
EDITORIAL
DESENVOLVIMENTO LOCAL
Expo Brasil estimula mobilização democrática
OFICINA
Participantes da RTS discutem monitoramento e avaliação
ENTREVISTA
Lenart Nascimento / Petrobras
ARTIGO
Red de Tecnología Social y integración Latinoamericana
- Perspectiva desde Perú
EXPEDIENTE
Prezado/a leitor,
A Rede de Tecnologia Social (RTS) deu mais um passo importante neste mês de dezembro. De 3 a 5, foi realizada, em Natal/RN, a Oficina Nordeste de Identificação e Construção de Processos de Monitoramento e Avaliação. Na ocasião, houve muitos debates, troca de informações e reflexões sobre formas eficazes de se acompanhar e potencializar as ações da RTS. A Oficina aconteceu durante a VI Expo Brasil Desenvolvimento Local. Esta edição do “Notícias da Rede” traz informações sobre os dois eventos.
Aproveitamos para lembrar que termina, dia 11 de janeiro de 2008, o prazo para as inscrições de projetos sociais no processo de seleção pública do Programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras. O objetivo é contribuir para a redução da pobreza e das desigualdades e atuar em prol do desenvolvimento local, regional e nacional.
A Petrobras identificará e valorizará projetos que reaplicam Tecnologias Sociais mapeadas pela RTS, ou que desenvolvem novas tecnologias com potencial para inclusão na Rede. Este é o tema da entrevista concedida por Lenart Nascimento, coordenador de Tecnologias Sociais da Petrobras.
Além dessa entrevista, o informativo apresenta outros conteúdos.
Boa leitura!
Desejamos que 2008 proporcione realizações, estimule a criatividade e traga muita disposição para a continuidade da construção de um mundo melhor para todos/as!!!
Expo Brasil estimula mobilização democrática
| Foto: Divulgação Expo |
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| Abertura da Expo Brasil |
A abordagem do desenvolvimento local como mobilização democrática e produtiva dos territórios, com protagonismo dos agentes locais, foi o referencial que marcou a sexta edição da Expo Brasil Desenvolvimento Local. O encontro foi realizado em Natal/RN, de 3 a 5 de dezembro. Na ocasião, foram apresentados e discutidos projetos, programas e iniciativas abrangendo micro e mesorregiões, bacias hidrográficas, pequenos e médios municípios, grandes cidades e áreas metropolitanas de todas as regiões do país. Ao longo dos três dias, houve a participação de cerca de 2,5 mil pessoas.
Segundo o coordenador do encontro, Caio Silveira, esta edição da Expo Brasil conseguiu avançar nos seus principais objetivos. Além de produzir conhecimento relevante sobre alternativas de desenvolvimento com inclusão social e participação ativa das populações locais, a Expo tornou visíveis projetos e iniciativas concretas em andamento, com seus avanços e desafios. Também foram propiciadas novas articulações, parcerias e elos de rede com vistas a impulsionar o desenvolvimento com base territorial. Agora, o grande desafio, segundo Silveira, será fortalecer uma agenda estratégica de apoio ao desenvolvimento local/territorial para o país.
A próxima Expo Brasil Desenvolvimento Local será realizada no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá (MT), entre os dias 12 e 14 de novembro de 2008. Pela primeira vez, a definição de uma edição deste encontro ocorre com um ano de antecedência. Com a decisão, a Expo Brasil retorna ao Centro-Oeste, onde foi lançada (Brasília – 2002). As outras edições da Expo aconteceram em 2003 (Belo Horizonte/MG), 2004 (Olinda/PE), 2005 (Fortaleza/CE), 2006 (Salvador/BA) e 2007 (Natal/RN).
| Foto: Yêda Mello |
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| Feira de produtos na Expo Brasil |
INFORMAÇÕES - Mesmo após o encerramento das atividades da VI Expo Brasil no Centro de Convenções de Natal, os/as interessados/as no tema “desenvolvimento local” continuarão tendo acesso a informações sobre o evento. Além da continuidade do boletim eletrônico “Notícias da Expo Brasil”, é possível acessar o sítio www.expobrasil.org.br, onde há pelo menos 60 textos, entre registros de mesas e painéis, artigos de especialistas e apresentação de iniciativas presentes ao encontro de Natal.
Mais de dez jornalistas entre repórteres da Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits), assessores de imprensa da Expo Brasil e assessores de comunicação de instituições parceiras se dividiram na cobertura. O desenvolvimento de um projeto de TV aberta e integrada, que deu visibilidade a todas as ações desenvolvidas durante os três dias do encontro, também foi outro ponto forte da comunicação do evento em 2007.
