Brasília, 13 de abril de 2007 - Ano 03 - Nº 20 
CONTEÚDO
Aniversário
RTS consolida-se como referência em Tecnologias Sociais
Depoimentos
Amigos/as e parceiros/as da RTS
Reaplicação
ASA lança programa no Semi-Árido
Entrevista
Ignacy Sachs
Prêmio 1
Prêmio FBB de Tecnologia Social

Prêmio 2
Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica

 

Editorial

Cara/o leitor,

Neste mês de abril, a RTS completa dois anos.
Durante esse período, foram vários os passos que conseguimos dar e são muitos os desafios que temos pela frente.

Temos certeza de que, juntos, poderemos avançar muito mais na construção de um país sustentável, a partir da difusão e da reaplicação de Tecnologias Sociais. Essa conquista será possível a partir do estabelecimento e fortalecimento de relações em rede cada vez mais democráticas, horizontais e dialógicas.

A fim de marcar esse momento comemorativo, a RTS produziu o seu Relatório Bienal e o documento-registro do 1º Fórum Nacional da RTS (anais), acompanhado por um vídeo-registro do evento. Os produtos serão disponibilizados em nosso Portal, nos próximos dias.

Esses materiais têm por objetivo dar publicidade às principais ações realizadas no âmbito da Rede. É um registro de nossa história e, ao mesmo tempo, uma forma de dar transparência às informações acerca do que se faz e do quanto se investe na difusão e reaplicação de Tecnologias Sociais, a partir da RTS.

Queremos, ainda, estimular a realização de novos debates, proporcionando mais vida e dinâmica em nossas atividades, inclusive com a criação de fóruns virtuais, no Portal. Ainda neste mês, daremos início às atividades na Comunidade Virtual. Fiquem atentos/as e não deixem de participar.

Dessa forma, queremos comemorar esses dois primeiros anos de vida da Rede de Tecnologia Social e reforçar os laços, conexões e responsabilidades entre todas e todos que fazem essa rede do bem.

Boa leitura!


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Aniversário


RTS consolida-se como referência em Tecnologias Sociais

Foto: Roberta Guimarães  
 

Oficina Regional da RTS: a construção da Rede

 

Neste sábado, 14 de abril, a Rede de Tecnologia Social (RTS) completará dois anos de existência. Quando lançada, em 2005, cerca de 30 instituições estavam associadas. Hoje, 478 integram a RTS, incluindo representantes da Colômbia, Venezuela e França. A adesão crescente legitima, cada vez mais, a Rede como uma referência em Tecnologias Sociais (TSs).

Compõem a RTS entidades de todas as regiões do Brasil, representando a sociedade civil organizada, as universidades, o empresariado e o governo – em esferas federal, estadual e municipal. Dessa forma, diversas parcerias estão sendo firmadas, onde os potenciais das instituições se complementam.

A idéia de se criar uma rede surgiu do entendimento comum a várias pessoas e instituições que trabalham com a interação entre projetos sociais, geração de trabalho e renda e fomento tecnológico. Para elas, as soluções dos principais problemas do país e as conseqüentes experiências de sucesso ainda ficavam restritas a algumas localidades e eram marcadas por ações que possuíam poucas conexões entre si, resultando na pulverização de recursos.

Com o propósito de contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável, a RTS atua em duas frentes: difusão e reaplicação de Tecnologias Sociais.

Para as ações de difusão, têm sido utilizados diversos canais de comunicação. Todas as Tecnologias Sociais, de qualquer parte do país, são consideradas nesse processo.

Já em relação à reaplicação, no biênio 2005-2006 foi definido o apoio a iniciativas capazes de gerar trabalho e renda. No período, as mantenedoras da Rede investiram R$ 60 milhões em Tecnologias Sociais.

No biênio 2007-2008, o compromisso das instituições é ampliar ainda mais a escala de reaplicação das TS que têm obtido diversos resultados, promovido a inclusão e melhorado a qualidade de vida de milhares de pessoas e famílias.


