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As diversas possibilidadas das Tecnologias Sociais


Especialistas apontam papel das TSs para um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil.

Foto: Nossa pátria
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Chave é garantir que população se aproprie do conhecimento.
27/10/2008 - O soro caseiro é uma Tecnologia Social, já que a mistura de água filtrada, sal e açúcar é simples, pode ser feita em qualquer parte do Brasil e do mundo, e combate a desidratação em crianças com diarréia. Mas o potencial desse tipo de solução vai além de seu funcionamento como remédio. A chave é garantir que, durante o processo, a população se aproprie do conhecimento e sejam garantidos os direitos humanos e a possibilidade de inclusão social.

Francisco Mazzeu, diretor da rede Unitrabalho, esclarece que as Tecnologias Sociais têm hoje alcance planetário. “O termo tem um dos precedentes no que se chamou de Tecnologia Apropriada (TA). É um conceito que abrange diferentes denominações e tem sido aplicado em vários países, tanto nos considerados desenvolvidos, como a Inglaterra, como nos mais pobres da África”.

Onde existem necessidades reais, as Tecnologias Sociais são a ponte para a solução do problema. A definição é de Irma Passoni, gerente-executiva do Instituto de Tecnologia Social (ITS). Isso quer dizer que esse tipo de iniciativa pode ser empregada em qualquer local, desde que algumas preocupações sejam levadas em conta. “A Tecnologia Social pode até resultar em um produto, dispositivos ou equipamentos, mas estes devem ser ligados a um processo transformador”, explica.

Ou seja, as Tecnologias Sociais não estão restritas a um tipo de realidade específica. Elas podem ser aplicadas tanto em meios rurais quanto urbanos, em grandes, médias e pequenas cidades. As cisternas e a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), são exemplos de aplicação na área rural. A reutilização de óleo de fritura filtrado para substituir o óleo diesel em motores de tratores e caminhões pode ser aplicada também no transporte rodoviário. Já a Ciranda Cadeirinha pelo Chão é um projeto desenvolvido pela Noisinho da Silva, uma organização sediada em Belo Horizonte (MG) que trabalha com design universal – móveis para a inclusão social. A peça permite adaptar o mobiliário convencional das escolas para crianças com deficiência que têm dificuldade para se sentar. Como os prédios tampouco possuem itens necessários de acessibilidade, a entidade faz ainda um diagnóstico dos principais problemas.

Com a certeza de que a inclusão social começa na escola, a partir da superação dos primeiros obstáculos e da construção dos valores de cidadania, a Noisinho da Silva foi além da montagem da cadeira adaptada. Foi desenvolvida uma oficina para que os próprios pais possam construir a peça que os filhos vão usar. A diferença é que os pais valorizam muito mais a peça, como fica claro com a minoria das crianças que, depois de três ou quatro meses, conseguem sentar sozinhas. Mesmo sendo famílias pobres, nada de adaptar para outro uso e muito menos jogar fora. “Ao fazermos o feedback, ficamos sabendo de pais que doaram a cadeira para outras crianças, porque foram eles que construíram, o apego de responsabilidade é diferente”, comemora.

“Ao chegar para a oficina, a maior parte das mães dizia que não queria colocar os filhos na escola”, conta Érika. “Agora, com a divulgação e o boca-a-boca, muitas mães reagem à provocação e querem saber quais são as escolas adaptadas. Isso é importante porque a maior parte das crianças não tem comprometimento cognitivo, são capazes e têm que ir para a escola”, defende. Em fevereiro de 2009, devem-se completar mil crianças participantes. O projeto agora será levado para o Rio de Janeiro, a partir de uma parceria com a Furnas.

Outro projeto ligado à educação é o Monitoramento do Orçamento Criança, do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca/CE). A entidade desenvolve, desde 2003, um trabalho de formação com crianças e jovens para discutir os problemas da cidade e fomentar fiscalização do poder público e até a formulação de políticas públicas.

O projeto é dividido em três partes: diagnóstico, formação em orçamento público, e mobilização e lobby. A intenção é mostrar que a sociedade pode garantir o controle social da definição e execução das medidas orçamentárias. E que isso precisa começar desde cedo. “A iniciativa coloca os adolescentes como sujeitos de direito”, explica Margarida Marques, coordenadora do Cedeca e do projeto.

No processo, foram formatadas 33 propostas a serem apresentadas à Câmara Municipal, formadas em pequenos grupos e em uma plenária geral. Todas elas discutem questões relacionadas à infância na cidade, e três foram aprovadas.

Muitas Tecnologias Sociais no mesmo lugar

Outro aspecto importante na aplicação de Tecnologias Sociais é a possibilidade de implantar diversas delas para sanar problemas que estão relacionados. Em ambientes rurais, por exemplo, muitas vezes a produção de alimentos local pode ser afetada por fatores distintos, como falta de água, solo pobre em nutrientes ou mau aproveitamento do espaço. Esse tipo de situação pode ser alterado com a apropriação, por parte dos agricultores, de uma ou mais soluções simples para melhorar sua produtividade.

Um dos exemplos de como integrar diversas propostas no mesmo lugar é dado por Antônio Borges, agricultor de Soledade, município que fica a 165 quilômetros da capital da Paraíba. Em 2000, ele participou de uma reunião do Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas às Comunidades (Patac) e a partir daí começou a se interessar pelo tema, aplicando diversas técnicas em sua propriedade.

Começou com uma barragem subterrânea, que retém umidade na terra e, em pouco tempo, já sentiu uma significativa melhora na sua produção. Depois implementou o sistema de irrigação mandala, que, além de permitir o cultivo de diversas culturas, também possibilita a criação de tilápias, colaborando para a composição de um cardápio mais variado para sua numerosa família. Instalou ainda um biodigestor para fornecer gás de cozinha a partir do lixo.

Hoje, as alternativas postas em prática por Borges fazem com que o sítio receba aproximadamente mil visitantes por ano, todos querendo conhecer as tecnologias aplicadas. “É difícil sobreviver, mas, se tiver uma família organizada que trabalha em casa, funciona”, explica. Em média, toda a produção de seu sítio assegura 400 reais por mês para sua família.

Fonte: Revista Forum

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