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A força da semente crioula


Armazenar sementes em bancos comunitários tem sido a alternativa utilizada por 350 famílias de pequenos agricultores que moram no entorno do Distrito Federal. Além de contribuir para o desenvolvimento sustentável do Cerrado, iniciativa garante mais autonomia aos produtores e menos intermediários até a mesa do consumidor.

Foto: Fundação BB
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Banco garante lucro aos 350 pequenos agricultores associados.

29/01/2009
- Na próxima safra, em maio deste ano, o agricultor Levi Cerqueira vai colher 10 hectares de milho e três de arroz no assentamento da reforma agrária onde mora em Cristalina (GO), município próximo à capital federal. A plantação foi feita com os 100 quilos de sementes que seu Cerqueira tomou emprestado no início de 2008 no Banco Comunitário de Sementes Crioulas e Espécies Florestais Nativas do Cerrado. "Semente é caro, mas pegando confiado no Banco facilitou muito a vida da gente", afirma o pequeno produtor.

Para acertar as contas com a entidade, seu Cerqueira terá que reaver 200 sementes ao Banco logo após a primeira colheita. O coordenador-geral da Rede Terra, entidade que organiza a iniciativa, Luiz Carlos Simion, explica que os grãos devolvidos por Cerqueira vão possibilitar que dois novos trabalhadores rurais ingressem no programa na safra que vem. "Cada agricultor terá que retornar ao Banco o dobro de sementes que pegou e essas sementes serão repassadas para outros produtores", detalha.

Criado no início de 2008, o Banco combina a oferta de sementes com outros benefícios, garantindo lucro aos 350 pequenos agricultores associados. Uma parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assegura assistência técnica e a compra de parte da safra cultivada por eles. "É uma forma de ter certeza de que a produção vai ter saída. A nossa luta agora é para que isso continue", afirma Genivaldo Baraúna, que compartilha a posse coletiva do Assentamento Vitória com seu Cerqueira e outras 53 famílias.

Além de evitar prejuízos, a aquisição direta pela Conab ao preço do mercado desvia o agricultor da barganha feita por intermediários. "Se a gente sai da mão do atravessador, a gente consegue vender num preço mais justo, que vale o nosso suor", argumenta Baraúna. "Estamos conquistando nossa independência, mas precisamos de apoio neste começo. Aos poucos, a gente vai deixando de ser empregado pra virar patrão da gente mesmo", reforça Cerqueira.

Otimistas, os dois produtores vislumbram safras ainda melhores. "Daqui pra frente a semente só vai apurando, vai ficando melhor e mais resistente às intempéries da natureza", destaca Genivaldo, explicando que as variedades são plantadas em áreas isoladas umas das outras para evitar metamorfoses. "Assim, a semente crioula se mantém pura" justifica seu Cerqueira.

Na avaliação dos dois vizinhos, o próximo passo é diversificar a produção e conquistar uma renda melhor. "A gente quer partir para outras coisas e produzir o ano inteiro", planeja Genivaldo. O objetivo, diz, é continuar na seara das sementes crioulas e investir no plantio de feijão, além de outras espécies nativas do Cerrado. "A única dificuldade é que a semente crioula e ainda virgem é muito sensível e todo cuidado é pouco", destaca seu Genivaldo.

Segundo ele, um dos desafios para os pequenos agricultores é proteger as plantações dos efeitos de um vilão comum nas redondezas: o agrotóxico utilizado nas grandes fazendas. "Eles colocam os químicos e as pragas correm para a lavoura da gente. É um tormento", lamenta. A alternativa, conta, tem sido cultivar cercas-vivas. "Infelizmente, as vezes, não tem jeito e temos que usar alguma química também. Mas não é isso o que a gente quer", garante. Os técnicos da Rede Terra estimam que os agricultores lucrem, em 2008, cerca de R$ 24 mil.

Parcerias

Entre outros parceiros, a Rede Terra conta com o apoio da Fundação Banco do Brasil, que investiu no Banco Comunitário de Sementes Crioulas e Espécies Florestais Nativas do Cerrado cerca de R$ 26 mil. As sementes foram doadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O Banco Comunitário foi aprovado também pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), no âmbito do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS). Um dos critérios para escolha foi o uso sustentável da biodiversidade no Cerrado e ações que contribuam para o desenvolvimento de alternativas de organização, produção e comercialização destinadas a melhorara qualidade de vida das comunidades locais, valorizar e conservar os recursos naturais do bioma.


Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS (com a colaboração de Fernanda Barreto)

parabéns

Enviado por Vanessa Benaci em 14/10/2009 15:59
Parabéns por essa magnífica iniciativa!
Não posso deixar de ressaltar as palavras do próprio agricultor, quando diz "Aos poucos, a gente vai deixando de ser empregado pra virar patrão da gente mesmo". É a soberania alimentar e a dignidade de volta às mãos do produtor! Abraço, Vanessa - Curitiba

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