Tecnologias Sociais apoiadas pela RTS

Amazônia Legal
-Certificação socioparticipativa de produtos agroextrativistas
-Meliponicultura
-Manejo comunitário de camarão de água doce

Periferia de grandes centros urbanos
-Incubação e apoio a empreendimentos solidários
-Urbe – Apoio a empreendimentos solidários em regiões metropolitanas
-Reciclagem de resíduos sólidos
-Hortas comunitárias

Semi-árido
-Agentes de Desenvolvimento Rural - ADR
-Pais - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável
-Minifábricas de beneficiamento de castanha-de-caju
-Bancos Comunitários - Transferência da TS do Banco Palmas para outros municípios
-Sistemas de captação de água para produção: barraginhas, barragem subterrânea, tanques pedra
-P1+2 – Programa Uma Terra e Duas Águas


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Depoimentos

 

A seguir, reflexões de amigos/as e parceiros/as sobre a importância da RTS:

Caio Magri
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

Esses dois anos de RTS significam, para o movimento de responsabilidade social empresarial, uma oportunidade muito grande de trazer, na prática, a contribuição das empresas para o desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade de se relacionar de forma inovadora com as comunidades. Parabéns!
Márcia Maina
Associação Arayara

Vemos a RTS como parceiros potenciais para a divulgação de tecnologias e para o desenvolvimento de novos projetos. Nós, da Associação, percebemos que somos participantes de um espaço de encontro para criação e disseminação de conhecimentos e práticas relacionadas à sustentabilidade.
Rosângela Tavares
Projeto Arte Sim

Para nós, a RTS é uma rede integradora, divulgadora e articuladora de organizações que trabalham numa alternativa socioeconômica e cultural. E a Arte Sim é parte de um grupo que tem oportunidade de aprender e condições de contribuir com sua experiência.

Lúcia de Fátima Guerra
Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras

A avaliação que fazemos é extremamente positiva desse caminhar da RTS, se fortalecendo e ampliando as suas parcerias. Na Rede, as universidades públicas têm contato com associações, organizações da sociedade civil e organismos governamentais. É uma articulação de instituições que são diversas, mas com um ponto em comum: a Tecnologia Social como um meio para a transformação da sociedade brasileira.
Briolanjo Castilholi
Além Mar Tecnologia

Visualizamos a RTS como uma central integradora e mediadora de tecnologia e de projetos. Quanto à nossa participação, posicionamo-nos como fornecedores de Tecnologia Social, para governos do mundo inteiro que desejarem combater a fome e a desnutrição dos povos; aumento da agricultura familiar em renda e de programas auto-sustentáveis. Estamos buscando parcerias para nossos projetos.

Luis Fumio Iwata
Fundação Banco do Brasil

Falar dos dois anos da RTS tem um caráter muito especial. Estamos nessa discussão desde o início. Do lançamento, em 2005, até os dias atuais, houve um amadurecimento muito grande em cima dessa lógica da Tecnologia Social. Boa parte se deu pelo fato de ter sido criada a RTS. Isso possibilitou que mais instituições entrassem na discussão e vissem que essa é uma alternativa interessante para se trabalhar na lógica social. A tendência da Rede é só crescer.

Pastor Newton Figueira
Agência de Desenvolvimento, Trabalho e Renda
A RTS é uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento de arranjos produtivos locais e inclusão social. A Rede também é um instrumento de geração de emprego e renda, e estímulo à cidadania plena, bem como disseminação de novos programas sociais. Nossa instituição sempre se coloca como parceira da RTS, na disseminação de Tecnologias Sociais.


