Brasília, 14 de dezembro de 2006 - Ano 02 - Nº 18
CONTEÚDO
Articulação
RTS terá novos canais de participação
Experiências
Salão de Vivências: interação entre pessoas e projetos
Exposição
V Expo Brasil Desenvolvimento Local tem resultado positivo
Inovaçao Tecnológica
Prêmio Finep
Recursos Hídricos
ASA ganha prêmio da Agência Nacional de Água

Editorial

Prezado/a leitor/a

Esta é a última edição do ?Notícias da Rede?, em 2006. Estamos concluindo as atividades deste ano com ?chave de ouro?. Semana passada, realizamos o 1º Fórum Nacional da RTS. O encontro foi um grande marco na história das tecnologias sociais, no Brasil. Com grande orgulho e satisfação, percebemos o fortalecimento da Rede, a multiplicação das conexões e parcerias.

A existência da Rede de Tecnologia Social representa uma grande conquista. Entretanto, ainda temos grandes desafios pela frente. É preciso, por exemplo, que tecnologia social seja um tema inserido na agenda nacional de forma efetiva. Esse objetivo será alcançado somente com o protagonismo das instituições que fazem parte da Rede. Atualmente, já são 444 integrantes.

As iniciativas dessas entidades são riquíssimas e diversas. Muitas estão sendo reconhecidas por meio de prêmios e apoio a projetos. Recentemente, o Programa Um Milhão de Cisternas foi o vencedor do Prêmio ANA. E, nesta semana, foram divulgados os/as vencedores/as do Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica. Dentre eles, as barraginhas, uma tecnologia social desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo. Parabéns aos vencedores e vencedoras!

Enfim, há muitos motivos para celebrar o ano de 2006. Desde já, também desejamos que 2007 chegue bem e aberto a tantas ações que a RTS certamente realizará.

Boa leitura!



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Articulação

RTS terá novos canais de participação
Foto: Ronaldo Nina

A RTS integra 444 instituições

O 1º Fórum Nacional da RTS, realizado de 5 a 8 de dezembro, em Salvador/BA, levantou inúmeras propostas de atuação e articulação, que ainda serão sistematizadas para referendar a atuação da Rede em 2007 e 2008. No entanto, um aspecto já está definido e deve ser executado de imediato: a criação de novos canais de participação das instituições que aderiram a esse projeto de inclusão social e desenvolvimento sustentável.

Não é por acaso que esta preocupação seja tão premente. Em 2005, 30 instituições faziam parte da RTS. Hoje, são 444 e a tendência é que outras tantas ? da área governamental, sociedade civil organizada, iniciativa privada e universidades ? venham a aderir. ?O resultado das discussões dos dez grupos de trabalho, que analisaram dois tópicos (Tecnologia Social e Políticas Públicas e Tecnologia Social e Geração de Trabalho e Renda), demonstra claramente a riqueza das contribuições?, assinala Larissa Barros, secretária executiva da Rede.

LEGITIMIDADE - O plano de trabalho da RTS para o próximo biênio vai focar ações pontuadas no Fórum, a partir da sistematização das propostas. Esse processo de planejamento deverá se estender até fevereiro de 2007. Analisando as sugestões dos grupos de trabalho, percebe-se várias convergências. Uma delas é que a Rede deve lutar por uma crescente legitimidade política da nova cultura de participação.

Na avaliação de Larissa, o 1º Fórum Nacional da RTS atingiu plenamente as expectativas dos organizadores. E teria ido ainda mais além não fosse pela crise na aviação civil, que impediu a participação de aproximadamente 100 representantes de instituições associadas à Rede. ?Em compensação, quem veio participou intensamente, do início ao fim, num clima em que todos estão se sentindo desafiados a fazer uma coisa nova pelo país?, conclui.

