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Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social


Em sessão realizada durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), integrantes da RTS cobraram maior prioridade para as Tecnologias Sociais. Contribuições da Rede para o desenho de uma Política de Estado na área estão disponíveis em publicação lançada esta semana.

 Foto: Vinicius Carvalho
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Jeferson D'ávila (FBB) e Irma Passoni (ITS) debatem rumos das TSs durante IV CNCTI

27/05/2010 - Com a sala lotada, cerca de 250 pessoas assistiramnesta quinta-feira (27/05), em Brasília, a uma sessão histórica. Pela primeira vez no Brasil, uma Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI) abriu espaço para o debate sobre Tecnologias Sociais (TSs). Em sua quarta edição, a CNCTI tem como tema “Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação com vistas ao Desenvolvimento Sustentável”.

“A sociedade ainda não assumiu a centralidade que a ciência e a tecnologia têm para o desenvolvimento sustentável. É importante que as pessoas e as organizações que trabalham com TSs percebam a importância do que fazem e assumam o fato de que também são desenvolvedoras de tecnologia. Não de qualquer tecnologia, mas daquelas intensivas em conhecimento, poupadoras de recursos, geradoras de trabalho e renda e promotoras de inclusão social”, destaca a secretária-executiva da RTS, Larissa Barros.

Coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) – com a participação da RTS na comissão organizadora -, a Conferência tem como objetivo central a elaboração de diretrizes para a consolidação de uma Política de Estado de C&T baseada em quatro grandes eixos: 1) Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, 2) Inovação na Sociedade e nas Empresas, 3) Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas e 4) Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social, no qual estão inseridos os investimentos em Tecnologia Social.

Apesar dos recentes avanços na área, o analista da Finep Rodrigo Fonseca demonstra, em tese defendida na Unicamp, que ainda é longo o caminho para consolidar o eixo de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social. Em 2006, a área recebeu apenas 3% dos recursos destinados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o equivalente a R$ 35 milhões.

Já o eixo estratégico Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação amealhou 39% (R$ 428 milhões), seguido da Promoção da Inovação Tecnológica nas Empresas, com 32% dos recursos (R$ 352 milhões). O eixo estratégico Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas completa a lista com investimentos da ordem de R$ 275 milhões, ou 25% do total de recursos investidos pelos fundos setoriais.

“Ainda é muito pouco e não podemos ficar dependendo só de emendas parlamentares”, disse a gerente executiva do Instituto de Tecnologia Social (ITS), Irma Passoni. Segundo ela, a participação da sociedade será decisiva. “A preocupação com a ciência era um assunto fechado na academia até pouco tempo atrás. O que vale é o conhecimento como direito humano fundamental. Problemas que afetam o conjunto da sociedade devem ser discutidos e enfrentados por todos, e já temos maturidade para fazer esse debate”, destacou.

O que está em jogo, segundo ela, é o entendimento de que as tecnologias não são simples ferramentas neutras e sim construções sociais que

 Foto: Vinicius Carvalho
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 Integrantes da mesa cobraram maior transformação de TSs em políticas públicas
possuem características específicas dependendo do ambiente em que são concebidas. Por isso, diz, um dos elementos fundamentais que distingue as Tecnologias Sociais das Tecnologias Convencionais é o conceito de reaplicação. Nele, as tecnologias precisam necessariamente contemplar as especificidades locais e incentivar a criatividade de seus usuários, o que varia de lugar para lugar. Significa, ainda, a valorização de formas de conhecimento que não apenas o científico, como os conhecimentos tradicionais.

O caminho para transformar Tecnologias Sociais em políticas públicas pode ser longo, mas opções de TSs não vão faltar. A avaliação é do gerente de Parcerias, Articulações e Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil, Jefferson D'Ávila de Oliveira, que também participou da Conferência. “O tema ainda está longe do domínio público, mas já temos muitos casos bem sucedidos. Só o Banco de TSs da Fundação BB tem 571 experiências registradas”, lembra. Entre elas, ele destacou o sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), que já chegou a 8 mil famílias em todo o Brasil. “Ainda é pouco, mas se olhamos diretamente para as comunidades, vemos que os resultados são magníficos”, defendeu.

Caderno

Distribuída durante a CNCTI, a publicação Tecnologia Social e Desenvolvimento Sustentável é mais uma contribuição da RTS para a formulação de uma Política de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Com 14 artigos assinados por pesquisadores, gestores e jornalistas com reconhecida experiência no tema, a publicação destaca o papel estratégico das Tecnologias Sociais para a construção de outro modelo de desenvolvimento para o Brasil.

Para conferir a íntegra do caderno, clique aqui.

Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

 

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