Alberto Lopes
Rede GTA

A RTS traz uma possibilidade de multiplicarmos nossas experiências e trazermos novas iniciativas para o interior da Rede. Nesses dois anos, conseguimos essa dinâmica. No primeiro ano, houve muito planejamento. Agora, já estamos atuando, de forma articulada. Estamos assumindo, com o Comitê Coordenador da Rede, uma responsabilidade imensa com populações tradicionais de diversos lugares, inclusive de minha região que é a Amazônia.
Paulo Magalhães
Caixa Econômica Federal

A RTS foi construída a partir de uma articulação interinstitucional muito voltada para as ações de governo. Nesses dois anos, o mais importante foi o fato de a Rede ter se enraizado na base dos organismos societários não-governamentais. É fundamental ter, na RTS, a presença de instituições comunitárias, ONGs, entidades privadas e outras entidades do território nacional.
Josi Malheiros
Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas

Vemos a RTS como uma entidade que articula e que pode dar visibilidade para as tecnologias existentes. A Amazônia precisa que os amazônidas permaneçam cada vez mais fortalecidos. E a Rede nos fortalece por sabermos que somos alguém. Estamos trabalhando juntos e contribuindo para o desenvolvimento adaptado com as especificidades de cada local.

Maria Betânia Sousa
Articulação no Semi-Árido Brasileiro - ASA

Para nós, que compomos a ASA, fazer parte do Comitê Coordenador da RTS é um prazer, porque estamos fortalecendo as ações e as experiências. Durante esses dois anos, percebemos a importância da Rede para a potencialização de nossas iniciativas. Nos sentimos felizes por fazer parte dessa Rede que articula, agrega, fortalece, inova e ousa.
Marcelo Rocha
Associação Horizontes

A RTS é um importante pólo disseminador do conceito de Tecnologia Social e um ambiente propício à troca de experiência entre empresas e organizações da sociedade civil. E nós somos uma entidade como as demais, com alguma experiência para compartilhar e muitos ensinamentos a absorver.

Alzira Vieira
Sebrae

Eu quero parabenizar pelos dois anos dessa Rede, tão jovem e já tão robusta, pela ousadia de ter promovido uma ação de convergência de muitas instituições que isoladamente já atuavam pelo país, mas que juntas têm um resultado muito mais efetivo.
Rodrigo de Méllo Brito
Aliança Empreendedora

A Aliança Empreendedora vê a RTS como um ambiente de divulgação, troca/ compartilhamento e desenvolvimento de Tecnologias Sociais. A Rede também é uma vitrine e ponte entre empresas, ONGs e governos, que se encontram e interagem a partir de interesses comuns. Somos colaboradores e usuários na medida que compartilhamos nosso conhecimento e projetos, ao mesmo tempo que usufruímos de contatos e experiência de outras organizações.


Aldalice Otterloo
Abong

A RTS conseguiu mostrar que é possível reunir diferentes atores que historicamente não dialogavam entre si, como empresas, governos, sociedade civil e universidades. Além disso, potencializamos as ações de enfrentamento das desigualdades sociais. Os territórios que nós abrangemos – Amazônia, Semi-árido e periferias de grandes centros - precisam ser vistos com prioridade. Também é preciso trazer as populações excluídas para o centro do debate.

José Antonio Ribeiro
Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas

A RTS é um espaço de troca de experiências e fortalecimento mútuo entre diversas instituições públicas e da sociedade civil. Também há debates entre as instituições para que as Tecnologias Sociais sejam transformadas em políticas públicas. O CAA-NM procura ser um membro ativo dentro da Rede, não só participando dos encontros e reuniões, mas também divulgando as Tecnologias Sociais.


Antônia Marta de Souza
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro
A RTS é um espaço muito importante de troca de saberes e experiências. O CDDHAC se sente parte dessa Rede porque, desde sua criação, vem investindo no ser humano com vista à transformação social. Queremos contribuir com a RTS na difusão e efetivação de experiências positivas no sentido de garantir e um público mais amplo o acesso ao desenvolvimento local.


Marcus Villarim
Ministério do Desenvolvimento Social

A RTS tem sido, nesses dois anos da sua criação, um novelo, que envolve uma idéia básica fantástica, cujos pontos estão sendo construídos devagar, democrática e amigavelmente, em um processo de aprendizagem recíproca, inigualável, que seguramente gerará uma trama inquebrantável.