Foto: Ronaldo Nina

Abertura do 1º Fórum Nacional da RTS

O Fórum foi realizado durante a 5ª Expo Brasil Desenvolvimento Local. Dessa forma, foi possível potencializar a troca de informações e experiências entre lideranças regionais e instituições que trabalham com tecnologias sociais numa perspectiva de promoção do desenvolvimento.

A organização do Fórum ficou sob a responsabilidade da Abong. O evento teve o patrocínio da Caixa, Fundação Banco do Brasil, Ministério do Desenvolvimento Social e Ministério da Integração Nacional. O Fórum também contou com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, Finep, Sebrae, Petrobras, IICA, Instituto Ethos, Articulação no Semi-Árido Brasileiro, Rede GTA e Forproex.

Assessoria de Imprensa ? 1º Fórum Nacional da RTS

Avaliações Finais
Paulo Magalhães
Caixa Econômica Federal
Rio de Janeiro

? Eu trouxe, ?na bagagem?, uma enorme expectativa de ver a dinâmica da Rede em operação. Vi as pessoas participando ativamente. Vi possibilidades de troca bastante efetivas. A gente conseguiu construir diálogos entre grupos que se encontraram, diálogos com pessoas interessadas em fazer algo. Em suma, há um conjunto de relações e parcerias possíveis.

É necessário que o Comitê Coordenador da Rede se aproxime cada vez mais dessa base social, pois os valores de participação - mesmo na controvérsia, na contradição - é que vão fundar, de fato, uma perspectiva de futuro. O desafio é criar mecanismos de participação que possam realimentar permanentemente a dinâmica da Rede, a construção de um projeto coletivo e capaz de se refletir em políticas públicas. Vejo, também, a necessidade de empresas privadas nesse diálogo em torno das tecnologias sociais.

Ana Letícia Silva
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
São Paulo

? Sabíamos que o Fórum seria um momento muito importante de convergência das instituições que compõem a RTS e que ainda não se conheciam. Eu estava com a expectativa de saber o que vem sendo feito sobre tecnologias sociais no Brasil para ver como o Instituto Ethos pode contribuir.

Após esses dias de trabalho, eu levo um arcabouço de práticas que têm sido realizadas no país e que podem se tornar focos para as empresas atuarem. Penso que, agora, há muito mais clareza quanto aos espaços em que as empresas podem contribuir com efetividade em relação às tecnologias sociais. Há grandes oportunidades de parcerias.

Ruy Godinho
Abravídeo
Brasília

? Eu sabia que encontraria, no Fórum da RTS, um mundo novo. Eu trouxe a trajetória da Abravídeo no movimento social organizado, trabalhando efetivamente na difusão das tecnologias sociais. Hoje, estou levando a soma das experiências. Tenho certeza que sou muito melhor com as coisas que eu aprendi e assimilei. Estou muito esperançoso porque as tecnologias sociais são um retrato do Brasil que constrói, que quer transformar, que quer melhorar. O que me deixa mais feliz é que pessoas simples estão envolvidas nessa reconstrução do país.

Luís Fumio Iwata
Fundação Banco do Brasil
Brasília

? Esperávamos que o Fórum fosse a oportunidade de um processo em construção. Afinal, estamos falando de uma Rede de Tecnologia Social e, como rede, é dinâmica. Essa expectativa foi confirmada. Há plura lidade de opiniões sobre temas como TS e trabalho e renda, TS e políticas públicas. Entretanto, são muitos os pontos convergentes. Agora, precisamos aprofundar as discussões com base nas opiniões emitidas e fazer com que os consensos possam potencializar a reaplicação de tecnologias sociais efetivas na transformação social, que possam contribuir com o desenvolvimento do país.

Samy Lansky
Lansky Arquitetura

? Eu cheguei com algumas perguntas e busquei respostas. Trabalhamos com poucas pessoas e eu gostaria de saber quais são os canais possíveis para ampliar a atuação de nossa instituição. Também procurei dar contribuições na questão da infância e do espaço público. Esses temas estão interligados. Entendemos o espaço público como um mecanismo de segregação e, portanto, também de inclusão. Mas eu não encontrei, no Fórum, discussões sobre essas temáticas. No entanto, como as palestras tinham abordagens mais amplas, foram muito interessantes, sobretudo pela questão teórica. Precisamos refletir de fato, por exemplo, o conceito de rede.