Contato: noticiasexpobrasil@gmail.com
Fonte: www.expobrasil.org.br
Participantes da RTS discutem monitoramento e avaliação
| Foto: Yêda Mello |
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| Participantes da Oficina |
“Nenhum de nós é tão bom e tão inteligente quanto todos nós...” (M. Ferguson). Esta foi a filosofia da Oficina Nordeste de Identificação e Construção de Processos de Monitoramento e Avaliação. O encontro foi realizado pela RTS, de 3 a 5 de dezembro, em Natal/RN, durante a VI Expo Brasil Desenvolvimento Local. Na ocasião, 40 integrantes da Rede - envolvidos com projetos de reaplicações de Tecnologias Sociais na região - participaram de debates, troca de informações e reflexões sobre formas eficazes de se acompanhar e potencializar as ações da RTS.
A Oficina realizada em Natal/RN foi parte das atividades que vêm sendo desenvolvidas pelo Grupo de Monitoramento e Avaliação da RTS (GT de M&A) em parceria com o Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (Forproex), por meio do projeto “Monitoramento e Avaliação das Ações da RTS: um processo de construção coletiva”, patrocinado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
No primeiro dia de atividades, houve relatos das seguintes experiências de reaplicação de Tecnologias Sociais:
• Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semi-Árido: Uma Terra e Duas Águas (P1+2)
• Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Sistema Pais)
• Projeto Abelhas Nativas
• Mini-fábricas de beneficiamento de castanha-de-caju
• Barraginhas
• Incubadoras de Empreendimentos Solidários
• Energia Renovável
As atividades do segundo dia tiveram início com a mesa-redonda sobre “Monitoramento e Avaliação: os caminhos para a consolidação de políticas públicas”. Na ocasião, Rodrigo Fonseca, analista da Finep, resgatou a trajetória da RTS, lançada em abril de 2005. Lembrou que, desde seu primeiro momento, a Rede visa contribuir com “uma proposta de desenvolvimento não hegemônico, contra a lógica atual, que é excludente, formadora de desigualdades. Dentro desse contexto, é importante discutir o papel da tecnologia”.
Fonseca também ressaltou que a RTS precisa mostrar seus resultados. “Tal iniciativa é um forte argumento na disputa por um desenvolvimento alternativo, no Brasil. Além disso, a demonstração faz com que determinadas Tecnologias Sociais sejam transformadas em políticas públicas”.
Em seguida, a pró-reitora de extensão e interiorização da Ufam, Márcia Perales Silva, fez sua apresentação explicando a estratégica metodológica das oficinas de monitoramento e avaliação, no âmbito da RTS; a interlocução entre a Rede e o Forproex; a importância de princípios coletivos, tais como equidade, empoderamento, produtividade, inclusão etc.; e os processo e a potencialização de uma rede, dentre outros assuntos.
| Foto: Yêda Mello |
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| Trabalho em grupo na Oficina |
Em sua reflexão sobre o bom funcionamento de uma rede, Márcia ressaltou que é preciso mais que boas práticas: “Para que uma rede funcione, é necessário haver viabilidade financeira, técnica, política e social. Esse conjunto de condições é fundamental para que a rede possa se fortalecer e as articulações sejam construídas de forma mais constante”.
Quanto aos processos de avaliação, Márcia afirmou que trata-se de uma obrigatoriedade entendida a partir de uma dinâmica pedagógica: “Esse trabalho exige necessariamente o envolvimento de cada integrante. A avaliação não é um exercício desinteressado e neutro, pois implica, por exemplo, em decisões políticas”.
Ainda durante a Oficina, os/as participantes dividiram-se em grupos para tratar das seguintes temáticas:
- Geração de emprego e renda + Tecnologias Sociais
- Mobilização e participação comunitária + difusão/articulação + M&A
- Dinâmica de rede + envolvimento das universidades
No último dia de Oficina, houve uma plenária final onde cada grupo apresentou suas preocupações, desafios e propostas. O conteúdo subsidiará o Sistema de Monitoramento e Avaliação, em construção pelo Forproex, com o apoio da Finep. “O Sistema será um software, mais amplo que um banco de dados. Será possível acessar informações sobre as ações da RTS e projetos de reaplicação de Tecnologias Sociais. Também será possível emitir relatórios”, explica Márcia.