Marco Telles
Finep

O segundo aniversário da RTS significa a consolidação de um trabalho que começou bem antes destes dois anos, do qual a Finep se orgulha de ter participado. Neste curto período de existência, a Rede gerou frutos e vem realizando o seu potencial de articulação e de geração de sinergia entre o trabalho das instituições integrantes. Agora, o potencial para os próximos anos é ainda maior.

Por Cláudia Mohn e Michelle Lopes

Reaplicação

ASA lança programa que discute produção de
alimentos no Semi-Árido

Foto: Arquivo ASA
 
Barragem subterrânea, um exemplo de Tecnologia Social

A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) lançará, no próximo dia 17, no município de Soledade/PB, o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). O foco é a promoção da segurança alimentar e geração de renda dos agricultores e agricultoras familiares, a partir do acesso e manejo sustentáveis da terra e da água para a produção de alimentos.

O Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) é desenvolvido pela ASA em parceria com a Petrobras e Fundação Banco do Brasil, com apoio da Rede de Tecnologia Social (RTS).

As atividades desta primeira etapa do P1+2, chamada projeto demonstrativo, serão desenvolvidas em 60 municípios de 10 estados (AL, BA, CE, MA, MG, PB, PE, PI, RN, SE), através da sistematização, intercâmbio e implementações de 144 experiências de captação da água para produção agrícola familiar. Essas experiências são baseadas em quatro tecnologias: tanque de pedra, barragem subterrânea, cisterna calçadão e barreiro trincheira, que beneficiarão 818 famílias. Já as atividades de formação irão atender 3.074 famílias.

O P1+2 valoriza o conhecimento popular do/a agricultor/a, que durante anos vem mostrando que é possível conviver com o Semi-Árido, por meio de tecnologias simples, baratas e eficientes.

Lançamento - Cerca de 300 pessoas entre agricultores/as, representantes do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Petrobras, Fundação Banco do Brasil, Prefeitura Municipal, RTS, parceiros e técnicos da ASA devem participar do evento.
Na ocasião, será possível conhecer as barragens subterrâneas de três famílias agricultoras e experiências comunitárias, como o trabalho do grupo de mulheres de Lajedo de Timbaúba - no beneficiamento de frutas e vegetação nativa, e o Banco de Sementes Comunitário - onde são armazenadas sementes crioulas que garante ao agricultor autonomia produtiva e segurança alimentar.

Uma Feira de Saberes e Sabores será instalada no local, onde agricultores/as de outras regiões do Semi-Árido terão oportunidade de falar sobre suas experiências, e comercializar sua produção agroecológica.

Outras Informações

Endereço eletrônico:
asa@asabrasil.org.br
Fone: (81) 2121-7666 ou 9913-3044
Portal: www.asabrasil.org.br

Fonte: Assessoria de imprensa da ASA

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Entrevista

Ignacy Sachs

 
Foto: Cláudio Reis/UnB Agência
 
 
Ignacy Sachs

Em viagem ao Brasil, Ignacy Sachs fez diversas palestras sobre os desafios da humanidade, modelos alternativos de energia e questões ligadas ao mundo do trabalho, dentre outros assuntos. Também participou de reuniões e visitou experiências inovadoras.

O eco-sócio-economista, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, tem sido um dos grandes entusiastas das Tecnologias Sociais. Quando esteve em Brasília, concedeu uma entrevista exclusiva à Secretaria Executiva da RTS. Leia, a seguir, os principais trechos:

RTS – Quais são os principais desafios do Brasil, neste início de século?
Sachs - Eles são os mesmos do resto do mundo. Eu diria que são três. Temos de enfrentar as mudanças climáticas que podem trazer conseqüências graves e irreversíveis. Devemos fazer força para nos livrar da geopolítica exclusiva do petróleo que constitui uma ameaça permanente à paz. E devemos enfrentar o déficit agudo de oportunidades de trabalho decente. Em particular, repensar fundamentalmente o futuro das zonas rurais.