Eu também entendi como podemos atuar, dentro da Rede. É um desafio montar essa estrutura. Percebo que a RTS está sendo construída por nós mesmos. Foi, sobretudo, uma oportunidade de interagir, conhecer projetos e pessoas.

Joaquim Narciso
Ansempla
Goiás

? Faço parte de uma Associação de Moradores que, há anos, trabalha na área social. Já atuamos no Bolsa Escola Cidadã, com dezenas de famílias. Atualmente, trabalhamos com o Consórcio da Juventude. Eu sempre desejei participar de um movimento que, em nível nacional, pudesse contribuir com a sociedade brasileira. No Fórum da RTS, encontrei justamente o que precisava. Eu aprendi muito. Levo muitos conhecimentos para minha cidade.

Zélia Damasceno
PoloProbio

Acre

? Eu tinha muita expectativa para mostrar o nosso trabalho e aprender com outras pessoas. O que estou levando, de volta, é muito mais do que eu trouxe. Pessoas se interessaram pelo nosso trabalho, espaços se abriram. São várias portas. Tenho certeza que esses contatos irão trazer muitos benefícios para nossa comunidade .
O desafio da RTS é muito grande, pois são várias instituições cadastradas. É um trabalho árduo. Mas nós estamos tão envolvidos e mobilizados que os trabalhos só poderão ser bem-sucedidos. Aproveito para parabenizar e agradecer a forma com que fomos recebidos, sempre com muita dedicação, alegria e boa vontade.

Luciana Felício
Grito de Responsabilidade Social
Ceará

? Trabalhamos com crianças, adolescentes e mães. Buscamos complexos familiares, pois não adianta atuar de forma individualizada. A ONG desenvolve um trabalho piloto de artesanato. Não temos incentivo governamental. No Fórum, eu procurei ver os debates sobre políticas públicas porque não conseguimos sustentar determinados projetos devido à ausência de uma verba pública. Eu também tive oportunidade de fazer parcerias. Consegui fazer articulações e entender conceitos. Foi muito bom.

Rodrigo Fonseca
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
Rio de Janeiro

? Eu trouxe, ?na bagagem?, tudo o que vivi como gestor de políticas públicas dentro da minha instituição. Trouxe o que já estudei sobre inclusão social, política de ciência e tecnologia. Procurei trazer informações de forma organizada. Trocamos vários conhecimentos sobre esses temas. Acho que, nesse sentido, fomos bem sucedidos. Estou levando de volta vários apertos. Os apertos dos abraços; os apertos das cobranças, das divergências; e o aperto no coração devido à saudade das pessoas. Sempre encontramos muitos amigos e, depois, sentimos saudade.



Adalice Otterloo
Abong
Pará

? Eu trouxe expectativas e manifestações da Amazônia e da Abong na perspectiva de se construir mais um espaço de articulação. Para nós, da Abong, a RTS é um espaço privilegiado porque traz os quatro elementos fundamentais do diálogo e do fortalecimento da democratização da sociedade. É o diálogo entre governo, sociedade civil, movimentos sociais, empresas e universidades.

O objetivo principal do Fórum era fomentar uma nova cultura de participação na perspectiva do desenvolvimento local e sustentável. Conseguimos ver a cara da Rede, através de suas organizações; possibilitar o diálogo entre diferentes atores; perceber a grande ansiedade e expectativa que essas organizações têm de fortalecer a Rede; fazer a comparação entre ciência e tecnologia; se descobrir produtor de ciência e tecnologia; e fazer uma construção coletiva.

