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CC/RTS avalia proposta de metodologia de redes de reciclagem


Objetivo é estabelecer uma relação comercial direta das cooperativas com a indústria recicladora a partir da comercialização em rede dos resíduos

Foto: Petrobrás
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11/06/2008 - O Comitê Coordenador da RTS (CC/RTS) avaliou, nesta terça-feira (10/06), em Brasília, proposta de metodologia de incubação de redes de cooperativas de catadores de materiais recicláveis passível de reaplicação em escala na periferia de grandes centros urbanos. O objetivo é modelar uma tecnologia social capaz de estabelecer uma relação comercial direta das cooperativas com a indústria recicladora, eliminando a figura dos intermediários a partir da estruturação de sistemas integrados de logística, padronização, capacitação e comercialização em rede, entre outros. O documento será agora submetido a cooperativas de catadores e organizações de apoio com reconhecida experiência no tema, em oficina de trabalho no dia 04 de julho, tendo vista o detalhamento e a validação da metodologia.

“Há intermediários que alugam os carrinhos de coleta aos catadores ao mesmo tempo em que compram o material coletado a preços irrisórios, gerando ganhos de até 600%”, explica o diretor do Centro de Estudos Socioambientais Pangea, Antônio Bunchaft. A partir da análise das diferentes metodologias desenvolvidas e utilizadas pelas organizações integrantes da RTS no trabalho com empreendimentos solidários do setor da reciclagem, um Grupo de Trabalho (GT) constituído no âmbito da Rede procurou identificar os pontos considerados mais relevantes para o processo de formação de redes de comercialização. A expectativa é possibilitar a diminuição dos custos operacionais e melhorias nos preços de venda dos resíduos.

Na prática

Uma das iniciativas que já faz essa aposta é executada pelo Pangea a partir do Projeto Rede CataBahia. A iniciativa, que conta com patrocínio da Petrobras e parcerias da Fundação Banco do Brasil, Fundação Avina e Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNVR), possibilitou a diminuição dos custos operacionais e melhorias nos preços de venda dos resíduos a partir da união de seis cooperativas, aumentando para mais de dois salários mínimos a renda média gerada para cada catador. Entre julho de 2003 e dezembro de 2007, o grupo coletou 15 mil toneladas de recicláveis.

A metodologia de construção do Projeto Rede CataBahia abarca seis etapas. A primeira consiste no diagnóstico da composição gravimétrica, quando são aferidos os valores de contribuição de resíduos per capita (kg/habitante/funcionário x dia) e os percentuais da composição dos resíduos domiciliares (matéria orgânica, materiais recicláveis e rejeitos), de modo a orientar o planejamento na hora da coleta.

A segunda etapa envolve a assistência social integrada, quando os catadores são cadastrados no Bolsa Família, alfabetizados em articulação ao Programa Mova Brasil da Petrobras e têm seus documentos regularizados. Só então é realizada a capacitação, que traz módulos profissionalizantes com princípios de gestão de cooperativas e de comercialização do material coletado. Por fim, são realizadas a incubação, quando começam a ser estruturados os sistemas de logística de captação de resíduos, padronização da triagem e comercialização em Rede, e as ações de comunicação e mobilização social, com a formação de multiplicadores e ações de educação ambiental.

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS
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