RTS - Modelos alternativos de energia estão na pauta. Como o senhor avalia as reflexões e encaminhamentos que estão ocorrendo no país?
Sachs - Não resta dúvida que é uma enorme janela de oportunidade que se abre para o Brasil. Mas devemos pensar no modelo social que vai resultar dessa nova expansão da agroenergia e nas políticas públicas necessárias para que esse modelo social contribua para a solução do problema de oportunidades de trabalho e não seja apenas uma resposta ao problema do desafio climático.

Eu espero que a nova fase de desenvolvimento da energia, da agroenergia, não venha a se transformar num gigantesco Pró-álcool, que foi um grande sucesso técnico, um grande sucesso econômico, mas que contribuiu para o fortalecimento do modelo excludente e concentrador.

Também precisamos pensar até que ponto a expansão do etanol e, sobretudo, do biodiesel pode fortalecer a economia rural.

RTS - Um novo modelo deve, então, considerar a agricultura familiar?
Sachs - Não dá para omitir mais um debate sobre uma nova fase do desenvolvimento rural. Aquela transição que os países hoje industrializados fizeram do rural-agrícola para industrial-urbano, deixando pouquíssima gente trabalhando na terra, não vai funcionar mais no século 21 por três razões. No século 19 e começo do século 20, os países hoje industrializados puderam exportar dezenas de milhões de camponeses para as Américas. Em segundo lugar, no século 20, o mais bárbaro da história da humanidade, dezenas de milhões de camponeses foram massacrados nas duas guerras mundiais e nos campos de concentração. Terceiro, os que vinham para a cidade eram absorvidos por uma indústria criadora de oportunidade de trabalho.

Hoje, estamos uma fase de desindustrialização, como dizem os demógrafos. Ou seja, a indústria cresce, é importante, exporta, mas não emprega. Portanto, ainda estamos com metade da humanidade vivendo nas zonas rurais. Com 5% e uma agricultura altamente mecanizada e moderna, eles poderiam produzir todos os alimentos necessários. Só que restaria a resolver o problema de 45% da população do mundo. Jogá-los nas favelas não é uma solução. Ou encontramos um novo modelo de desenvolvimento rural, ou veremos as favelas enchendo cada vez mais.

Um novo modelo tem que ser gerador de oportunidades de trabalho decente. O mercado que se abre para a agroenergia é uma janela de oportunidade se a gente conseguir articular essa resposta dentro de uma visão de desenvolvimento rural integrado, no qual a produção da bioenergia vem consorciada com outras atividades exigindo bastante mão-de-obra e gerando uma renda satisfatória.

RTS - Em que medida as Tecnologias Sociais podem contribuir?
Sachs - Elas têm um nicho essencial na busca de soluções que têm oportunidades em número suficiente de trabalho. Temos de olhar como compensamos atividades de alta intensidade tecnológica e pouquíssima geração de empregos com outras atividades que são mais intensivas em mão de obra, mas não deixam de ser intensivas em conhecimentos.

É essencial que a gente vá solucionando a equação que é intensiva em conhecimentos e intensiva em mão de obra, poupadora dos recursos escassos, solos, água, bosques, e poupadora do capital financeiro porque não temos grande quantidade desse capital. Essa é a equação. Dentro dessa lógica, tudo o que for bem pensado, ou seja, intensivo em conhecimentos, intensivo em mão de obra, e poupador dos recursos merece uma atenção especial. Essas são as tecnologias que vocês chamam de Tecnologias Sociais.

RTS - O senhor tem acompanhado a reaplicação de Tecnologias Sociais. Como avalia as ações em andamento?
Sachs - Penso que o Pais (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) é um excelente projeto. Mas, a meu ver, deve ser diversificado. Provavelmente, não é um modelo, mas uma família de modelos que tem de ser adaptada para atender as diversas situações que encontramos em diferentes regiões do país, em diferentes ecossistemas. Não é possível fazer a mesma coisa na Amazônia e no Rio Grande do Sul. Portanto, eu acho que, frente ao Sistema Pais, há dois objetivos simultâneos: sua diversificação e os acréscimos de zeros. Ou seja, a beleza dos projetos de Tecnologias Sociais é que eles permitem pensar numa multiplicação rápida da escala. Mas isso não se fará por si só.