Eu acho que o próximo biênio já consolida a Rede. Também houve uma manifestação de ampliar o diálogo com o governo. Transformar tecnologia social em política pública exigirá, do governo federal, uma revitalização do Sistema de Ciência e Tecnologia. Sabemos que há a Secretaria de Tecnologia e Inclusão Social. Essa instância precisa ser retroalimentada, potencializada para que o diálogo com o MCT flua de forma mais produtiva e conseqüente em relação ao fortalecimento do desenvolvimento local via tecnologias sociais.

Marcus Villarim
Ministério do Desenvolvimento Social
Brasília

? O Fórum da RTS foi muito bom apesar dos problemas que tivemos com o transporte aéreo. Levantamos muitos elementos para definir as ações do próximo biênio. Creio que o Comitê Coordenador poderia ter participado mais ativamente nos encaminhamentos finais. Alguns participantes comentaram que, durante o encontro, retomamos discussões que já tinham ocorrido nas oficinas regionais. Seria preciso avançar nas propostas encaminhadas em Belém e em Recife. Mas a sensação geral é que o Fórum foi muito positivo.


Fotos: Ronaldo Nina e Digão Nunes


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Experiências

Salão de Vivências: interação entre pessoas e projetos

Foto: Ronaldo Nina

Salão apresenta artesanato ecologicamente sustentável

Os produtos de vários projetos de Tecnologia Social foram apresentados no Salão de Vivências, durante o 1º Fórum Nacional da RTS. As bolsas e carteiras produzidas a partir da fibra de bananeira encantaram os/as participantes. Rosângela Tavares, da ONG Artesim, explicou que trata-se de um projeto de geração de renda, realizado por mulheres do Grajaú (RJ), em cooperativa de economia solidária. ?Trabalhamos um artesanato ecologicamente sustentável, feito com produtos naturais procedentes de diversas regiões do Brasil?.

Em outro enfoque de TS atua a Universidade Popular Comunitária, projeto que vem sendo implementado pela comunidade e prefeitura de Cuiabá (MT). Duarte Miranda Júnior informou que seu objetivo é educar, da alfabetização ao ensino superior, adultos com mais de 25 anos. ?A base pedagógica que utilizamos é a história de vida dessas pessoas?, contou. São aproximadamente 850 estudantes integrados/as a essa iniciativa, que também enfatiza a geração de trabalho e renda, por meio da Incubadora de Empreendimentos Sociais Lida e Melhorança.

Foto: Ronaldo Nina


Participantes trocam experiências

Havia várias experiências de educação de jovens e adultos, artesanato, música, cultura de paz e outros temas. Dentre elas, o Instituto Vida, de Recife (PE), com um trabalho na área de moda voltado para meninas que vivem nas comunidades da periferia da cidade: ?O trabalho vai muito além da confecção. O processo capta outras linguagens artísticas?, comentou Lúcia Helena Ramos.


Assessoria de Imprensa ? 1º Fórum Nacional da RTS



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Exposição

Expo Brasil Desenvolvimento Local tem resultado positivo

Foto: Ronaldo Nina

Abertura da Expo Brasil Desenvolvimento Local

A melhoria na qualidade do conteúdo das oficinas e no nível de participação e uma forte ação comunicativa interna e externa foram os principais avanços na quinta edição da Expo Brasil Desenvolvimento Local, realizada entre os dias 6 e 8 de dezembro, no Centro de Convenções de Salvador. A avaliação é do o sociólogo Caio Silveira, coordenador da Expo e Rede Dlis, sediada na Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits). "As ações de comunicação interna descentralizaram as discussões e deram voz a todas as pessoas para que pudessem partilhar a palavra e o conhecimento", ressaltou o coordenador.

O processo de comunicação da Expo, segundo Caio, traduziu a própria essência do conceito de desenvolvimento local, colocando os participantes como protagonistas do processo. "Mas temos que lembrar que um dos maiores avanços é a própria realização do evento, o que demonstra que a Expo já se consolidou no calendário nacional como um canal de diálogo entre os vários atores do desenvolvimento local", afirmou.

