|
|
Certificações de produto foram tema de debate em evento do SebraeQuatro empresários que conseguiram certificações de produto e de Indicação Geográfica foram palestrantes no evento Agronegócios e Inovação, em Brasília Os processos de certificações de produtos e de Indicação Geográfica (IG) são novas ferramentas amplamente utilizadas no mercado internacional para diferenciar a qualidade de produtos, mas ainda são poucos conhecidos no Brasil. Eles foram tratados, na manhã desta sexta-feira (7), no último dia do evento Agronegócios & Inovação, promovido em Brasília pelo Sebrae Nacional. Quatro empresários detentores de certificações de diferentes setores produtivos e regiões brasileiras foram palestrantes no evento. As exigências, adequações, dificuldades e vantagens de submeter seus produtos aos processos de certificação foram relatados por eles. Evandro Luiz Weber, da Cachaça Weber Haus, produzida por sua família no município de Ivoti (RS), destacou a importância da implantação dos protocolos de rastreabilidade na sua linha de produção. Para ele, o selo de certificação demonstra que a empresa, responsável pelo produto certificado, se preocupa com a qualidade e segurança do consumidor. O empresário gaúcho contou a história da bebida, que começou a ser produzida por seu bisavô, em 1826, para consumo próprio e dos vizinhos. Cem anos depois, o avô de Evandro, começou a comercializar a bebida, que era levada até Novo Hamburgo de carroça para ser engarrafada. Em 1968, a família criou a marca Primavera para o produto. Mas nos anos 90, o INPI avisou que a marca não era da família. Assim nasceu a Weber Haus, nome definitivo e patenteado pela família do empresário para seus produtos. A plantação de cana da família Weber nunca recebeu defensivos químicos, segundo Evandro. Essa tradição foi seguida ao longo dos anos, até hoje. A preocupação com o meio ambiente, portanto, sempre foi um diferencial no processo de fabricação da bebida. Em 2000, foi criada a Associação dos Produtores de Cana e Derivados do Rio Grande do Sul (Aprodecana), da qual Evandro participa desde o início. Em 2003, o Sebrae no Estado começou a apoiar a entidade, fazendo levantamento dos alambiques existentes no território gaúcho. Em 2005, na Expointer, a Aprodecana lançou um blend promocional dos alambiques gaúchos. Desse modo, começava o marketing da cachaça feita no Rio Grande do Sul. Em seguida, foi iniciado o processo de certificação da bebida pelo Programa Brasileiro de Avaliação da Conformidade da Cachaça. Das 23 empresas participantes, ao final dos diagnósticos, auditorias, adequações para atender os protocolos, preenchimentos de planilhas, entre outros, 19 delas obtiveram as certificações. “Se fôssemos certificar a Weber Haus sozinhos, ia levar muito mais tempo”, afirmou Evandro. Apesar de o processo de certificação ser penoso, valeu a pena, segundo o empresário gaúcho. “A certificação mostra o que pode ser melhorado na produção”, disse ele. Modernização da gestão, aquisição de novos equipamentos e tecnologias provocaram o aumento da produção e, consequentemente, do faturamento, ressaltou. No ano passado, a cachaça Weber Haus ganhou o prêmio de melhor cachaça brasileira em importante concurso de bebidas destiladas da Suiça. O produto também conseguiu a certificação internacional Ecocert, que significa que é 100% orgânico. “Conseguimos esse selo devido ao certificado de rastreabilidade”, justificou o empresário. “Não queremos ser os maiores produtores de cachaça, mas queremos ser os melhores”, declarou Evandro. A empresa da família Weber criou a marca Lundu para o mercado externo, que está sendo certificada no momento. Há três semanas, o novo produto foi lançado com sucesso na Califórnia (EUA). Quebra de paradigma Marcelo Giesta, da Fazenda Salva Terra, do Vale do São Francisco, falou sobre o inédito processo de certificação da uva, produzida em sua pequena propriedade, de apenas seis hectares. A proeza começou no ano de 2001. “A dificuldade principal foi o pioneirismo. Só grandes empresas eram certificadas, até então”, explicou o empresário fluminense radicado em Petrolina (PE). Em 2003, devido ao apoio do Sebrae em Pernambuco e do Sebrae Nacional, Marcelo arcou apenas com 30% das despesas com a certificação. “É exigido um alto grau de controle e processos de produção”, explicou. Várias adequações tiveram de ser feitas na propriedade, desde sinalização de todas as etapas, desde o plantio, a colheita até embalagens, construção de banheiros, lavatórios, uniformes para empregados etc. “Foi uma verdadeira revolução de hábitos. Tivemos de conscientizar e qualificar nossos trabalhadores para trabalhar de acordo com as exigências e protocolos”. Em 2004, a Salva Terra foi a primeira fazenda produtora de uvas no Brasil a conseguir a certificação PIF/Uva. Atualmente o empreendimento de Marcelo já está na terceira renovação da certificação PIF (nacional). Ele também tem a certificação Euregap, um verdadeiro passaporte para entrada da uva na Europa. Por toda essa história, a Fazenda Salva Terra se tornou referência para outros pequenos produtores de uva e frutas do Vale do São Francisco. “Fiz o contrário dos grandes produtores. Abri minha propriedade e assim consegui apoios e parcerias”, contou o empresário. Desde a primeira certificação, Marcelo se tornou uma espécie de porta-voz das certificações para produtores de frutas do Vale do São Francisco. Hoje são mais de 200 propriedades certificadas na região. “O paradigma de viticultor pequeno certificado foi quebrado”, comemora. “Precisamos de câmara para resfriamento na região”. É o que falta, no momento, para ficar melhor. “Meu concorrente não é meu vizinho, mas os produtores de uva de outros países”, observou. Fora do Brasil, os produtores, seja de que porte for, produzem com qualidade e preço competitivo. Marcelo prevê: só vai ficar no mercado interno e internacional, quem tiver selos e certificações. “Lá fora fazem contra-provas das análises feitas aqui, exigidas nos processos de certificação”, alertou. O produtor revelou que 90% das vendas das uvas produzidas em sua propriedade vão para a Inglaterra, considerado o mercado mais exigente de todos, mas que paga entre 30% e 40% a mais pelo quilo da fruta do que no continente europeu. “Se tiver um boicote comercial, como o que está havendo no momento com a carne brasileira embargada na Europa, não terei problemas. Estarei entre os 107, que têm certificado”, comparou Marcelo. Outras Informações Fonte: Agência Sebrae de Notícias © Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída. |
|
Portal mantido por: IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
Desenvolvido por: SCF Informática |
|