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Cores da TerraAté 50% mais baratas, tintas produzidas à base de terra resgatam prática milenar com ajuda da tecnologia
Introduzida em 2007 no EspÃrito Santo pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) a partir de pesquisas desenvolvidas pelo Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG), a produção da tinta começa pela coleta e preparação da terra, que é peneirada e misturada a água e cola branca até atingir consistência de creme. Podem ser adicionados também cal – para facilitar a transpiração da parede a ser pintada – e óleo de linhaça, que aumenta a durabilidade e impermeabilidade das paredes. Na falta de cola branca, também pode ser utilizado grude (polvilho azedo e água). “Nosso mérito é só resgatar uma técnica milenar e aprimorá-la”, afirma o professor da UFV que sistematizou a tecnologia, Anor Fiorini. A eficiência, avisa, pode ser medida pela diversidade de usos dados à tinta pelo Incaper na zona rural do EspÃrito Santo, em seu programa de Agroturismo. Entre 2007 e 2009, a tinta foi utilizada em um total de 1.661 aplicações, incluindo residências rurais, painéis, galpões, muros, escolas e até uma igreja. O uso da nova tinta também chegou a peças decorativas e utilitárias como esculturas em barro, telhas, vasos de cerâmica e telas. “Temos casos em que a durabilidade é até maior que das tintas convencionais”, completa Fiorini. A artesã Maria das Graças Sabadini, de 51 anos, tomou conhecimento da Tecnologia Social em 2007. Além de usar a nova tinta em esculturas que tomam a forma de figuras capixabas ilustres, como Rubem Braga e Roberto Carlos, as cores chegaram também à s paredes da pousada que ela administra no municÃpio de Burarama, no sul do EspÃrito Santo. A conta, avisa, é simples. Com oito quilos de terra, oito litros de água e quatro quilos de cola branca, é possÃvel pintar até 70 metros quadrados. São de 12 a 16 litros de tinta, dependendo da qualidade do solo utilizado. “Todo mundo que chega aqui esfrega as paredes e vê que a tinta não sai. Ela desfaz no mesmo tempo da tinta convencional, não tem diferença. Com a diferença que é natural, não tem aquele cheiro forte e não dá alergia”, argumenta. Segundo a coordenadora do Programa de Atividades Não-AgrÃcolas do Incaper, Durnedes Maestri, mais de quatro mil pessoas de diversos estados brasileiros também receberam treinamento para o uso da tecnologia, como agricultores, artesãos, professores e estudantes. “As cores não causam o impacto visual que pode ocorrer com alguns tons das tintas convencionais. E a retirada da terra para fabricação da tinta é sempre orientada de forma correta, para que não cause degradação do solo”, explica. Diversidade de cores De acordo com o pesquisador de solos do Incaper, José Sérgio Salgado, o que fornece cor ao solo são, principalmente, óxidos de ferro e matéria orgânica. As cores marrom, vermelha e amarela resultam da presença de óxidos de ferro. Já as cores mais escuras são provenientes de solos com maior teor de matéria orgânica. Os solos claros têm o predomÃnio de quartzo e baixo teor de ferro. E os solos esbranquecidos das baixadas mostram que os teores de ferro são muito baixos ou inexistentes no local. Os principais óxidos de ferro que conferem cores ao solo, avisa, são Hematita (cor vermelha) e Goetita (cor amarela). “A proporção encontrada destes óxidos nos solos produzem as variações desde roxo, vermelho escuro e amarelo”, explica José Sérgio. Atualmente, o Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG) realiza pesquisas para a criação de tintas com 29 tipos de solo. O objetivo agora é aprimorar a tecnologia para que possa atender os padrões estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas na categoria tinta de qualidade econômica, avisa Fiorini. Sem o selo, a tinta não pode ser utilizada pelo governo em habitações de interesse social e demais edificações, o que limita a reaplicação em maior escala da tecnologia. “Tem solo que só de pôr água já faz creme. Outras não. A dificuldade é padronizar uma massa com textura boa o suficiente para fixar na parede, o que varia de terra para terra”, explica. Para a realização dos testes necessários ao aprimoramento técnico, avisa Fiorini, falta à universidade um compressor orçado em R$ 30 mil. “Como muitas vezes a cor é que interessa, o pior da qualidade técnica pode ser o melhor do ponto de vista estético. Precisamos ainda de novos testes, o que não exclui a reaplicação da tecnologia, hoje, com qualidade”, argumenta. Outras Informações Por VinÃcius Carvalho, jornalista do Portal da RTS (com informações da assessoria de comunicação do Incaper)
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