A capacidade de mobilização, como diz Silveira, é a própria mola propulsora da Expo e, na quinta edição, esta capacidade foi ainda mais forte. "Fiquei impressionado com o esforço das pessoas que enfrentaram horas no aeroporto para chegarem aqui. Isto mostra a importância do evento e sua força para vencer até mesmo os entraves pontuais, como a crise aérea", disse. Esta mobilização resultou na participação de mais de duas mil pessoas nas cerca de 70 intervenções entre palestras, mesas redondas e painéis e atividades culturais. O desafio para a próxima Expo, ainda sem local definido, é manter as ações comunicativas desenvolvidas nesta edição, de forma a fortalecer os contatos realizados durante o evento e continuar a mobilização que marca a Expo Brasil.

EXPANSÃO ? As iniciativas de desenvolvimento local têm se intensificado nos últimos 10 anos com o surgimento de inúmeros conselhos, agências, fóruns e consórcios. "O protagonismo local tem se acentuado cada vez mais, na medida em que também cresce a consciência de cidadania. Estas entidades estão pipocando por aí", afirma Caio. Segundo ele, não há estatísticas e mapeamentos consistentes do desenvolvimento sustentável local no Brasil e este é um dos desafios para o fortalecimento das ações. "Mas na Expo temos uma idéia de como isto está pulsando por aí. Basta ver a quantidade e diversidade de entidades que estão mostrando aqui seus projetos. E este é o papel fundamental da Expo, ser a ponte que liga estas 'ilhas', um momento de compartilhar estas experiências", resume. Os maiores entraves para o desenvolvimento local, segundo o sociólogo, são a escassez de recursos para o financiamento de projetos locais e a própria cultura política do país, baseada na centralização, na burocracia e na resistência ao compartilhamento do poder. "A centralização dos recursos acaba criando uma cadeia de intermediários, que resulta no clientelismo. Por outro lado, os gestores públicos temem a perda do poder ao compartilhá-lo com a sociedade civil organizada", alerta o coordenador.

Foto: Ronaldo Nina


Expo Brasil acontece em Salvador

As quatro primeiras edições da Expo Brasil Desenvolvimento Local, realizadas em 2002 (Brasília/DF), 2003 (Belo Horizonte/MG), 2004 (Olinda/PE) e 2005 (Fortaleza/CE), reuniram 280 diferentes instituições e redes envolvidas com o tema desenvolvimento local e mais de duas mil pessoas em cada edição. O evento deste ano, coordenado pela Rits, contou com o apoio do Sebrae, Governo Federal, ONGs, prefeituras, Governo da Bahia, além de organismos internacionais, entidades da sociedade civil, fundações, universidades e redes e fóruns de todo o país.

Por Elísio Pontes



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Inovaçao Tecnológica

Prêmio FINEP escolhe vencedores e vencedoras nacionais

Foto: João Luiz Ribeiro/FINEP

Cordoval, da Embrapa Milho e Sorgo, recebe o troféu

Homenagear, reconhecer e incentivar as ações inovadoras nas empresas brasileiras. Este é o principal objetivo do Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica, entregue dia 12 de dezembro, em Brasília (DF). Promovido pela Financiadora de Estudos e Projetos, agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia, o prêmio recebeu 677 propostas nesta sua sétima edição anual. O vice-presidente da República, José de Alencar, o ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e o presidente da FINEP, Odilon Marcuzzo, entregaram os troféus.

