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Catadores enfrentam condições degradantes de trabalhoSegundo estimativas do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), o Brasil realiza a reciclagem e compostagem de 11% de seus resíduos sólidos urbanos, índice superior ao de países como República Tcheca, Portugal, Argentina, Colômbia e Hungria. Em 2005, o volume reciclado teria sido de 5,7 milhões de toneladas, 760 mil toneladas a mais do que em 2004. Nesse total, as participações de alumínio, embalagem longa vida e papel cresceram, enquanto vidro e aço tiveram pequenas quedas. O avanço é explicado pelo elevado contingente de catadores no Brasil. Segundo estimativas do Cempre, são cerca de 800 mil catadores. De acordo com levantamento do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a maioria em condições degradantes de trabalho. Apenas 4% dos seus associados participam de empreendimentos organizados, ao passo que 74% vivem desarticulados e desprovidos de capital e qualquer tipo de equipamento de segurança individual. Entre as dificuldades encontradas hoje está a precariedade de dados e informações sobre os catadores de materiais recicláveis, problema que começa a ser enfrentado pelo MNCR por meio do cadastramento de associações. Outra dificuldade é a falta de estudos econômicos, ambientais e sociais da atividade da catação, o que impede um planejamento mais estratégico. Segundo o diretor do Centro de Estudos Socioambientais Pangea, Antônio Bunchaft, estes problemas são fortemente agravados pela falta de infra-estrutura e equipamentos básicos, provocando dificuldades em estocar a matéria-prima e a diminuição do valor de venda. Também conta contra a capacidade de negociação da categoria a existência de poucas experiências de comercialização centralizada, o que gera dificuldade de trabalhar em escala e superar os intermediários. Oportunidades Apesar das condições atualmente precárias, a atividade de catação de material reciclável é uma das principais estratégias de resposta ao combate à miséria dos grandes centros urbanos brasileiros. Parte deste otimismo está relacionado ao valor do posto de trabalho. Segundo estimativas do MNCR, são necessários R$ 2.785,60 para se criar um posto de trabalho numa cooperativa de catadores, ao passo que este valor sobe consideravelmente em outros pequenos e médios empreendimentos. É o caso, por exemplo, de uma pizzaria, que demanda R$ 5.472 para cada posto gerado. “A lógica da reciclagem não pode ser só ambiental, mas sócio-ambiental. É preciso apostar em Tecnologias Sociais que caminhem nesta direção”, avalia o coordenador de Tecnologias Sociais da Petrobras, Lenart Nascimento. Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal RTS |
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