PRÓXIMOS PASSOS - De 14 a 16 de janeiro, acontecerá a Oficina Norte de Identificação e Construção de Processos de Monitoramento e Avaliação, em Manaus/AM. “Vamos fazer a próxima oficina, sobre M&A, com uma nova perspectiva, a partir da aprendizagem que tivemos em Natal. A partir daí, levaremos os resultados ao GT de Monitoramento e Avaliação para encaminharmos outras dimensões desta iniciativa”, explica o professor-doutor e coordenador do projeto, Targino de Araújo Filho.
Outras Informações
Oficinas de M&A - RTS
E.mail: targino@ufscar.br
Fone: (16) 3351-8236 – ramal 9235
Clique aqui para ver fotos da Oficina Nordeste de Identificação e Construção de Processos de Monitoramento e Avaliação.
Clique aqui para ler a Síntese dos Grupos de Trabalho da Oficina. O documento está em construção e será aprimorado após a Oficina que acontecerá em Manaus/AM.
Por Michelle Lopes – Assessoria de Comunicação da RTS
| Foto: Yêda Mello |
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| Lenart Nascimento |
Termina, dia 11 de janeiro de 2008, o prazo para as inscrições de projetos sociais no processo de seleção pública do Programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras. Cada instituição poderá solicitar até R$ 690 mil para implantação e desenvolvimento do projeto pelo período de um ano. Há possibilidade de estender o apoio por até 24 meses.
A inscrição na seleção pública do Desenvolvimento & Cidadania Petrobras é gratuita e deverá ser feita somente no endereço
www.petrobras.com.br/desenvolvimentoecidadania. Serão aceitos projetos sob responsabilidade de organismos governamentais, não governamentais e comunitários, legalmente constituídos no país, que atuem no Terceiro Setor brasileiro.
O coordenador de Tecnologias Sociais da Petrobras, Lenart Nascimento, concedeu uma entrevista sobre o Programa Desenvolvimento & Cidadania. Confira, a seguir:
RTS – A Petrobras, em seu novo programa social, afirma que projetos que envolvam Tecnologias Sociais serão priorizados. Qual a importância desse critério?
Lenart – É uma forma de a Petrobras, além de sua participação na Rede de Tecnologia Social, reconhecer e incentivar o recebimento de projetos que compreendam a reaplicação de TSs. A questão da Tecnologia Social é um critério de desempate.
Mais importante que esse critério é que as características das Tecnologias Sociais, envolvendo processos participativos, troca de saberes etc, são privilegiadas pelos outros critérios do Programa. Por exemplo: a metodologia sistematizada, o envolvimento da comunidade na discussão do problema e na proposta da solução. Enfim, acho que naturalmente surgirão Tecnologias Sociais entre os finalistas.
RTS – As Tecnologias Sociais e as características que existem nesse tipo de iniciativa contribuem para o sucesso dos programas que a Petrobras pretende apoiar?
Lenart – Contribuem e esse é o nosso compromisso. Não somente a seleção pública é um dos espaços de identificação de Tecnologias Sociais, como também parcerias entre a Petrobras e instituições, no âmbito da Rede de Tecnologia Social. Vale comentar o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, onde somos parceiros desde 2005. Naquele ano, as finalistas foram contempladas com projetos de reaplicação de Tecnologias Sociais, com um investimento total de cerca de R$ 5 milhões, por parte da Petrobras.
Este ano, esse compromisso se reforça. A Petrobras prioriza essas iniciativas. Da mesma maneira que a Petrobras receberá projetos excelentes, a Fundação Banco do Brasil também recebeu ótimas propostas, por meio da quarta edição do Prêmio, realizada este ano. Creio que a Petrobras apoiará várias delas.
RTS - O Programa Petrobras Fome Zero já considerava as Tecnologias Sociais no seu regulamento. A empresa chegou a avaliar e discutir em que medida esse item foi positivo?
Lenart – A maioria das experiências que foram reconhecidas como Tecnologias Sociais apresenta resultados positivos. Percebemos, então, que estávamos no caminho certo e que tínhamos de ampliar essa participação da Tecnologia Social entre os nossos projetos. Por quê? Porque partimos da seguinte premissa: é uma ação que já deu certo em algum território e que tem uma metodologia, tem uma forma de desenvolvimento já consagrada. Logicamente, precisa ser rediscutida, adaptada em outro contexto. Mas já tem um ponto de partida.