O vice-presidente da República, José de Alencar, parabenizou os/as vencedores/as e incentivou a continuidade do Prêmio. ?É importante premiar o esforço destes brasileiros, o que dará ao Brasil condições de competir no mercado internacional?, avaliou. Ao todo concorreram 29 instituições, provenientes das cinco regiões do Brasil. Entre os prêmios estão viagem ao Reino Unido, bolsas de estudo, um laptop e o selo alusivo ao prêmio.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, falou sobre os avanços nos últimos anos, com o surgimento de instrumentos como a Lei de Inovação, a Lei do Bem e o programa de Subvenção Econômica, coordenado pela FINEP. ?O avanço tecnológico tem sido a principal força motora dos países industrializados, e o crescimento tem em comum políticas e ações governamentais para estimular e difundir nas empresas processos de inovação tecnológica. E o Brasil também tem amplas condições de trilhar por este caminho?, declarou o ministro.

Já o presidente da FINEP, Odilon Marcuzzo, afirmou que é crescente o número de empresas que têm a inovação como estratégia de desenvolvimento, mas os modelos de produtos e serviços inovadores ainda não estão no mercado. ?O Prêmio mostra o papel estratégico da inovação no crescimento no cenário nacional. Empreender e inovar são as únicas formas de crescer no mercado cada vez mais competitivo?, avaliou Odilon.

PREMIADOS - O vencedor na categoria Processo foi a empresa Vinibrasil Vinho do Brasil, de Pernambuco, e a empresa Pele Nova Biotecnologia, do Mato Grosso do Sul foi a premiada na categoria Produto. Na categoria Pequena Empresa, a vencedora foi a Nuteral Indústria de Formulações Nutricionais, do Ceará, e na categoria Grande Empresa, a Mectron - Engenharia Indústria e Comércio, de São Paulo, foi a premiada.

Duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) receberam o Prêmio FINEP. Na categoria Instituição de C&T; foi a Embrapa Algodão, da Paraíba, e na categoria Inovação Social foi a unidade Milho e Sorgo, de Minas Gerais. Nesta modalidade, a tecnologia social ?barraginha? foi apresentada como uma proposta transformadora. Ao receber o prêmio, o engenheiro agrônomo Luciano Cordoval falou sobre suas expectativas: ?É um momento de alegria. Esperamos que esse reconhecimento garanta recursos para seguirmos com o nosso trabalho. Eu tive uma conversa com o vice-presidente, José Alencar, e ele prometeu encher o Brasil de barraginha?.

Paulo Ferrara de Almeida Cunha, da região Sudeste, foi o premiado da categoria Inventores Inovadores. Esta é a única categoria do prêmio que não recebe inscrições. Os pesquisadores são indicados por uma comissão julgadora. O Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) é o órgão que define critérios de premiação, levanta o número de patentes registradas pelos concorrentes e seleciona as inovações mais relevantes.

O tema de campanha deste ano do Prêmio FINEP foi o centenário do primeiro vôo do 14-bis. A solenidade de premiação contou ainda com a exibição de um vídeo compacto do filme ?Desafio do Ar?, de direção de Adolfo Rosental, que fala sobre a trajetória do inventor Santos-Dumont. Foi entregue também o troféu José Pelúcio Ferreira, para personalidades de destaque em áreas estratégicas para o fortalecimento da Ciência e Tecnologia no Brasil.

MENÇÃO HONROSA ? Além da premiação aos primeiros colocados, instituições também receberam menção honrosa, em cada categoria. É o caso da Fundação Mussambê, que possui uma tecnologia agroindustrial de extração de óleo do coco babaçu, com seu aproveitamento integral. A partir do coco, são produzidos óleos, ração animal, tortas etc. Para o diretor presidente da Fundação, Daniel Marques Júnior, ?o prêmio significa a congratulação de uma tecnologia que já vem sendo disseminada na região. Nossa perspectiva é que a iniciativa da Mussambê seja ampliada para outras regiões do país?.

