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Como vender o peixe da agricultura familiar?


19/08/2008 - O tema da comercialização dominou os debates da tarde de hoje (19), durante o primeiro dia do II Seminário Fundação Banco do Brasil na Geração de Trabalho e Renda. O evento, que reuniu mais de 250 pessoas, em Brasília/DF, termina amanhã (20).

A agricultura familiar, apesar de faturar cerca de R$ 8 bilhões por ano, no Brasil, enfrenta diversos problemas relacionados à comercialização. Como minimizá-los? Como transformar pequenos produtores em vendedores? O que fazer? Estes temas foram colocados pelos integrantes da mesa temática sobre comercialização da produção, composta pelo professor da Universidade de Brasília (UnB) Newton Gomes, pelos dirigentes da Casa Apis e da Central Agroindustrial de Caju do Ceará (Copacaju), Antônio "Sitonho" Leopoldino Dantas Filho e Raimundo Pereira da Silva, respectivamente. Também participaram dos debates, Eduardo Soares e Zizo Simion, representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Rede Terra.

Para o professor Gomes, o problema é a dupla função atribuída ao agricultor: produzir e vender. Ele defende que o produtor não deve comercializar sua produção, mas profissionalizar a tarefa. Gomes admite a busca de arranjos que tenham, como pressuposto, a especialização de membros da família para o desenvolvimento de atividades diferentes das tradicionais, ligadas à produção agrícola. Dessa maneira, a saída escaparia da tendência, atualmente dominante, da venda de produtos da agricultura familiar diretamente ao consumidor ou de entregas individuais no segmento atacadista ou de auto-serviço.

A proposta de Gomes inclui a abertura de uma empresa, para operar a comercialização, comandada pelo conjunto de agricultores organizados. Os executivos da área comercial seriam pessoas ligadas aos agricultores, que poderiam, se não correspondessem às metas propostas pelos "donos" do negócio, inclusive, serem afastadas sumariamente. Assim, os produtores continuariam especializados na produção.

Mel e caju - Sitonho, da Casa Apis, e Raimundo da Silva, da Capacaju, relataram os problemas que enfrentaram para conseguir que as centrais de cooperativas que representam, pudessem vender toda a produção. Enquanto o primeiro lembrou das dificuldades do setor apícola, no Brasil, - como a competição entre as cooperativas, a defasagem tecnológica, a falta de capital de giro, a inexistência de legislação específica e o baixo consumo interno do produto -, o segundo relatou os problemas dos cajucultores do Ceará. Silva destacou, dentre eles, o baixo rendimento dos equipamentos utilizados pelas cooperativas e a pequena produção, que também é irregular, não conseguindo atender às exigências do mercado consumidor.

O representante da Conab no evento, Eduardo Soares, lembrou que o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), foi criado, em 2003, para adquirir, dispensando licitações, produtos do setor. A política resulta da pressão de movimentos sociais e permite que os pequenos produtores vendam diretamente ao governo, mantendo, assim, a cultura, os hábitos alimentares e os costumes das comunidades brasileiras.

Para ele, os maiores entraves aos produtos da agricultura familiar não estão relacionados à comercialização, mas sim à gestão. "O grosso da produção familiar não chega ao mercado, mas aduba a terra", provocou.


Por Rodrigo Farhat  
Fonte: Fundação Banco do Brasil
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