Como a metodologia é participativa, corrobora para outros critérios que a Petrobras já tinha, tanto no Programa anterior, quanto no Programa atual, cujo diferencial é o foco ainda maior na juventude e o estabelecimento de um conjunto de indicadores para mensurar nossa ação. Para se ter idéia, colocamos uma meta de que 50% do total dos projetos apoiados - de 2007 a 2012 - sejam desenvolvidos com jovens. Logicamente, não estamos excluindo os outros segmentos.
Mas, quem são os multiplicadores que desenvolvem as Tecnologias Sociais, nas comunidades? Normalmente, os jovens. Seja na agricultura familiar, com os técnicos agrícolas, seja em outro segmento. Normalmente, é o jovem que leva, introduz novas práticas de manejo, de transformação. Então, o foco envolvendo os jovens foi a conseqüência da nossa ação com as Tecnologias Sociais.
RTS – O senhor participou da segunda caravana social - iniciativa da Petrobras para divulgação do Programa. Quais foram suas impressões sobre essa estratégia?
Lenart – Ano passado, quando fizemos a caravana social para o último ano do Programa Petrobras Fome Zero, esta iniciativa já estava demandada pela sociedade e tinha que ser contemplada. As experiências foram fantásticas. Neste ano, dentro do contexto do Programa Desenvolvimento & Cidadania, eu fui à caravana de Belo Horizonte/MG.
É muito importante ouvir as dúvidas, ver o nível das questões. Às vezes, muitos projetos enviados à Petrobras saem do processo seletivo na primeira fase, que consiste na avaliação administrativa, onde verifica se o projeto está em conformidade com a linha da empresa, se os documentos estão completos, se tudo foi preenchido, se o orçamento foi enviado, se há todos os anexos necessários.
Ano passado, praticamente 1500 projetos foram excluídos por causa disso. Então, a caravana social tem essa função. Ainda não chega a todos. Mas é uma tentativa de aproximação, por parte da Petrobras. Esse ano, a grande novidade é que também estamos com a caravana virtual, um chat na página da Petrobras onde as pessoas podem tirar dúvidas. E mais: temos uma campanha de divulgação, utilizando o rádio, principalmente.
Esperamos alcançar um número maior e, de modo democrático, possibilitar mais acesso às pessoas. Acho que estamos no caminho certo, apesar de ter muito chão para andar.
Por Michelle Lopes – Assessoria de Comunicação da RTS
| Arquivo Pessoal |
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| Carlos Vega Ocaña |
A Rede de Tecnologia Social (RTS) foi tema de apresentação em Lima, no Peru, durante a Oficina de Formação de Formadores em Empreendimentos Econômicos para Povos Indígenas, realizada de 19 a 23 de novembro. O encontro foi uma iniciativa do Programa Euro Social – Empleo, do Sector Empleo e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como mais uma etapa do Programa Regional para a Coesão Social na América Latina.
O empresário e empreendedor social Carlos Vega Ocaña foi um dos participantes. Ele, que também é presidente do InbiaPerú e facilitador de la Red Biocomunitaria Chachapoya, manifestou grande interesse em articular-se com a RTS.
O artigo a seguir, redigido no idioma espanhol, apresenta suas primeiras reflexões sobre a importância das Tecnologias Sociais para países latino-americanos, como Brasil e Peru.
Red de Tecnología Social y integración Latinoamericana
Perspectiva desde Perú
Con profundo interés y satisfacción observamos como en Latinoamérica se van gestando iniciativas como, las de la Red de Tecnología Social (RTS) que rescatan a las Tecnologías Sociales, como estrategia de desarrollo e integración de distintos agentes sociales, convirtiéndose en herramientas útiles para contribuir a la promoción del desarrollo sostenible mediante la reaplicación, en escala, de Tecnologías Sociales...
Por Ing. Carlos Vega Ocaña, empresario, emprendedor social y conservacionista, presidente del Instituto para el desarrollo local sostenible y la conservación de la diversidad biológica y cultural andina amazónica – InbiaPerú, facilitador de la Red Biocomunitaria Chachapoya.
Contato: cvegao3@yahoo.es / inbiaperu@yahoo.es
Clique aqui para ler o artigo na íntegra.
NOTÍCIAS DA REDE é o informativo eletrônico da Rede de Tecnologia Social (RTS) que reúne, organiza, articula e integra um conjunto de instituições, com o propósito de promover o desenvolvimento sustentável, mediante a difusão e a reaplicação em escala de Tecnologias Sociais.
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