A seguir, a relação das instituições que receberam menção honrosa, no Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica:

? PROCESSO ? Motorola Industrial Ltda. (SP) - Sudeste
? PRODUTO ? Módulo Security Solutions S/A (RJ) - Sudeste
? PEQUENA EMPRESA ? Prodigy 3D Ltda (SP) ? Sudeste
? MÉDIA/GRANDE EMPRESA ? Braskem SA (RS) ? Sul
? INSTITUIÇÃO DE C&T; ? Agência de Inovação Inova Unicamp (SP) ? Sudeste
? INOVAÇÃO SOCIAL ? Fundação de Formação, Pesquisa e Difusão Tecnológica para uma Convivência Sustentável com o Semi-Árido / Fundação Mussambê (CE) - Nordeste



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Recursos Hídricos

ASA ganha prêmio da Agência Nacional de Água

Foto: Arquivo ASA

Ministra Marina Silva participa da abertura

O Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido: Um Milhão de Cisternas Rurais, coordenado pela Articulação do Semi-Árido Brasileiro (ASA), foi o vencedor do Prêmio ANA, na categoria ?Uso Racional de Recursos Hídricos?. A premiação ocorreu no Conjunto Cultural da Caixa Econômica Federal, em Brasília.

A primeira edição do evento, promovido pela Agência Nacional de Águas (ANA), teve como objetivo reconhecer as iniciativas realizadas por instituições que buscam soluções para a conservação e uso sustentável da água.

De acordo com o coordenador da ASA, Naidison Baptista, o prêmio reconhece a capacidade e a luta da instituição em mostrar que, por meio de medidas simples, é possível mudar a realidade da região. ?Essa homenagem vai para a população do Semi-Árido, que acredita que pequenas alternativas podem fazer a diferença?.

Concorreram ao prêmio 284 projetos de todo o Brasil, sendo escolhidos 15 finalistas, que disputaram as categorias: Gestão de Recursos Hídricos, Uso Racional de Recursos Hídricos e Água para a Vida. A região Nordeste foi o estado com o maior número de projetos selecionados como finalistas, com seis indicados.

Além do programa desenvolvido pela ASA, também saiu vencedor na categoria ?Água para a Vida?, o projeto Convivência com a realidade semi-árida - Construção de Cisternas para Captação e Armazenamento de Água da Chuva, desenvolvido pelo Centro de Educação Popular e Formação Sindical da Paraíba (CEPFS).

Na categoria ?Gestão de Recursos Hídricos?, o prêmio ficou com o Projeto de Assessoria Técnica e Científica ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão do Norte ? Extensão Universitária Voltada ao Meio Ambiente e Recursos Hídricos, da Universidade da Região de Joinville (Univille), de Santa Catarina.

Critérios como efetividade, impactos social, cultural e ambiental, adesão e participação social, potencial de difusão e originalidade, foram utilizados na avaliação dos projetos. O vencedor de cada categoria recebeu o Troféu Prêmio ANA, uma peça de vidro de 25 cm, com aspecto de pedra bruta lapidada e detalhes na cor água-marinha, confeccionado pelo mestre vidreiro Mário Seguso. Todos os 15 finalistas ganharam uma tela do artista plástico Otoniel Fernandes, cujas pinturas foram inspiradas nas bacias dos rios Paraíba do Sul, São Francisco, Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

Estiveram presentes ao evento a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, o presidente da ANA, José Machado, além de representantes de empresas, comitês de bacias hidrográficas, universidades e ONGs.

Para o diretor da ANA, José Machado, a idéia de reconhecer boas práticas visa motivar o desenvolvimento de outras ações em gestão de recursos hídricos, no Brasil. ?Nosso objetivo é reconhecer o trabalho dos comitês, empresas e organizações que tiveram boas práticas na gestão e uso de recursos hídricos, para que sirvam de exemplo?, explica. Ele ainda destaca a importância educativa dessas ações, ?já que os brasileiros são negligentes com o uso da água, carentes de planejamento, além da poluição, que compromete a qualidade de vida?, conclui.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acredita na continuidade das ações e alertou para o cuidado com os recursos hídricos. ?Temos que fazer um gerenciamento cuidadoso da nossa água. Não podemos permitir a tragédia do comum. Temos que mudar a visão de cuidado. Essas ações, transformadas em políticas públicas, servem para inspirar a prática do dia-a-dia?.