Uma vez que um projeto como o Pais foi testado com resultados positivos, ele precisa ser desdobrado numa série de Pais diferentes. Além disso, não é unicamente um projeto rural. Pode ser um projeto urbano e até um projeto de agricultura urbana. Há áreas que deveriam ser aproveitadas para se evitar a favelização de espaços. Portanto, Pais rurais, periurbanos, até urbanos, desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul, seriam uma enorme variedade.

Por Larissa Barros e Michelle Lopes – Secretaria Executiva da RTS


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Prêmio 1


Prêmio FBB de Tecnologia Social

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. A Edição 2007 vai premiar, com o total de R$ 400 mil, Tecnologias Sociais que resolvam questões relativas à água, alimentação, educação, energia, habitação, meio ambiente, renda e saúde. As inscrições para o Prêmio podem ser realizadas até 15 de junho por empresas públicas, governos municipais e estaduais, instituições de educação, institutos e organizações não governamentais (ONGs).

A premiação foi criada para identificar e difundir Tecnologias Sociais. O conceito compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade, que representem soluções efetivas de transformação social.

A quarta edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social é realizada em parceria com a Petrobras, com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e a KPMG Auditores Independentes.

Somente serão certificadas e concorrerão às premiações, Tecnologias Sociais já implementadas, com resultados comprovados e sem fins comerciais.

Etapas – A Edição 2007 concederá oito premiações, das quais cinco para a categoria “Região” – um para cada região geográfica do país –, um para a categoria “Aproveitamento/tratamento de rejeitos/resíduos/efluentes de processos produtivos”, um para a categoria “Direitos da Criança e Adolescente” e um para a categoria “Gestão de Recursos Hídricos”.

O Prêmio é dividido em três etapas. Todas as inscrições participam da primeira, a certificação. As certificadas, além de concorrer à etapa seguinte, de seleção, integram o Banco de Tecnologias Sociais e recebem o Certificado de Tecnologia Social conferido pela Fundação Banco do Brasil, Unesco e Petrobras.

Na etapa de seleção, após análises de mérito, efetividade e resultado, as três tecnologias com maior pontuação, por categoria, vão ao julgamento final e recebem o troféu “Finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social – Edição 2007”.

As tecnologias finalistas selecionadas na etapa anterior serão analisadas segundo novos critérios: inovação, exemplaridade, transformação social e potencial de reaplicabilidade. A que obtiver a maior pontuação média, em cada categoria, será declarada vencedora. As oito instituições responsáveis pelas Tecnologias Sociais vencedoras vão receber R$ 50 mil, cada, para utilizar em atividades de expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da Tecnologia Social vencedora.

Banco de idéias – As Tecnologias Sociais, após certificadas, passam a integrar o Banco de Tecnologias Sociais (BTS) da Fundação Banco do Brasil, uma base de dados on-line disponível na internet no endereço www.fundacaobancodobrasil.org.br. O BTS, principal instrumento utilizado pela FBB para disseminar e fomentar a reaplicação de Tecnologias Sociais, organiza as informações das tecnologias e das instituições que as desenvolveram.

Outras Informações
Portal: www.fundacaobancodobrasil.org.br
Endereço eletrônico: priscilla@fbb.org.br / rodrigo.farhat@fbb.org.br
Telefone: (61) 3310-1974/3310-1967

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Prêmio 2

Prêmio Finep é lançado em Regiões

Os lançamentos regionais do Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica estão em andamento. As cerimônias tiveram início no mês de março, em Campo Grande (MS), na Região Centro-Oeste. Para marcar a abertura das inscrições nas regiões, estão acontecendo fóruns de Inovação Tecnológica que têm como tema principal a Gestão da Inovação. São convidados especialistas e empresários/as locais que tenham sido vencedores em outras edições do Prêmio FINEP para falar de suas experiências e apontar os caminhos que levam à inovação.

