasileiros e do exterior.

“Ampliar a conectividade em redes hierárquicas já é um avanço, até porque se não reconhecermos isso a gente pára diante do impossível. Ter a horizontalidade como um farol já é uma grande transformação”, afirma Dalberto Adulis, Coordenador executivo da ABDL e diretor do Lead Brazil. A afirmação, avisa, decorre da necessidade de superar obstáculos tradicionais da estrutura organizacional e política brasileira, que ainda aposta em práticas como o corporativismo institucional, a fragmentação setorial, o clientelismo e o centralismo administrativo. Outro desafio, avisam os participantes, está também na necessidade de compreender a própria dinâmica das redes conteporâneas.

“Uma rede não é a soma de suas partes, mas produto da interação entre as partes. Ainda que com valores comuns e um propósito compartilhado, os atores da rede tendem a ter distintas visões e estratégias sobre como alcançá-los”, alerta Ricardo Wilson Grau, membro da Associação do Desenvolvimento Internacional (Ideias) e consultor independente dedicado a apoiar redes internacionais. Uma das principais dificuldades para afinar esta participação conjunta, diz, é que as partes envolvidas ainda tendem a exigir a prestação de contas sobre atividades e resultados a partir de uma lógica convencional de organização, enquanto as redes exigem um novo modelo de atuação, monitoramento e avaliação. “Redes contrastam com as organizações convencionais, sejam entidades empresariais, civis ou governamentais de onde vêm seus integrantes. Isso acaba gerando confusão na organização das redes”, pondera.

De acordo com o diretor da EBPDN (Evidence Based in Development Network), o consultor peruano Enrique Mendizabal, o que tem de estar claro desde o início, quando se fala em redes organizacionais, é a definição da função e dos objetivos da rede, bem como o conhecimento das suas funções básicas: construir comunidades, facilitar parcerias e alianças estratégicas, distribuir conhecimento e mobilizar novos atores. “Redes são complexas. Não há receitas para o êxito e devemos esperar alguns fracassos ao longo do caminho. Além disso, precisamos saber que nem tudo o que fazemos na rede vai ter o mesmo efeito em todos. É preciso manter espaço para a diferença”, avalia. É o que também afirma o coordenador de projetos especiais da Rede de Informações para o Terceiro Setor, Caio Silveira. “As redes são identidade, mas, ao mesmo tempo, são fundamentalmente diversidade”, diz.

Para Gilberto de Palma, idealizador do Instituo Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia, é preciso debater também em que medida as redes são efetivamente necessárias para a consecução de objetivos comuns. “Vivemos uma época de redismos, em que muitas organizações se proclamam redes sem refletir sobre o assunto. E uma coisa que temos de ter em mente é que uma rede só funciona se houver interdependência entre os atores, até porque não há sentido fazer em rede o que você pode fazer sozinho”, diz.

A secretária-executiva da RTS, Larissa Barros, deu conta desse desafio durante a apresentação da experiência da RTS no painel “Ampliação, abrangência e alcance das ações em rede”. “Temos um grupo muito hetergogênio, com cultura organizacionais bem diferentes. Nosso principal desafio é consolidar a própria dinâmica de rede e estamos investindo trabalho, tempo e recursos nisso”, diz.

Entre as ações prioritárias para esta articulação no âmbito da RTS, avisa, está a organização de momentos presenciais em que representantes das instituições associadas à Rede possam se conhecer e trocar mais diretamente conhecimentos e experiências. Além de encontros pontuais nos estados – já realizados em São Paulo, Pará e Amazonas -, Brasília sediará, entre os dias 24 e 26 de novembro, o II Fórum Nacional da RTS. O objetivo é reunir todas as mais de 600 instituições da Rede, além daquelas que se associarem ao longo de 2008. Com caráter consultivo e propositivo, o Fórum orientará o planejamento e deve definir as diretrizes, ações e resultados esperados ao longo do biênio 2009-2010. “Será um grande momento de partilha em que esperamos consolidar a dinâmica de rede e a interação entre as instituições. Além disso, apostamos nesta articulação por meio do nosso Portal e nossas comunidade virtual”, diz Barros.

Segundo o economista e professor da PUC SP, Ladislau Dowbor, o êxito de articulações como essa é especialmente importante diante dos desafios que emergem com a chamada sociedade do conhecimento. “Quando o conhecimento se torna mais importante que os bens físicos para a geração de riqueza, as redes ganham ainda mais em importância. Se não entendermos isso, muitas portas deixarão de sar abertas”, alerta.

Seminário

O Seminário marcou a conclusão da segunda edição do Redesenvolvimento 2007, Programa de Formação em Redes para o Desenvolvimento, promovido pela ABDL e pelo LEAD International. Os participantes do programa são protagonistas na realização do evento, que conta com o patrocínio do Instituto C&A, do Instituto HSBC Solidariedade e da Fundação Telefônica.

O primeiro dia esteve focado nas dimensões social, ambiental, política e econômica, apresentando experiências de redes ligadas aos temas dos direitos da criança, das mudanças climáticas, das políticas públicas e do empreendedorismo social. O objetivo do segundo dia foi se debruçar sobre os principais desafios da articulação em redes, trazendo exemplos práticos de redes que enfrentam questões relacionadas à: potencial e limitações da articulação, dinâmica e estrutura de redes, escala e alcance das ações, metodologias e tecnologias para a colaboração.

Entre os os participantes, estiveram Antônio Carlos G. da Costa (Modus Faciende), Augusto de Franco (Agência de Educação para o Desenvolvimento), Enrique Mendizabal (Overseas Development Institute), Gilberto de Palma (Instituto Ágora), Karen Worcman (Museu da Pessoa/ Brasil Memória em Rede), Kemly Camacho (Sulá Batsú/Bellanet), Ladislau Dowbor (PUC-SP), Leslie Paal & Heather Creech (Canadá – International Institute for Sustainable Development); Paulo Sérgio de Oliveira e Costa (Secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), Ricardo Wilson-Grau (Consultor em desenvolvimento) e Rodrigo Costa da Rocha Loures (Federação das Indústrias do Paraná).

O Seminário foi realizado graças às parcerias com: Impact Alliance, Sebrae São Paulo, Rits e todas as organizações que participam do Redesenvolvimento 2007: Artemísia, Ashoka, Associação Metindjé Kayapó, Fundação Telefônica, Instituto HSBC Solidariedade, Instituto Pólen e Redeh, Instituto RIA e Tzedaka, Museu da Pessoa, Orbis – Observatórios do Desenvolvimento Regional Sustentável, Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, Rede Lead, Rede Municipal de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente de Niterói e Txai Cidadania e Desenvolvimento Social.

Outras Informações

sitio:
www.redesedesenvolvimento.org.br.

Por Vinicius Carvalho - Jornalista da RTS
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