Ela lembrou ainda que apesar dos avanços com a Lei de Águas do Brasil (N° 9.433, de 1997), a criação do Programa Nacional de Recursos Hídricos, e a ampliação da ANA, ainda há muito a fazer. ?A Política Ambiental avançou muito. Temos uma constituição, que dá o direito a qualidade de vida e dos recursos naturais. Quando se tem lei fica mais fácil, mas é muito difícil defender o que é de todos, o que é comum. Estabelecer um processo de cobrança para o cuidado com os recursos é ainda muito complexo?, disse.

PROGRAMA UM MILHÃO DE CISTERNAS

Foto: Arquivo ASA

Vencedores comemoram entrega do Prêmio

A categoria ?Uso Racional de Recursos Hídricos? tinha como objetivo premiar iniciativas que visassem à utilização racional da água em processos produtivos e no combate ao desperdício e poluição. O Programa Um Milhão de Cisternas Rurais, desenvolvido 61 organizações da sociedade civil, elaborado e coordenado pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), foi o contemplado pelo trabalho que já desenvolve há quase seis anos.

De acordo com o coordenador da ASA, Naidison Baptista, o Programa atende nove estados do Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo, no Sudeste. Segundo Baptista, as próprias comunidades ajudam na implantação das cisternas. ?Já atendemos cerca de 170 mil famílias do Semi-Árido, ou seja, 820 mil pessoas foram beneficiadas com água de qualidade. A própria comunidade ajuda no levantamento das famílias, na mobilização e documentação, na construção e na manutenção [das cisternas]?, revelou.

As famílias e os pedreiros envolvidos na construção recebem também cursos de capacitação. Cada cisterna comporta 16 mil litros de água, que servem para beber e cozinhar, quantidade suficiente para abastecer uma família de cinco pessoas durante oito meses, o período de estiagem no Semi-Árido. A água é captada por calhas instaladas no telhado das casas e o custo de cada cisterna é de aproximadamente 1,5 mil reais.

Até novembro de 2006, o P1MC já havia atendido 61 microrregiões, no total de 1.009 municípios do Semi-Árido. Foram 171. 307 cisternas construídas e 187.453 famílias mobilizadas.

Por Priscila Feitosa - Especial para ASACom

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NOTÍCIAS DA REDE é o informativo eletrônico da Rede de Tecnologia Social (RTS) que reúne, organiza, articula e integra um conjunto de instituições, com o propósito de promover o desenvolvimento sustentável, mediante a difusão e a reaplicação em escala de tecnologias sociais.

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Outras informações:
Secretaria Executiva da RTS
Telefone: (61) 3217-6102

Expediente
Rede de Tecnologia Social (RTS)

Secretária Executiva: Larissa Barros
Analista Técnica: Geralda Alves Pereira
Jornalista Responsável: Michelle Lopes - RP 4825-DF
Assistente Administrativo: Francisco de Assis Vieira


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Diretor: Emir José Suaiden
Coordenador-Geral Administração: Dalton Rosa de Freitas
Coordenador-Geral Informação Tecnológica: Cecília Oliveira Leite
Desenvolvimento Web: Marcos Sigismundo da Silva
Analista de Sistemas: Jane Fontes Gadelha
Analista de Sistemas: Simone Brasil Buchhorn
Analista de Informação: Gabriela Duarte
Jornalista Responsável: Cláudia Mohn


Comitê Coordenador da RTS

· Caixa Econômica Federal (Caixa)
· Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)
· Fundação Banco do Brasil (FBB)
· Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT)
· Ministério da Integração Nacional (MI)
· Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
· Petrobras
· Sebrae
· Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA)
· Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais (Abong)
· Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras
· Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)
· Instituto Ethos
· Subsecretaria de Comunicação Institucional da Secretaria-Geral da Presidência da República

Projeto Gráfico: Mário Fiorese