Os interessados em concorrer ao prêmio têm até o dia 16 de julho para formalizar as suas inscrições pela internet - onde também está disponível o regulamento.

Os 10 anos do Prêmio


Este ano, o Prêmio FINEP completa 10 anos de existência. Em números, a trajetória representa 3.102 inscrições e um total de 154 instituições premiadas, entre empresas e instituições de pesquisa de todo o País. O prêmio, que este ano tem como tema os 40 anos da FINEP, foi lançado em 1998, ainda restrito à Região Sul. Na ocasião, foram 25 inscrições. A partir do ano 2000, o prêmio passa a ter caráter nacional e atinge todas as regiões do País, com 279 participantes. De 2001 a 2006, as inscrições foram aumentando até atingir 677 participantes.

O número de categorias também cresceu nesse período. Se em 1999 eram apenas duas (produto e processo), em 2007 já são sete: foram criadas as categorias de Pequena Empresa, Média/Grande Empresa, Inovação Social, Instituição de Ciência e Tecnologia, e Inventor Inovador.

A categoria Inovação Social possui grande identidade com o universo das TSs. Essa modalidade permite a apresentação de projetos inovadores já implementados que promovam inclusão social, geração de emprego e renda e melhoria das condições de vida das comunidades envolvidas.

Para comemorar estes 10 anos premiando a inovação no país, a FINEP desenvolveu um regulamento simples e acessível, novo troféu, selo comemorativo e uma marca alusiva a esta década de sucesso. A campanha publicitária ressalta as características regionais do prêmio, dando destaque aos projetos vencedores em cada estado.

Outra novidade é que este ano o julgamento das propostas passará por uma etapa de pré-qualificação, conduzida por um júri à distância. Os projetos serão encaminhados por meio eletrônico e devolvidos à FINEP com as devidas pontuações.

Outras Informações

Portal:
www.finep.gov.br
Endereço eletrônico: premio@finep.gov.br
Telefone: ( 21) 2555-0510

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NOTÍCIAS DA REDE é o informativo eletrônico da Rede de Tecnologia Social (RTS) que reúne, organiza, articula e integra um conjunto de instituições, com o propósito de promover o desenvolvimento sustentável, mediante a difusão e a reaplicação em escala de tecnologias sociais.

Para entrar em contato ou assinar este informativo, envie nome completo, e-mail e nome da instituição a qual pertence para o e-mail: noticiasdarede@rts.org.br.

Caso queira deixar de recebê-lo, basta responder este mail, com o título CANCELAR.

Outras informações:
Secretaria Executiva da RTS
Telefone: (61) 3217-6102

Expediente
Rede de Tecnologia Social (RTS)

Secretária Executiva: Larissa Barros
Animadora de Redes: Isabel Miranda
Jornalista Responsável: Michelle Lopes - RP 4825-DF
Assistente Administrativo: Francisco de Assis Vieira


Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)

Diretor: Emir José Suaiden
Coordenador-Geral Administração: Dalton Rosa de Freitas
Coordenador-Geral Informação Tecnológica: Cecília Oliveira Leite
Desenvolvimento Web: Marcos Sigismundo da Silva
Analista de Informação: Gabriela Duarte
Jornalista Responsável: Cláudia Mohn


Comitê Coordenador da RTS

· Caixa Econômica Federal (Caixa)
· Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
· Fundação Banco do Brasil (FBB)
· Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT)
· Ministério da Integração Nacional (MI)
· Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
· Petrobras
· Sebrae
· Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA)
· Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais (Abong)
· Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras
· Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)
· Instituto Ethos
· Subsecretaria de Comunicação Institucional da Secretaria-Geral da Presidência da República



Projeto Gráfico: Mário Fiorese