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Desafios para o futuroFaz quase quatro anos que a RTS busca reunir, organizar, articular e integrar um conjunto de instituições com a missão de contribuir para o desenvolvimento sustentável, por meio da difusão e reaplicação de Tecnologias Sociais. Trabalho em rede, convergência institucional, reaplicação em escala e conversão de TSs em políticas públicas estão entre os principais desafios para 2009.
“Continua o desafio de dar escala. A conexão entre os mantenedores da Rede e as Tecnologias Sociais está ocorrendo, mas podemos avançar ainda mais”, avalia o secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Joe Valle. Para chegar lá, o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, aposta na manutenção de uma agenda permanente no Comitê Coordenador da RTS (CC/RTS) capaz de ampliar a mobilização de investimentos em reaplicação pela iniciativa privada, o desenvolvimento de TSs direcionadas aos centros urbanos e a integração de esforços por parte de quem já reaplica Tecnologias Sociais. Nesse quesito, destaque para a aproximação junto à Rede de novos parceiros financiadores de TSs, como o Banco do Nordeste (BNB), o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes/MTE), com os quais as atividades conjuntas devem ser intensificadas em 2009. “A escala é fundamental para cumprirmos nossa missão enquanto rede. Isso significa aprofundar nossas articulações e parcerias”, diz Pena. Segundo a diretora do Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil), Irma Passoni, o primeiro passo para assegurar o êxito desta multiplicação é entender, desde o início, a diferença entre os diversos conceitos de tecnologia. “É preciso ter cuidado quando falamos de escala. Existem as tecnologias adaptadas e apropriadas, mas as Tecnologias Sociais são diferentes. Estão baseadas na idéia de processo e têm que estar ligadas aos contextos locais”, alerta. Diversidade A RTS está longe de ser um grupo homogêneo. Com representantes da sociedade civil, iniciativa privada, academia e governos, o aprendizado em lidar com estruturas organizacionais tão distintas na busca por um objetivo comum é por si só um dos grandes desafios da Rede, avalia Ney Conceição, pró-reitora de extensão da UFPA e presidente do Fórum de Pró-Reitores de Extensão Universitária (Forproex). “A principal dificuldade de articulação é a gente aprender a falar a mesma língua, mas a riqueza de uma Rede como essa está exatamente nessa diferença”, diz. Para o gerente de responsabilidade social da Petrobras, Luis Fernando Nery, este diálogo deve ser intensificado, mas sem inquietação. “Eu diria que essa dificuldade é a grande riqueza da RTS, porque é a confirmação do fato de que a Rede tem trabalhado na construção coletiva, que é a mais difícil de organizar o trabalho, mas, ao mesmo tempo, é aquela que garante sucesso a longo prazo”, argumenta.
Para chegar lá, acrescenta Passoni, a RTS precisará integrar estes esforços com as diferentes instituições que compõem a RTS. “Para isso é preciso avançar na produção e sistematização dos conhecimentos. O processo é que precisa ser aplicado, não o produto. TS se faz com participação e democracia”, diz. Convergência Segundo a secretária-executiva da RTS, Larissa Barros, um dos grandes desafios agora é consolidar a dinâmica de rede e envolver o maior número possível de instituições nos debates sobre os rumos da própria RTS. Entre as ações prioritárias para esta articulação no âmbito da Rede, avisa, está a organização de momentos presenciais em que representantes das instituições associadas à Rede possam se conhecer e trocar mais diretamente conhecimentos e experiências. Além de encontros pontuais nos estados – já realizados em São Paulo, Pará e Amazonas -, Brasília sediará, entre os dias 13 e 15 de abril, o 2o Fórum Nacional da RTS. O objetivo é reunir todas 661 instituições da Rede. Com caráter consultivo e propositivo, o resultado das discussões no Fórum orientará o planejamento, as diretrizes e resultados esperados para o biênio 2009-2010. “Será um grande momento de partilha em que esperamos consolidar a dinâmica de rede e a interação entre as instituições. Além disso, apostamos nesta articulação por meio do nosso Portal e da Plataforma de Gestão do Conhecimento, que será lançada em 2009”, diz Barros. Em seqüência ao Fórum, também será realizada a 2ª Conferência Internacional de Tecnologia Social. O objetivo do evento é estabelecer parâmetros para a viabilização das Tecnologias Sociais, integrando diferentes experiências internacionais e aprofundando a discussão conceitual sobre o tema. Estarão presentes gestores de instituições públicas e privadas, empresários, lideranças comunitárias, empreendedores sociais, professores, estudantes e representantes governamentais, entre outros. 2008 O ano de 2008 foi decisivo para a RTS. Sinal desta determinação está em decisões do Comitê Coordenador da RTS, que definiu no ano passado, pela primeira vez, metas de reaplicação em escala para duas Tecnologias Sociais (TSs). Além da pactuação pela reaplicação de 5 mil unidades do sistema Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) até 2010, o CC/RTS pretende mobilizar esforços para atender, no mesmo período, 15 mil famílias com as tecnologias de captação de água de chuva, voltadas para a produção, vinculadas ao Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). O objetivo do Programa é a promoção da segurança alimentar e nutricional e de geração de renda para os agricultores familiares do Semi-Árido, a partir do acesso e manejo sustentáveis da terra e da água para a produção de alimentos. (clique aqui para saber mais sobre o processo de reaplicação do Pais e do P1+2) A RTS também consolidou, em 2008, uma proposta de metodologia de incubação de redes de cooperativas de catadores de materiais recicláveis passível de reaplicação em escala na periferia de grandes centros urbanos. O objetivo é modelar uma TS capaz de estabelecer uma relação comercial direta das cooperativas com a indústria recicladora, eliminando a figura dos intermediários a partir da estruturação de sistemas integrados de logística, padronização, capacitação e comercialização em rede, entre outros. O documento, construído em conjunto com cooperativas de catadores e organizações de apoio com reconhecida experiência no tema, garantiu o detalhamento da metodologia. (Clique aqui para saber mais sobre a experiência da Rede CataBahia, que já articula em rede a comercialização do material coletado por oito cooperativas). Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS |
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